SUPLEMENTO FESTA
DO AVANTE!
30 anos de Festa do Avante!
30 anos de histórias com futuro
Ao longo dos seus trinta anos, a Festa do Avante! realizou-se em cinco lugares diferentes: em 1976, nos pavilhões da FIL, na Junqueira; em 1977 e 1978, nos terrenos do hipódromo do complexo desportivo do Estádio Nacional, no Jamor; de 1979 a 1986 no Parque de Monsanto, no Casalinho da Ajuda; em 1988 e 1989 em Loures e, desde 1990, na Quinta da Atalaia, no concelho do Seixal. Estas, quase, três décadas de vida confirmaram a Festa do Avante! como um acontecimento sem paralelo no panorama político e cultural português.
Esta iniciativa, organizada e construída pelos comunistas e amigos e pelo seu Partido, ultrapassa em muito as fronteiras político-partidárias do PCP em todos os seus aspectos: no seu programa cultural e na diversidade das participações de artistas e criadores e, sobretudo, na ampla e entusiástica participação do público no qual crescentemente se destaca a juventude.
Quem não se lembra, se é que tem idade para isso, por exemplo, em 1980, do concerto de Chico Buarque, ou, em 1985, do lançamento do livro «O Partido com Paredes de Vidro», de Álvaro Cunhal, ou até, de 1994, ano do 20.º aniversário do 25 de Abril, onde se podia ver uma exposição de artes plásticas com a participação de artistas portugueses e franceses.
Este ano, como não poderia deixar de ser, para além do vasto programa musical, vamos recordar a 30.ª edição da Festa do Avante!, os 85 anos do PCP, os 75 anos do órgão central dos comunistas portugueses, e, na actualidade, as diversas batalhas do povo português contra as ofensivas anti-sociais e a políticas de direita do Governo PS. Irá ainda ser homenageado o maestro de Abril e militante comunista, Fernando Lopes Graça.


1976

Não coubemos todos lá, nos pavilhões e nos espaços abertos da FIL, nessa primeira Festa do Avante!, que desde logo conquistou a adesão de amplas e variadas camadas da população. De Lisboa, sim, mas também de todo o País, chegaram os visitantes para aquela que se viu desde logo vir a ser a maior manifestação político-cultural de Portugal. Artistas de todo o mundo fizeram brilhar esses três dias. Vindos da URSS e de outros países socialistas. Quem não se lembra do Oktober Club, da RDA? E dos italianos do Canzoniere Internazionale? E do catalão Pi de la Serra? E do nosso saudoso Adriano Correia de Oliveira?

1977

Jamor. Um vastíssimo terreiro que foi preciso afeiçoar. Espaço demasiado grande, diziam. Houve quem nos quisesse «enterrar» ali. Mas a multidão que invadiu o espaço e se distribuiu pelos sete palcos montados a pulso pelo trabalho militante, tornou o Jamor numa verdadeira cidade. De noite, as luzes da Festa brilhavam profusamente sobre as variadas actividades propostas. Houve Teatro, com o Grupo de Campolide, houve a primeira Bienal, com o Hogan, o Bartolomeu Cid, o Jorge Vieira, tantos outros artistas. E os escritores comunistas. E o coro dirigido pelo Lopes Graça. E o Carlos Paredes.

1978

De novo no Jamor. Ary dos Santos, de voz ainda viva, dizia «As Portas que Abril Abriu». Homenagem a Manuel da Fonseca. Da Tchechénia (quem se lembra hoje?) vieram os 55 dançarinos soviéticos do grupo «Vainakh». A revista à portuguesa fazia a sua entrada na Festa com uma recolha de quadros de Artur Ramos e Francisco Nicholson e um brilhante conjunto de artistas em que se destacava Ivone Silva. Foi o ano da exposição da Foice e do Martelo, mãos populares a tratarem em arte o símbolo comunista. O ano em que vieram os jogos populares, e o desporto nas suas variadas modalidades.

