Organizações Regionais
Sabores, cheiros, tradições e lutas
O País está presente na Quinta da Atalaia. E com ele trás tudo o que Portugal tem: gastronomia, cultura, artesanato, música, dança, tradições, paisagem. São os espaços das Organizações Regionais, com as suas exposições, bancas e restaurantes. Neste espaço e este ano, destaca-se o roteiro dos vinhos, com uma mostra de vinhos de qualidade que podem ser adquiridos em todas as organizações. Mas, como o País não é feito de coisas boas, graças à inacção dos sucessivos governos, o visitante irá encontrar diversas referências aos problemas da população, de Trás-os-Montes aos Açores. A referência aos problemas é acompanhada pela indicação das lutas específicas travadas em cada localidade, em cada distrito.
O stand dos Açores procurará, este ano, corresponder, a exemplo de todas as outras organizações, às expectativas dos milhares de visitantes da Festa. Para além de um variado roteiro gastronómico, poderá conhecer a difícil situação social, a luta popular e dos trabalhadores contra a política de direita, e a intervenção do PCP junto deles.
Também o Alentejo procura trazer um pouco da região para a Atalaia. A nível político, os alentejanos vão recordar os 30 anos da Festa do Avante e, com os olhos postos no futuro, as grandes opções estratégicas para o Alentejo. Neste espaço falar-se-á ainda do reforço do PCP, da juventude e as suas expectativas.
O Algarve terá uma presença diferente do habitual. O seu pavilhão irá reproduzir uma antiga fábrica de conservas. Com tal iniciativa pretende-se, não falar de memórias, mas antes, afirmar que é possível e necessário revitalizar as pescas e a indústria transformadora a ela associada.
«Organizar – Intervir – Crescer» foi o lema da VI Assembleia de Organização Regional de Aveiro (AORAV) do PCP, realizada em Março do corrente ano. Mais do que o momento de fazer o balanço da intensa actividade realizada pelos comunistas do distrito, nos últimos anos, no combate às múltiplas expressões da política de direita e na resposta às exigências do calendário político e eleitoral, a VI Assembleia da AORAV representou um marco importante da campanha do reforço do Partido, actualmente em curso.
A participação da Direcção de Organização Regional de Aveiro (DORAV) nesta edição da Festa procurará, por isso, transmitir aos visitantes, através da decoração do espaço e de elementos de exposição política, a imagem desta assembleia numa perspectiva integrada com os avanços já conseguidos e com as metas a atingir no reforço da organização e intervenção partidária referentes, por exemplo, ao recrutamento de novos militantes, à ligação aos trabalhadores, à criação e/ou dinamização de organismos de base, à responsabilização de quadros, à realização das assembleias, etc.
De entre as lutas em curso no distrito de Aveiro a DORAV do PCP decidiu trazer à Festa a grande «Petição em defesa e valorização da linha ferroviária do Vale do Vouga», a entregar na Assembleia da República, que poderá ser assinada por qualquer visitante que queira ser solidário com este objectivo de grande importância para o desenvolvimento e qualidade de vida das populações servidas por este meio de transporte.

Dramática realidade

Braga vai abordar a dramática realidade da destruição do aparelho produtivo na região e as consequências para a vida dos trabalhadores e suas famílias. Com cerca de 50 mil desempregados e com empresas a encerrarem todos os dias, em particular no sector têxtil, a incerteza no futuro paira sobre milhares de trabalhadores, que com apreensão esperam encontrar as suas empresas abertas no pós férias.
Por outro lado, o papel do Partido no desenvolvimento da luta dos trabalhadores e das populações e o seu indispensável reforço orgânico estarão patentes na exposição política, assim como a afirmação da Festa da Alegria, festa esta cujo o percurso é o mesmo de um Partido que não se verga às dificuldades, aos percalços e as desafios da luta em que está firmemente empenhado.
O distrito de Bragança seleccionou como elemento de decoração do seu pavilhão as «Máscaras e Caretos».
Para além da gastronomia, o visitante poderá deparar-se, através de uma exposição, com toda a actividade política desencadeado pelos comunistas daquela região. No interior do pavilhão actuarão gaiteiros do Planalto Mirandês (Mogadouro), da zona da Lombada (Varge), de Cacarelhos e ainda outros músicos do Nordeste.
As Organizações Regionais de Castelo Branco e Guarda, mais uma vez, estarão representadas conjuntamente. A exposição política dará a conhecer os problemas e potencialidades destas regiões e as propostas dos comunistas, dando-se particular destaque às conclusões das assembleias regionais do PCP.
Também a Organização Regional de Coimbra leva à Atalaia uma exposição que aborda as lutas das populações do distrito contra o encerramento de serviços de saúde, dos estudantes contra «Bolonha», dos trabalhadores e agricultores pelos seus direitos, bem como os ataques à liberdade de expressão política.
Esta exposição aborda também a realização da 5.ª Assembleia de Organização Regional de Coimbra e o 85.º aniversário do Partido, referindo particularmente a edição do jornal «Alarme», primeiro porta-voz do PCP, logo em 1921, e o 50.º aniversário do 4.º Congresso do Partido, realizado clandestinamente na Lousã.
Leiria terá também grandes motivos de interesse para os seus visitantes, dando a conhecer a vida, a luta e as tradições da região. «Conhecer o desenvolvimento da luta em defesa do aparelho produtivo» é o tema que o visitante poderá encontrar no espaço.

