Sábado, em Almada, na Academia Almadense, comício de solidariedade com os povos em luta
Entre amanhã e domingo, em Lisboa
Encontro Internacional <br>de Partidos Comunistas e Operários
Realiza-se em Lisboa, entre os dias 10 e 12 de Novembro, o Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários subordinado ao tema Perigos e potencialidades da situação internacional - A estratégia do imperialismo e a questão energética, a luta dos povos e a experiência da América Latina, a perspectiva do socialismo. Dezenas de partidos confirmaram a sua presença.
Estarão em Portugal, no próximo fim-de-semana, delegações de partidos comunistas e operários de todo o mundo. Dos participantes é possível destacar a presença de personalidades do movimento comunista internacional como Blade Nzimande, secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul, Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista Grego, ou Guenadi Ziuganov, presidente do Comité Central do Partido Comunista da Federação Russa.
Para além de outros secretários-gerais, estarão também presentes altos dirigentes de muitos outros partidos comunistas e operários, como é o caso de Fernando Esteñoz, membro do Secretariado do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e chefe do seu departamento internacional. O PCP estará representado por uma delegação constituída por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido, Albano Nunes, Ângelo Alves, Francisco Lopes, João Frazão, Jorge Cordeiro, Margarida Botelho e Vasco Cardoso, membros da Comissão Política, e por Manuela Bernardino, do Secretariado e responsável pela Secção Internacional. No encontro, a intervenção do PCP será assegurada por Manuela Bernardino.
O Encontro Internacional do qual o PCP será o partido anfitrião decorre na sequência de outros encontros semelhantes que desde 1998 se têm vindo a realizar na capital da Grécia, Atenas. Em nota do seu Gabinete de Imprensa do dia 2, o PCP revela os objectivos do encontro: intercâmbio de experiências e informações sobre a situação em cada país e a luta que aí se desenvolve; discussão de assuntos centrais da situação mundial e da luta dos trabalhadores e dos povos; consideração de iniciativas comuns dos partidos participantes; afirmação da solidariedade internacionalista, «especialmente com os povos que hoje desenvolvem corajosos processos de luta contra a exploração, a opressão e a guerra imperialistas».
Jerónimo de Sousa, no início aos trabalhos, fará uma saudação a todos os participantes no encontro. No sábado à noite, em Almada, o secretário-geral do PCP intervém num comício do Partido onde estarão presentes os delegados dos partidos participantes no encontro, e ainda outros partidos que têm representantes no nosso País. O comício terá como lema «85 anos de solidariedade com os povos em luta».
Em declarações ao Avante!, a responsável pela secção internacional do PCP lembrou que a história do PCP é uma história de «solidariedade recíproca». Durante a resistência ao fascismo, a «solidariedade para connosco foi muito forte e mesmo nesse período particularmente difícil da nossa história nunca deixámos de ser solidários também com os outros povos». Este comício será, também ele, um sinal de solidariedade com os partidos comunistas e outras forças progressistas, aproveitando a sua presença em Lisboa, afirmou a responsável pela Secção Internacional do PCP.

Destacar o que une

Entre os partidos que marcarão presença no encontro internacional há análises e perspectivas muito diversas face aos problemas com que os trabalhadores e os povos se confrontam. Mas para o PCP, mais importante do que as diferenças é potenciar aquilo que une os vários partidos. E une-os, avança Manuela Bernardino, «uma grande vontade de transformar o mundo e de lutar, no plano imediato, contra o imperialismo e contra os ataques aos direitos dos trabalhadores». Em sua opinião, isto «ultrapassa as diferenças que existem».
O próprio lema do encontro, consensualizado entre os diversos partidos, faz referência à perspectiva do socialismo. Para a dirigente do PCP, isto expressa um objectivo comum e o entendimento de que os grandes problemas com que a humanidade se confronta não poderão ser resolvidos no quadro do capitalismo e que apenas o socialismo constitui uma verdadeira alternativa.
À semelhança dos anteriores, para este encontro não se parte de nenhum documento-base de discussão, revelou Manuela Bernardino: «Cada partido traz para o debate os contributos da sua reflexão sobre os problemas», destacou, confiando na possibilidade de encontrar «linhas de acção comum a realizar nos tempos mais próximos», nomeadamente até à realização do próximo encontro.
O PCP, anunciou a dirigente, emitirá um comunicado à imprensa sobre os trabalhos do encontro, «procurando que seja consensualizado entre os partidos presentes».
Manuela Bernardino lembrou que qualquer partido pode pôr a circular tomadas de posição, que serão subscritas pelos partidos que assim o entendam. Esta é, lembrou, uma tradição destes encontros e o de Lisboa não será uma excepção.
A responsável pela Secção Internacional do PCP destacou ainda a importância deste encontro para a troca de opiniões a nível bilateral. Para o PCP, a acção multilateral é de «grande importância», mas é no plano bilateral «que nos podemos conhecer melhor e assim aprofundar relações com todos os partidos», destacou.

