Editorial

«O PCP desempenha um papel singular na organização, na unidade e na luta dos trabalhadores»

O PARTIDO E A LUTA

A luta de massas e, de forma muito particular, a luta dos trabalhadores, constitui o mais sólido e poderoso instrumento do combate à política de direita e às suas consequências nefastas. Sabe-o o grande capital – único beneficiário dessa política; sabem-no os fiéis executantes dessa política que são os governos – o actual, do PS, e todos os que o antecederam, uns do PS outros do PSD, nos últimos trinta e dois anos.
Daí os esforços e as medidas tomadas ao longo dessas três décadas, e sempre intensificando-se, visando desmobilizar os trabalhadores, dividi-los, enfraquecer a sua luta. E para tentar alcançar esse objectivo, tem valido tudo, designadamente as ameaças, as represálias e a repressão nas empresas – através de práticas à margem das leis existentes e com a cumplicidade dos respectivos governos; a aprovação, pelos partidos da política de direita, de leis antilaborais concebidas segundo as directrizes dos grandes grupos económicos e financeiros; uma intensa ofensiva ideológica, autêntica lavagem colectiva de cérebros, produzida pelos pensadores ao serviço do grande capital e amplamente difundida pelos órgãos de comunicação social que são, coincidentemente, propriedade desse mesmo grande capital. E tudo isto é feito em tão frontal e ostensiva violação da Constituição da República Portuguesa que pode dizer-se, com rigor, que o grande capital e os seus governos da política de direita vivem e agem, há trinta e dois anos, fora da Lei Fundamental do País.

Tudo isto é feito, igualmente, em nome da «democracia», da «modernidade», do «interesse do País» - expressões que, de tão repetidas e difundidas, tendem, perigosamente, a entrar na linguagem corrente aceites como se de verdades se tratassem.
Na realidade, como a vida nos mostra todos os dias, para os beneficiários e executantes da política de direita, «interesse do país» significa, em primeiro lugar, o aumento constante dos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros – objectivo só possível de alcançar através da acentuação da exploração dos trabalhadores. E é esse o caminho que tem vindo a ser seguido pelo Governo Sócrates/PS: alterações à segurança social conduzindo nomeadamente ao aumento da idade da reforma e à diminuição do valor das reformas e pensões; aumento do custo de vida cada vez mais superior ao aumento dos salários; desemprego a crescer e protecção no desemprego a diminuir; precariedade do emprego a crescer num ritmo que ameaça a sua generalização total; ataque à administração pública, às funções do Estado e aos serviços públicos (com o encerramento de centros de saúde, maternidades, escolas) e uma alteração à lei das finanças locais que constitui um golpe brutal no poder local democrático; etc, etc, etc.
A todas estas medidas, chamam os patrões, os governantes e os seus propagandistas, «inevitabilidades» - ou seja, e traduzindo-os mais uma vez: medidas opostas aos interesses e direitos dos trabalhadores, do povo e do País, mas que são «inevitáveis» para garantir os lucros do grande capital.

Contrariamente aos esforços, aos desejos e aos interesses do grande capital e dos seus governos, a luta dos trabalhadores não parou nestas mais de três décadas. E continuou neste ano e meio de política de direita praticada pelo Governo PS/Sócrates – provavelmente o mais sintonizado de todos os governos pós-25 de Abril com os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros – desenvolvendo-se em praticamente todos os sectores de actividade - e de que a grandiosa manifestação dos professores, no passado dia 5, é o exemplo mais recente. Com êxitos e com inêxitos, como sempre acontece, mas com a certeza confirmada de que os resultados das lutas são tanto mais positivos quanto maior for a determinação, a confiança, a convicção e a unidade dos trabalhadores – e de que sem a luta nada será conseguido.
E a luta continua hoje, dia 12 de Outubro, com o «Protesto Geral» decidido pela CGTP-IN – um protesto geral que diz respeito a todos: trabalhadores da administração pública e do sector privado, desempregados e com emprego precário, reformados, jovens, populações; todos os que sofrem, todos os dias, as dificuldades do presente e vêem pesar sobre si as incertezas ameaçadoras do futuro; enfim, todos os que, porque trabalham e vivem do seu trabalho, são alvos preferenciais da política de direita e sentem na pele as suas consequências.

A situação decorrente da política de direita e da necessidade de a combater, coloca aos militantes comunistas exigências que passam pela sua intervenção activa na organização das lutas - como sempre aconteceu ao longo da história do Partido e como mais uma vez se confirmou com o contributo dado pelas organizações partidárias à preparação deste «Protesto Geral» - e pelo prosseguimento e intensificação da sua acção visando o reforço do Partido neste ano de 2006. Nesse sentido, a concretização das medidas e orientações definidas pelo XVII Congresso - e, posteriormente, sistematizadas pelo Comité Central – apresenta-se como uma tarefa de primordial importância a que há que dar a necessária continuidade.
Pela sua natureza de classe, pelo seu projecto, pelas suas características específicas – pelos seus 85 anos sempre com os trabalhadores, o povo e o País - o PCP desempenha um papel singular e decisivo na organização, na unidade e na luta dos trabalhadores, e o seu reforço é condição indispensável para o reforço dessa organização, dessa unidade e dessa luta.


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