1979

No Alto da Ajuda, desta vez, e por alguns anos. Com o Tejo em fundo. Foi preciso desbastar aquela dura terra vulcânica, amanhá-la para a grande cidade festiva, cravada na verdura de Monsanto. Refazer tudo - avenidas, abastecimento de luz e água, esgotos. Reconstruir o vasto palco principal. Sons da Festa - Mercedes Sosa, da Argentina; Jabula, da África do Sul; Max Roach, dos EUA. E a música popular portuguesa, claro. O escritor homenageado foi Armindo Rodrigues. A Bienal era ali, e tinha nomes como Vasco da Conceição e António Domingues.

1980

Sei que estás em festa, pá, tanto mar, tanto mar... O mar não foi tanto que a voz de Chico Buarque não chegasse à Ajuda, vibrando comovidamente com a multidão que o acompanhou... Outras vozes entravam na Festa pela primeira vez, como a voz inesquecível de Zeca Afonso. E as de Adriano, Fausto, Luísa Basto, Sérgio Godinho. Vozes portuguesas numa Festa que homenageava Camões no quarto centenário da morte do Poeta. Na Cidade da Juventude, os sons do jazz, que vinham de várias partes do mundo. A exposição de etnografia, organizada por Giacometti, é uma das memórias que perduram desse ano.

1981

A exposição dos 60 anos do Partido dominava. Era também, o ano do 50.° aniversário do Avante!. A III Bienal, entretanto, abria com a participação de 200 artistas e homenageava Cipriano Dourado. Outras homenagens - a Fernando Lopes Graça, a José Gomes Ferreira. Novidade foi o desfile das Marchas Populares dos bairros de Lisboa, no recinto da Festa.

1982

Uma Festa molhada. Esse fim de semana não foi poupado pela chuva, que acabou prejudicando os espectáculos. As organizações, porém, vinham com ideias novas, novas maneiras de mostrarem o País ao visitante. E o Poder Local, com uma exposição central e várias regionais, mostravam a consolidação do trabalho autárquico democrático e historiavam a tradição municipalista portuguesa. Dois auditórios, um com teatro e folclore, outro com debates, a construção de um Polivalente desportivo, permitiram numerosas realizações.

1983

Efemérides - o 6.° centenário da Revolução de 1383/85 e o centenário da morte de Marx «patrocinam» a Festa. No ano em que o Palco 25 de Abril (como ficará a chamar-se) se muda para melhores ventos, a massa de público face ao Tejo. Um Arraial acolhe condignamente os espectáculos de folclore. E um novo auditório, o 1.° de Maio, outros espectáculos que exigem «intimidade». Se é que a intimidade sobrevive no vasto espaço da Ajuda. A Bienal homenageia Abel Manta e Carlos Botelho.

1984

O 25 de Abril tinha dez anos, de Abril se vestiu a Festa. E marcou a exposição política central e foi tema para os Encontros em que operários da terra e da indústria disseram das suas lutas. A voz já ausente de Ary não deixou de vibrar, com gravações dos seus poemas. E os versos que escreveu foram publicados, com lançamento dos VIII Sonetos. Música - os «Kitushi», de Angola; «Goloshokin», da URSS; «Dixieland» de Berlim, RDA; Arturo Sandoval, de Cuba. E tantos outros.

1985

É a 10.ª Festa. Marcada pelo lançamento do livro «O Partido com Paredes de Vidro», de Álvaro Cunhal, um texto cuja divulgação ultrapassou em muito as fronteiras do PCP. As organizações regionais voltam a dar um salto qualitativo na apresentação dos seus espaços - com destaque para o Porto, que abria uma série de exposições com o painel de Júlio Resende, a «Ribeira Negra», e para Lisboa, com a reprodução do Arco da Rua Augusta. A V Bienal dava lugar de destaque à gravura e mostrava uma exposição individual de Gil Teixeira Lopes.

1986

Centenário do 1.° de Maio. Comemorado também na Festa, com três centenas de painéis em mil metros de exposição alusiva à data. Uma exposição fotográfica - «Objectiva 86» - com nomes destacados: Dimitri Baltherman, Carlos Relvas, Augusto Cabrita. Uma mostra de cinema não profissional. O Avanteatro, com sete companhias a participarem. E os sons? Júlio Pereira, Carlos Paredes, Manuel Freire. O «Oktober Club» pela terceira vez. E o laser a riscar os céus da Ajuda...