Os recursos energéticos em debate

A estratégia do imperialismo relativamente à energia será um dos temas em debate no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, que decorre este fim-de-semana em Lisboa. Para Manuela Bernardino, o controlo dos recursos energéticos do planeta, sobretudo do petróleo e do gás natural, é uma questão essencial para o imperialismo nos dias de hoje.
«Vivemos num período de esgotamento dos recursos energéticos, que são indispensáveis para a própria reprodução do capital», avançou a dirigente do Partido. Esta questão tem originado muito recentemente conflitos. A necessidade que o imperialismo sente em controlar os recursos energéticos, prosseguiu Manuela Bernardino, permite prever novos focos de tensão e conflito.
Para a responsável pela Secção Internacional do PCP, este é mais um factor a juntar ao «carácter agressivo do capitalismo que, num período de crise estrutural, necessita de recorrer a soluções de força para poder tentar ultrapassar o seu próprio fim».

A alternativa é o socialismo
Reforçar o esclarecimento


O ataque aos direitos dos trabalhadores é uma das componentes da agressividade do imperialismo, a par do militarismo e da guerra, denunciou Manuela Bernardino. Para a dirigente do PCP, isto é visível no plano mundial e também em Portugal, com a política do Governo do PS de defesa dos interesses dos grande capital nacional e das multinacionais. Os objectivos são claros: desregulamentar e flexibilizar o trabalho e reduzir o número de trabalhadores no quadro do sistema de produção capitalista.
O desemprego, que se agrava, conduz a situações de extrema miséria, em que milhões de seres humanos são colocados à margem do sistema, num momento em que «os avanços da ciência e da técnica permitiriam resolver os grandes problemas com que a humanidade se defronta», afirmou a responsável pela Secção Internacional do PCP.
Esta é, aliás, uma das grandes contradições do capitalismo: entre o grande desenvolvimento dos conhecimentos e a incapacidade para resolver os grandes problemas da humanidade, que não só persistem como se agravam. Contradição esta que se junta à outra, histórica, entre capital e trabalho, colocada desde sempre pelo movimento comunista e operário, esclarece.
Esta contradição, afirma Manuela Bernardino, põe ainda mais em evidência a tese dos comunistas dos «limites históricos do capitalismo».

Esclarecer e mobilizar

Para o PCP, a alternativa é a construção de uma nova sociedade, realçou Manuela Bernardino, lembrando que o encontro internacional também se debruçará sobre a perspectiva do socialismo. Mas há que ter em conta diversos factores, lembrou a dirigente do PCP. A ofensiva ideológica é muito forte e «coloca grandes dificuldades de compreensão acerca da necessidade e possibilidade dessa alternativa àqueles que são as principais vítimas destas políticas neoliberais».
Por isso, a responsável pela Secção Internacional do PCP entende que os partidos comunistas e operários têm que prosseguir com um «trabalho muito aturado de esclarecimento e organização para a luta, pois só assim os trabalhadores poderão tomar consciência do papel que têm na resolução dos problemas com que estão confrontados». No entender do PCP «só as massas poderão intervir para a construção da alternativa e de uma sociedade nova, sem exploradores nem explorados. Este é o objectivo do Partido, consagrado no seu programa».

Sábado, em Almada
Comício de solidariedade com os povos em luta


«PCP – 85 anos de solidariedade com os povos em luta» é o lema do comício internacional que os comunistas portugueses realizam no sábado à noite em Almada, na Academia Almadense. No comício, que começa às 21.30 horas, estarão presentes as delegações dos partidos participantes no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários. Para além do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tomarão da palavra ainda dirigentes dos partidos comunistas da África do Sul, Cuba, Grécia, Líbano e Federação Russa.


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