• Leandro Martins

30.ª Festa do Avante!
Festa de aniversários
Quando os membros dos organismos executivos do Comité Central do Partido, da JCP e da Direcção da Festa se dirigiram para a tribuna improvisada, como todos os anos na Praça da Paz., tiveram literalmente que furar por entre a multidão que ali se aglomerava para assistir à abertura da Festa e ao breve discurso do Secretário-geral. Jerónimo de Sousa demorou a travessia por entre os abraços dos militantes e dos amigos, grande parte deles construtores da Festa que tinha início – muitos deles, apesar da hora, ainda a dar últimos retoques – outros muitos já agarrados ao trabalho que não parou durante os três dias de alegria e fraterno convívio.
Só na construção da cidade de três dias que anima todos os anos o belo espaço da Atalaia, registaram-se mais de 7700 participações de trabalhadores voluntários, na sua maioria jovens. Essa participação foi realçada por Jerónimo de Sousa (ver discurso de abertura nestas páginas), sem contar os muitos milhares que a seguir mantiveram tudo a funcionar – restaurantes e bares, espectáculos com todo o apoio técnico e humano que estes exigem, exposições e debates, stands e serviços variados, cuidados médicos, segurança, limpeza, recepção aos visitantes. Toda uma vasta cidade a funcionar com qualidade que resiste a qualquer inspecção que a perseguição anticomunista queira impor em nome de leis cirurgicamente apontadas contra o PCP. Como se contabilizam as centenas de milhares de horas de trabalho voluntário oferecidas por militantes comunistas e por tanta gente que, não sendo comunista, há muito e cada vez mais vem dando à Festa do PCP esta valiosa contribuição que não tem preço e sem a qual era impossível erguer uma festa como esta?
A mesma dificuldade temos nós em descrever não apenas esse empenhamento como a alegria e a solidariedade que contém e que deixa sempre aos primeiros visitantes – é que todos os anos muitos milhares vêm à Festa pela primeira vez, demonstrando a boa saúde e o crescimento do PCP – e quem vem por bem uma vez não deixa de voltar e de trazer outros amigos também.
Foi uma festa particularmente viva e voltada para as questões do presente e para as batalhas futuras. Recolhendo do passado exemplos históricos, com eles nos animamos para os duros caminhos a percorrer e mostramos francamente a todos o nosso projecto de uma sociedade mais justa, livre e fraterna. Não escondemos que o PCP se bate por uma alternativa a esta política e que no horizonte que buscamos se perfila o socialismo e o comunismo.
Do passado recolhemos ensinamentos e não contemplações melancólicas e saudosistas. Por isso o passado foi tão significativo nesses três dias, pois foi a Festa dos aniversários. Do Partido, que comemora este ano o seu 85.º aniversário. Do nosso Jornal que fez anos também – 75 anos de um trabalho que teve momentos heróicos de resistência de que hoje procuramos ser dignos, dando voz ao Partido que é o nosso, chamando a primeiro plano as lutas dos trabalhadores, as batalhas dos comunistas nas instituições democráticas ameaçadas pela política de direita, dando notícias do mundo difícil onde os povos persistem no combate pela liberdade. E comemoramos o centenário do nascimento de um grande lutador pela liberdade e pela cultura portuguesas, personalidade reconhecida no mundo e tão pouco divulgada em Portugal. Um artista resistente, um comunista que fez da música uma arma de esclarecimento, de inteligência e de inovação criadora – Fernando Lopes Graça. Um outro artista, cujo percurso por si escolhido o levaria aos duros caminhos da clandestinidade – José Dias Coelho – foi também homenageado na nossa Festa. A partir de um aniversário trágico – o do seu assassinato pela PIDE, há 45 anos – recolhemos nós a lição da fraternidade que nos ensinou.
É difícil escrever sobre tudo o que aconteceu na Festa. Mas, uma vez mais, procuramos dar o testemunho colectivo de jornalistas ao serviço de uma causa que, por muito difícil que seja de cumprir, é uma causa ganhadora.


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