1988

Um ano sem festa foi como um sábado sem sol. E aí estávamos em Loures, uma mudança difícil mas com êxito, para terrenos de autarquia CDU. Preparava-se o XII Congresso e os tempos corriam difíceis, já o mostravam sinais nas exposições da cidade internacional. A par da reflexão que as realizações políticas mostravam, a Festa não esmorecia. Comemoravam-se os Descobrimentos. E, sinal de modernidade, entrava lá a nova realidade das rádios locais. E o vídeo.

1989

Vozes - algumas iriam calar-se submergidas pelos tempos - vieram dos países ainda socialistas dar brilho à Festa - «Vozes Búlgaras»; o «Quarteto Swing de Praga»; os «Rajkó», da Hungria; o «Pantomimen Ensemble», da RDSA; os «Everest», da URSS. Ao lado de outras vozes do mundo Birelli Lagrene, Billy Bragg, Paulinho da Viola. A VI Bienal voltava, homenageando desta vez Álvaro Perdigão. O trabalho da CDU nas autarquias era objecto de uma exposição de 80 painéis. E pensava-se já na Atalaia...

1990

Aqui, a verdadeira Festa foi possuir um terreno, comprado com o dinheiro dos militantes e dos amigos numa campanha de fundos que atingiu os 150 mil contos. Tudo era novidade e respirava-se, para além da apreensão que suscitavam os acontecimentos a Leste, um novo ímpeto, reflectido nos debates, nas exposições, na alegria que se viveu pela primeira vez na Atalaia.

1991

Se o terreno era novo, cada ano exigia mais novidades. Nova foi portanto a geografia, o Palco 25 de Abril recolocado e com maior potência de som, alamedas consolidadas, melhores espaços de convívio e de espectáculo. A curiosidade foi em grande parte para o espaço internacional, onde apareceu o pavilhão do PCUS, apesar de ilegalmente ilegalizado, e o do «Pravda», e mais 37 representações de partidos comunistas e progressistas do mundo. A VII Bienal foi acompanhada por um salão de convidados, com obras de destacados nomes das artes plásticas. Música, desporto com maior número de modalidades, espectáculos variados, artesanato, gastronomia tudo mais e melhor. E a Inforfesta inaugurou o seu espaço na Atalaia.

1992

É de novo ano de Congresso, e assim a Festa não deixou de o assinalar na sua exposição e nos seus debates. Maastricht também não passou ao lado, e corria um abaixo-assinado manifestando a oposição ao Tratado. A solidariedade internacionalista, sempre presente, reforçava-se com a participação de novos partidos comunistas formados a Leste. No desporto, Albertina Dias e Rosa Oliveira venciam a 5.ª Corrida da Festa. Na música, mais uma vez Sérgio Godinho. E Rui Veloso. E «Os Sitiados». E a Juventude em massa.

1993

Confirma-se a Festa do Avante! como grande festa da juventude portuguesa, que se viu não apenas nas actividades e no convívio do espaço da sua própria «Cidade» ou vibrando com os espectáculos, mas em todo o vasto espaço da Atalaia. A solidariedade internacionalista tem nomes próprios - Angola, Cuba, numa grande festa de internacionalismo. A Europa é tema de colóquio com participação de partidos comunistas europeus. Matisse «vem» pela mão das Mulheres, expor reproduções. A VIII Bienal mostra as obras de 150 artistas. Albertina Dias bisa a vitória na Corrida. Vence também Amílcar Duarte. Xutos & Pontapés, Teresa Maiuko, Mafalda Veiga, são alguns dos nomes portugueses na música. Do estrangeiros, numerosos grupos de artistas, da China a África. O Avanteatro teve as salas cheias.

