Adeus, Independente!

Se não fosse o tão elevado número de funcionários, jornalistas ou não, que a queda do Independente arrasta, o seu fim passaria, provavelmente, ante a indiferença do mundo. Mas, pensando nos que ficaram sem trabalho, vimo-nos forçados a recuar no tempo e a pensar, também, naqueles e naquelas que trabalhavam em o diário e também foram, em boa parte, parar ao desemprego. Nessa altura, o Independente encontrou espaço para, pretendendo-se compreensivo das circunstâncias, nos lançar uma derradeira mas intensamente provocante saudação com um «Adeus, diário», que nunca esquecemos. O adeus que nos lançavam era a esperança de que o fim do belo jornal diário que os comunistas publicavam não passaria, afinal, de um princípio, o do fim do nosso combate e de tudo o que somos, continuamos e continuaremos a ser. Mas o Independente enganou-se. Apesar de termos tido de contemplar e ultrapassar o fim de o diário, a nossa luta prosseguiu numa conjuntura em que, agora, é o imperialismo que está a sofrer derrotas constantes tanto no campo da economia como no dos conflitos militares que a sua natureza agressiva provoca. Não estais a ver? O desmoronamento parece começar a anunciar-se.
Certamente, mesmo sem o Independente, não duvidamos de que a imprensa do capitalismo continuará a inglória batalha em que a vemos mergulhada, diariamente. Entretanto, com frequência se aponta a crise da imprensa. Mas é o capitalismo que está em crise. E o Independente, na fantasmagórica conjuntura que o envolveu, já nem merecia fazer parte da luta que os imperialistas desenvolvem para derrotar a crise. Talvez, até, seja possível que essa luta seja mais favorável aos que a travam, sem o Independente. A verdade é que o semanário que agora chegou ao fim dos seus dias, era uma amálgama de títulos sem significado, um jornal desinteressante, sem leitores, sem alma, sem ideal, sem patriotismo, sem capital. Não deixa saudades. Adeus, Independente! - Manoel de Lencastre


<em>Galp</em> «engorda» Amorim

Desde que entrou na Galp Energia, em Dezembro do ano passado, o grupo Amorim já facturou mais de 290 milhões de euros. Na distribuição de lucros pelos accionistas, a parte que fica para o grupo liderado por Américo Amorim poderá mesmo ascender a valores situados entre os 420 e os 680 milhões de euros. Depois de, em Dezembro, ter adquirido a parte que pertencia à EDP, o grupo Amorim terá já aprovado a compra, por 1,6 mil milhões de euros, da parte da REM.
Entretanto, números não oficiais, publicados pela imprensa, apontam para uma avaliação da Galp Energia – cuja privatização em Bolsa está prevista para final de Outubro, para cerca de 6,2 mil milhões.


57994 hectares ardidos em Portugal

Segundo um relatório da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, publicado anteontem, os incêndios já consumiram 57994 hectares em Portugal, uma área semelhante ao concelho de Leiria, sendo o distrito de Viana do Castelo o mais afectado.
Desde o primeiro dia do ano registaram-se 18 770 focos de incêndio, distribuídos por 2897 fogos e 15873 fogachos, que foram responsáveis por 57994 hectares de área ardida.
Do total de área ardida, 29 686 hectares foram consumidos em povoamentos e 28 308 em zonas de mato.
Entretanto, segunda-feira, os deputados portugueses reclamaram ao Parlamento Europeu a adopção de acções concretas a nível comunitário de modo a minimizar os efeitos dos incêndios florestais, que este ano voltaram a atingir Portugal.
Ilda Figueiredo, deputada do PCP, defendeu que «é tempo» de adoptar «medidas concretas», nomeadamente o reforço de meios financeiros e humanos, de modo a prevenir as catástrofes e compensar as vítimas.


Autarquia critica Ministério da Saúde

Carlos Humberto, presidente da Câmara do Barreiro, defendeu, na passada semana, que o hospital distrital não pode continuar em «acto de gestão corrente» e criticou o Ministério da Saúde por falta de respostas aos pedidos da autarquia comunista para uma nova administração.
«Este conselho de administração foi nomeado e o seu tempo já chegou ao fim. Está agora num acto de gestão corrente, o que não é aceitável para uma administração que gere um hospital com cerca de 220 mil utentes e que é dos principais empregadores da região», afirmou, à Lusa, Carlos Humberto.


Resumo da Semana