As lutas dos trabalhadores

Os protestos e as lutas dos trabalhadores e das populações do distrito, contra as políticas de direita do Governo PS, por mais e melhores salários, em defesa do emprego e da segurança social pública contra os processos de destruição e privatização nas áreas da Saúde e na Educação, terão presença destacada em Lisboa.
A defesa do aparelho produtivo e de grandes empresas do distrito, por melhores prestações dos serviços de saúde, por mais e melhores transportes públicos, contra a privatização da água e em muitas outras áreas, estará reflectida na exposição política. No Café Concerto será assinalado o centenário do maestro Lopes Graça.
Na Madeira, os visitantes poderão ficar a saber mais sobre a «Revolta do Leite» de 1936. Esta exposição, para além de demonstrar o interesse histórico deste acontecimento e do contributo do mesmo para o desgaste da ditadura em Portugal, também evidencia o importante papel dos militantes do PCP, intelectuais e sindicalistas nesta revolta.
«Combater o desemprego crescente», «lutar contra as causas e as políticas que comprometem o futuro do distrito e do País», «propor um rumo alternativo para Portugal», são os temas que o visitante poderá encontrar na exposição multimédia que o espaço regional do Porto terá à disposição.
Será ainda apresentado ao público um livro de testemunhos sobre a vida de Joaquim Ribeiro, militante comunista, preso no Tarrafal, durante a ditadura fascista. Esta apresentação será também um momento de debate sobre a resistência ao fascismo e as circunstâncias actuais da luta dos comunistas.
No stand do Sector Internacional do Porto estará à disposição dos visitantes da Festa uma medalha comemorativa dos 85 anos do PCP de autoria do escultor José Rodrigues, um prato de Roberto Machado, entre outras peças.
Outro dos locais a visitar é Santarém. Para além da Tasca do Ribatejo, com os seus vinhos e doces, o visitante poderá conhecer o trabalho dos comunistas na região, a sua afirmação ideológica e, consequentemente, o reforço da Organização no distrito.

Defender o sector público

Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, com grande influência social e política e destacada intervenção na região, o PCP apresenta este ano no Espaço de Setúbal uma exposição política dedicada ao mundo do trabalho. As principais lutas dos trabalhadores e a organização e acção do Partido no seio dos trabalhadores e das empresas merecem destaque, a par das lutas das populações em defesa da qualidade de vida e do sector público.
Viana do Castelo está presente na Festa com um pavilhão coberto de cerca de 500 metros quadrados. Ai funcionarão quatro áreas distintas e integradas: um stand de artesanato, um espaço para a impressão e venda de t-shirts, outro de venda de produtos gastronómicos, vinhos e doces regionais, e uma adega regional com serviço permanente de bar e restaurante.
Há ainda uma exposição sobre o trabalho do PCP no Alto Minho e as obras de reconstrução do Centro de Trabalho de Viana do Castelo, que será inaugurado em 30 de Setembro de 2006.
Por último, em Viseu, mostrar-se-á os protestos das populações em defesa dos serviços públicos. Irá ainda falar-se, entre outros assuntos, da VII Assembleia de Organização do PCP de Viseu, que se realizará no dia 21 de Outubro.