1994

Carlos do Carmo abre a primeira noite com canções de Ary. Era o ano do 20.° aniversário do 25 de Abril. Uma exposição especial de artes plásticas com a participação de artistas portugueses e franceses, mostra-se na Festa a comemorar a data. Um aniversário que atravessou o fundamental das actividades e exposições desse ano. Dois livros se apresentam - «Acção Revolucionária, Capitulação e Aventura», de Álvaro Cunhal, e «Subsídios para a História das Lutas e Movimentos de Mulheres em Portugal sob o Regime Fascista», da Organização das Mulheres Comunistas. Durante os três dias, 730 atletas participaram nas actividades desportivas. Música: o rap irrompe. Grupos portugueses e estrangeiros animam tardes e noites.

1995

Ano de eleições, ano de campanha para combater a direita e afastá-la do poder. Muita juventude, mais politizada que antes, invade a Atalaia. General D e os Karapinhas dão o tom. A Internet faz a sua aparição pela mão da JCP e são muitas as mensagens por Timor enviadas para a rede que cruza o mundo. A IX Bienal dá um grande salto qualitativo e o teatro atrai numeroso público. Abrunhosa faz vibrar todas a gente. Vieram também Fausto. E Jorge Palma. E Mísia. E muitos mais.

1996

É a vigésima Festa, em ano de aniversários - o 75.° do Partido, o 65.° do Avante!. Em ano de Congresso, também, marcado para Dezembro, e que se realizou no Porto. Uma Campanha de Adesão ao PCP continua ali mesmo na Atalaia e os grandes ideais e valores por que lutam os comunistas dominam as exposições, as lutas que os empenham dominam os colóquios e os debates. Uma valiosa exposição de sessenta fotografias de Sebastião Salgado, sobre o tema do «Trabalho» é um grande sucesso da festa e o fotógrafo visita-a e convive com milhares de amigos. Espectáculos? O estrondoso êxito da apresentação da Orquestra Metropolitana de Lisboa que interpreta Tchaikovsky perante uma multidão entusiasmada. E veio a música de New Orleans. Ainda dos EUA vieram os Open House. E da Argentina a voz de Marisa Santos.

1997

Depois da vigésima edição, que novidades? Muito se repetiu o ano passado, veio de novo, por exemplo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, conquistada a Festa pela música sinfónica. Mais uma vez a Atalaia se encheu de juventude. E houve exposições, comício, debates, o convívio, a solidariedade, os petiscos a trazerem os sabores de todo o país para o grande recinto. As novidades estiveram desta vez em novas localizações dos pavilhões, no ordenamento novo do terreno. O Auditório 1.° de Maio desloca-se para a zona ribeirinha, a Festa chega-se à água. Ano de Bienal, a sua X edição inclui uma exposição de Rogério Amaral, recentemente falecido. Na política, avultam as comemorações do 80.° aniversário da Revolução de Outubro. E as eleições autárquicas marcadas para final do ano suscitam uma Campanha de Fundos que o PCP ali mesmo lança e que vai concluir-se com êxito. Na memória de todos fica a noite de sábado, com a actuação de Sérgio Godinho no Palco 25 de Abril.

1998

Música, teatro, artesanato, debates, exposições, desporto, gastronomia... O País e o mundo reunidos na Quinta da Atalaia durante três dias – é a Festa do Avante! no seu 23.º ano. Em destaque, nesta edição, no magnífico Espaço Central, «Os 150 Anos do Manifesto Comunista», «Um Partido Mais Forte, Novo Rumo para Portugal – O Projecto e as Propostas do Partido», «A Política de Direita do Governo PS e a Luta dos Trabalhadores, « Os Referendos», «As Eleições para o Parlamento Europeu e Assembleia da República», as «Comemorações dos 25 Anos do 25 de Abril» e «A Imprensa Partidária».
A nível cultural, a exposição do arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, organizada pelo próprio e especialmente concebida para a Festa do Avante!, é uma novidade.
Num ano em que se comemorou o centenário do nascimento de Federico Garcia Lorca e de Bertold Brecht, o Avanteatro apresenta duas peças destes autores, levadas à cena pelo Teatro de Papel das Beiras.

