Editorial

Contra a ofensiva geral do Governo impõe-se o Protesto Geral dos trabalhadores

Protesto geral

«Não nos vamos fechar neste Centro de Trabalho», disse no sábado o Secretário-geral do Partido, por ocasião da inauguração do CT de Viana do Castelo, que reabria seis anos após o incêndio que o havia destruído. «Temos necessidade de organização, da reunião, da nossa discussão interna», lembrou. Mas, referiu ainda, «este Centro de Trabalho deve ter a porta aberta para a população, para os trabalhadores, já que o distrito apresenta problemas de fundo que precisam da contribuição dos comunistas.»
Estas palavras de Jerónimo de Sousa poderiam ser repetidas pelas centenas de CTs, por todo o País, tanto nas zonas mais difíceis e onde as organizações são menos fortes, como naquelas onde o Partido está fortemente implantado. Porque o «segredo» do reforço do PCP está precisamente na sua ligação às massas e aos seus problemas, na sua capacidade de proposta para a resolução de problemas como na sua capacidade de mobilização e organização dos trabalhadores. Todo o trabalho político do Partido está e deve estar virado para a realidade e para a luta pela transformação progressista do País e do mundo em que vivemos. Esse mesmo mundo que não é esquecido, como se prova pela sua actividade internacionalista que, neste número do nosso jornal, é ilustrada pela entrevista do Secretário-geral do PCP, no regresso da sua visita à Índia, e pelo prestígio que o Partido tem no movimento comunista internacional, a braços com a intensa ofensiva imperialista, e que permite aos comunistas portugueses organizarem um Encontro de partidos comunistas e operários de todo o mundo, com cerca de 50 participações já confirmadas.


«Para o prosseguimento do nosso trabalho político e de massas, é necessário que o reforço do Partido prossiga, colhendo os frutos das lutas que aí estão e avançando no recrutamento, continuando a realização de assembleias de organização aos vários níveis, persistindo nos contactos que trazem ao PCP a participação militante de camaradas há muito desligados, promovendo quadros jovens e integrando-os em tarefas de responsabilidade, recrutando novos militantes. Todo este processo, decidido com especial incidência neste ano de 2006,
em reunião do Comité Central, se vem desenvolvendo e, após o fim do Verão, deve ser relançado com novo vigor.
Isto porque há muitas e graves razões para fortalecer também a luta contra a política de direita e por uma alternativa democrática, luta em que os trabalhadores têm e terão um papel decisivo.
Há muitas e graves razões para fortalecer a luta, face ao agravamento da política conduzida pelo PS de Sócrates no Governo.
Embora as ilusões sobre as promessas eleitorais do PS se hajam desvanecido logo nos primeiros meses de governação socialista e os arrependidos do voto no PS tenham crescido desde então e manifestado o seu descontentamento com os resultados eleitorais posteriores – as autárquicas demonstraram logo que a «confiança» no PS era chão que já dera uvas e o PS mostrou-se dividido e enfraquecido nas presidenciais – a política de direita, com Sócrates na liderança, não apenas prosseguiu como se agravou. Apoiado no fundamental pelos partidos de direita e por um Presidente da República interessado nesse agravamento, representando um papel estimulante para o entendimento entre todos os que pretendem aprofundar essa política, as medidas contra os direitos conquistados vão de vento em popa.

«A recente proposta de alteração da Lei das Finanças Locais que o Governo apresentou, por exemplo, revela bem até onde o executivo de Sócrates pretende ir para colmatar financeiramente todos os buracos que encontra e que são o resultado da política económica que há décadas impera no País e que tem feito parte não só da recuperação capitalista que iniciou na década de 70 como da serviçal atitude face aos grandes da Europa, desenvolvida logo que a integração europeia limitou a soberania portuguesa.
O PS tem sido, aliás, pioneiro na recuperação, pela direita, de tudo quanto o capital perdeu com a Revolução de Abril. Entregando-se nos braços do imperialismo americano; enredando-se na dominação da União Europeia; destruindo a Reforma Agrária; vendendo as grandes empresas do Sector Público; legislando o retrocesso dos direitos dos trabalhadores. E, agora, acompanhado por todos quantos ajudou, avançando no desmantelamento da Administração Pública, na entrega aos privados da Segurança Social pública, na destruição da rede escolar, na privatização da saúde. O capital agradece. Os trabalhadores protestam e lutam.


«Logo após as anunciadas taxas limitadoras do acesso aos cuidados de saúde, logo após um ano escolar que revelou o encerramento de centenas de escolas, o Governo volta a atacar, estabelecendo como objectivo, nas Grandes Opções do Plano para o ano que vem, a revisão da protecção social para os trabalhadores da Administração Pública em vários domínios – na doença, na maternidade, paternidade e adopção e no desemprego e indo ao ponto de propor o aumento dos descontos para a ADSE. Nem os reformados escapam.
Perante a ofensiva que o Governo prossegue, desencadeando uma verdadeira vaga de retirada de direitos sociais e preparando, em conluio com os partidos da direita, a limitação e degradação dos direitos políticos de que são prova os entendimentos encapotados sobre as leis eleitorais, não há outro caminho senão a luta.
Na próxima quinta-feira, a luta atingirá um momento alto com a iniciativa nacional convocada pela CGTP-IN exigindo uma mudança de política.
Contra esta ofensiva geral, impõe-se o protesto geral de 12 de Outubro.


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