Roteiro de vinhos
Beber vinho é também
um acto de cultura


Ao descobrir-se o vinho no seu bem natural, compreende-se que este não é uma bebida qualquer, mas sim um produto tradicional, cheio de história. Portugal é, todo ele, uma mancha vitícola que representa um veículo para que as pessoas que visitam a região possam descobrir, através do vinho, todos os aspectos culturais da mesma.
O Roteiro de Vinhos, da Festa do Avante, permite contribuir para a preservação da autenticidade de cada região através da divulgação do seu artesanato, do património paisagístico, arquitectónico e museológico e da gastronomia. contribuindo para o combate à desertificação e aos constrangimentos de algumas zonas rurais.


Eis que se nos depara uma tarefa agradável que é a de escolher o vinho que vamos comprar. Temos, antes de mais, que saber o que queremos: comprar um par de garrafas para uma refeição ou comprar vinhos para a nossa enoteca (local onde se guarda o vinho de uma forma organizada).
A primeira «dica» que lhe damos é a de que compre sempre pelo menos um par de garrafas. É sempre bom ter uma garrafa «sobresselente» do vinho que tencionamos servir e beber.
Em consequência da sua origem, o vinho é um produto vivo que passa pelos períodos de juventude, maturidade e envelhecimento e que, como é natural, está sujeito a alterações. Por esse motivo, o vinho não tem uma composição sempre igual. É a natureza do solo, do clima, as castas de uvas, os métodos de cultura e tantos outros factores, que provocam diferenças apreciáveis de vinho para vinho e que podem originar produtos com características semelhantes.
O vinho surge da aliança entre os conhecimentos, cada vez mais profundos e precisos, sobre a vinha e a componente enológica, que resulta de anos de experiência e da crescente inovação tecnológica.
O nosso País é particularmente bafejado pela Natureza com condições climatéricas e de solos próprios para variados tipos de vinhos, nomeadamente os «brancos, tintos e rosados», «espumantes generosos»» e «vinhos licorosos».

Consumo regular e moderado

Desde tempos imemoriais que o vinho faz parte da dieta alimentar do homem da Europa do Sul.
Na actualidade, assistimos a um crescente interesse na substância vinho, quer na sua vertente económica e social, quer também nas actividades culturais que decorrem da sua natureza específica e da sociabilidade que entre os seus apreciadores se estabelece. No plano científico, começam a ser evidentes os benefícios para a saúde de um consumo regular e moderado de vinho.
Convém também não esquecer que é fundamental a escolha do tipo de vinho de acordo com o prato servido.
Complemento gastronómico por excelência, o vinho é também muito utilizado, como tempero, na confecção de certas iguarias da nossa culinária, sendo talvez o mais conhecido, a famosa «vinha de alhos».
Em termos gastronómicos, há muito se estabeleceram algumas regras, por todos sobejamente conhecidas, que nos ditavam que um prato de peixe deverá ser servido com vinho branco, que os mariscos pedem vinhos verdes ou brancos acídulos, que as carnes se fazem acompanhar por vinhos tintos e que com as sobremesas se deverão servir vinhos licorosos ou espumantes mais ou menos doces.
A gastronomia identifica-se com a cultura de um povo e Portugal não foge à regra. Porque beber vinho também é um acto de cultura, fazendo ele parte da gastronomia, ambos associados reforçam a sua identidade cultural. Delicie-se!

Falam os «especialistas»...
Conselhos úteis

Apesar das regras que existem serem para quebrar (de vez em quando), transcreve-se de seguida algumas que poderão ser mais úteis:

      Os vinhos brancos devem ser servidos antes dos tintos, de outro modo, o tinto deve ser ligeiro e o branco bem estruturado.
      Um vinho ligeiro deve ser proposto antes de um vinho encorpado.
      Um vinho jovem deverá preceder um vinho mais maduro. Se os vinhos forem da mesma colheita, o mais fino e elegante deverá ser servido em último lugar.
      O serviço de diferentes vinhos deve ser por ordem crescente de complexidade: os mais simples primeiro e só no final, os complexos e muito elegantes.
      Não sirva demasiados vinhos diferentes ao longo da refeição.
      Troque de copo sempre que trocar de vinho, de forma a não misturar os aromas e os sabores.
      Não pode descuidar a temperatura ambiente; se o termómetro subir, sirva vinhos ligeiros e frescos.
      Resumindo, os leves antes dos pesados, os jovens antes dos velhos, os secos antes dos doces.


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