1999

O terreno está diferente. Há novos espaços e equipamentos e o projecto de concepção promete uma Festa como nunca se viu na Atalaia. Das artes à actualidade política, o visitante encontra no Espaço Central um conjunto diversificado de propostas de grande interesse, nomeadamente uma exposição de Eduardo Gaigeiro com 25 fotografias do 25 de Abril, acompanhadas de texto de 25 escritores e poetas portugueses que deram palavras às imagens dos principais momentos do período revolucionário.
Porque a Festa também é arte, a XI edição da Bienal de Artes Plásticas apresentou ao público o melhor que se tem produzido em Portugal nos últimos anos das diferentes modalidades, técnicas e expressões estéticas das artes plásticas, incluindo ainda deste vez as áreas da arquitectura e do design.

2000

«Se a vida são dois dias... a Festa do Avante! são três dias de convívio, alegria, encontro, música, desporto, debate, de propostas do PCP, de Festa, que quando termina... prometemos continuar». Este é o lema da 24.ª edição da Festa, que, neste ano, vê reforçados e melhorados os sanitários, cria-se mais sombras e mais bancos, melhorara-se os acampamentos.
Numa época em que uma competição se impõe na sociedade, laureando vencedores e marginalizando vendidos, este ano a Festa contrapõe um vasto e competente programa desportivo assente nos princípios de solidariedade, confraternização e amizade.
O Espaço da JCP cresceu, entretanto. E lá dentro coube um mundo: as exposições, os espectáculos de música, os bares, a 2.ª Mostra de Curtas Metragens, a declamação de poesia, os sketchs de teatro e a banca de materiais.
Para a memória fica ainda o «Julgamento do Chico do Cachené», um espectáculo com base na história de um boneco acusado de viver à custa de uma mulher, de autoria de Linhares Barbosa. Do juiz às testemunhas, as intervenções de todas as personagens são fados.

2001

Em 25 anos de história, a Festa do Avante! foi sempre um local de encontros. Da música aqui se exprimem, sempre, as mais variadas formas populares de cantar em português. De Portugal, do Brasil e de África. E músicas de outros mundos também. Martinho da Vila, Sérgio Godinho, Zeca Baleiro, Jorge Palma, Marisa Santo, são apenas alguns dos nomes que preencheram a programação dos três dias de Festa.
Noutra área, em homenagem a Bento Jesus Caraça, a exposição de Ciência e Tecnologia é sobre astronomia, numa colaboração com o Museu da Ciência e a Associação Aquila. Naquele espaço, são apresentadas experiências interactivas e observações do céu diurnas e nocturnas com telescópios. Para interesse de todos, estiveram expostos modelos do Sputnik e do programa Apolo, comida e pasta de dentes usadas nas naves, autógrafos de astronautas e outros projectos relacionados com esta ciência. Iniciativa incontornável no panorama artístico nacional, em destaque esteve também a Bienal de Artes Plásticas, onde concorreram cerca de 200 trabalhos de mais de 100 autores.

2002

A Festa do Avante! é fruto da convergência, da soma, das ideias, das vontades e do trabalho voluntário de milhares de militantes e amigos do PCP. Neste ano o internacionalismo esteve em evidência na Atalaia. A guerra, o militarismo, as medidas repressivas pós 11 de Setembro, o papel da guerra na brutal ofensiva imperialista e a geração de luta pela paz em Portugal são os temas centrais, e em debate, no Espaço Internacional. Ali, junto à entrada da Quinta da Princesa, havia um momento dedicado à luta do heróico povo palestiniano. Realizou-se ainda uma campanha de recolha de fundos que dava a possibilidade aos visitantes da Festa da materialização do seu apoio, através de aquisição de um lenço palestiniano em miniatura.
Realizaram-se também uma série de iniciativas destinadas a pôr em destaque a fotografia, como meio técnico de expressão e documentação, visuais e artísticas, determinante para a nossa memória histórica e pessoal, bem como instrumento de acção e transformação das realidades política, cultural e artística.
Foi, à semelhança dos anteriores, um ano de grandes espectáculos musicais. Durante a Festa, artistas como Gabriel, O Pensador, João Afonso, Paulo de Carvalho, Camané, Jussara Silveira, preencheram a programação do Palco 25 de Abril e do 1.º de Maio, interrompida antecipadamente pela forte chuva que caiu no domingo. Demonstrando todo o seu espírito combativo e criativo, os comunistas levaram a sua Festa até ao fim, realizando o comício de encerramento num transbordante auditório 1.º de Maio. «Chuva fascista não molha comunista», cantaram os jovens militantes.

2003

Os problemas sociais do nosso País agudizam-se. Denunciar a política de direita, contrária aos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo, e afirmar a alternativa que o projecto do PCP constitui foi um dos grandes temas do Espaço Central na 26.ª edição da Festa do Avante!. Este foi, aliás, o tema da exposição política que, através do texto, da fotografia e do vídeo, se deu a conhecer as lutas da resistência contra esta política, bem como a acção e as propostas dos comunistas.
Nesta edição, e uma vez mais, a realização da Bienal de Artes Plásticas da Festa do Avante! afirmou-se como um grande espaço de encontro e convívio entre arte, artistas e público; De liberdade no confronto de abordagens estéticas e disciplinas diversas; Espaço diferente porque é visitado por um público diferente - curioso, fascinado, aberto.
Este foi também um ano de surpresas. Um sonho de vários anos concretizado. O Palco 25 de Abril é equipado com dois écrans laterais, de grandes dimensões, que apresentam imagens de vídeo captadas e emitidas em tempo real dos espectáculos ali a decorrer.

2004

Porque a inovação é característica deste espaço, a Festa contou com mais uma iniciativa inédita na área das tecnologias. O nome é KOMUNIX. O objectivo é dar expressão a um debate, reflexão e intervenção na área da utilização e democratização do acesso às novas tecnologias, nomeadamente as questões relacionadas com a propriedade do software.
Para recordar o grande mestre da guitarra portuguesa, Carlos Paredes, falecido nesse ano, a Festa abriu a sua programação, no Palco 25 de Abril, com um espectáculo em sua homenagem.
Outro dos homenageados foi Ary dos Santos. Para assinalar a sua morte e as comemorações do 30.º aniversário do 25 de Abril, o PCP e as Edições Avante! apresentaram, na Festa, um DVD, com depoimentos de amigos e imagens históricas de Ary a declarar os seus poemas.
Para lá dos palcos, que apresentam aquilo que de melhor se vai fazendo no nosso País e no mundo, a animação andou pelas ruas e avenidas da Atalaia com a realização do 3.º Encontro Internacional «Tocá Rufar» de percussão, que contou com a presença de grupos de música, representação e dança de vários países europeus e do Norte de África.

2005

Quando os portões da Atalaia se abrem observa-se que na enorme torrente humana que invade este belo espaço estão milhares e milhares de jovens. Sob o lema «Transformar o Sonho em Vida», o Espaço da Juventude, concebido, construído, dirigido e mantido em funcionamento exclusivamente pela JCP é o espaço por excelência de encontro dos jovens na Festa.
Além dos concertos, teatro e demais expressões culturais, esta Festa, como não poderia deixar de ser, dá natural destaque às grandes causas do PCP, às grandes questões da actualidade, à luta dos trabalhadores e do povo português. Além das dezenas de debates que ocorrem nos mais diversos espaços da Festa, o Pavilhão Central é o espaço onde as atenções estiveram centradas, essencialmente nas questões políticas e sociais. Lá dentro, a evocação dos 60 anos da vitória sobre o nazi-fascismo foi alvo de uma exposição de importante valor histórico, didáctico e político com o título «Comemorar a Vitória, Lutar pela Paz». Havia ainda uma exposição sob o tema «CDU nas autarquias, um projecto diferente» que teve como objectivo dar a conhecer o projecto autárquico do PCP.
No tempo em que o Governo PS, num novo e violento ataque aos trabalhadores, impõe mais sacrifícios ao povo português, em nome da situação das contas públicas, havia ainda uma exposição intitulada «Basta de sacrifícios para os mesmos de sempre. Portugal precisa de uma nova política e de mudança a sério».
Infelizmente, foi a morte de Álvaro Cunhal que marcou esta edição. Além do comício de domingo, em que o revolucionário, o dirigente comunista, foi recordado, outros apontamentos surgiram por toda a Festa, mostrando-se a sua multifacetada e riquíssima experiência de vida. A morte do General Vasco Gonçalves também foi recordada.


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