• Luís Gomes

«Seremos nós a impor a mudança»
Contra as políticas de direita
O povo saiu à rua
Apesar do temporal que assolou o País, dezenas de milhar de trabalhadores deram mostras de uma enorme combatividade ao fazerem da manifestação da CGTP-IN, de sábado, em Lisboa e mais 20 cidades, uma forte jornada «Pela mudança de políticas».
Trabalhadores de todas as áreas de actividade do sector público e privado, estudantes, utentes dos serviços públicos, pensionistas e população em geral dos distritos de Lisboa e Setúbal exigiram, em desfile desde o Cais do Sodré ao Rossio, uma mudança que tire Portugal e os trabalhadores do atraso agravado pelas políticas de direita do Governo PS.
O secretário-geral da central, Manuel Carvalho da Silva, começou por saudar todos os participantes nas manifestações que decorreram, à mesma hora, em 21 cidades.
Os participantes aplaudiram de forma efusiva quando o dirigente da central afirmou, terminando a sua intervenção, que «seremos nós a impor a mudança de que o País precisa» e que «a nossa luta acabará por vencer».
Quando terminava o seu discurso, perante uma moldura humana que compunha mais de meia Praça do Rossio, ainda afluíam ao local largas centenas de trabalhadores.
A acção culminou com uma forte e estridente vaia, contra as políticas de direita e o Governo PS.

Mudar de políticas

Após a marcante jornada de 12 de Outubro, os trabalhadores voltaram a manifestar o seu descontentamento com as políticas do Governo, «que não levam o País para um rumo de mais justiça social», salientou Carvalho da Silva, recordando «a violação diária dos direitos de centenas de milhar de trabalhadores».
A CGTP-IN considera fundamental a intensificação da luta pela contratação colectiva. O combate à economia clandestina foi também considerado uma prioridade.
Carvalho da Silva salientou que não está terminada a luta pela Segurança Social e apelou à mobilização em defesa de serviços públicos de qualidade e do Serviço Nacional de Saúde.
Na Educação, o Governo foi acusado de fazer um discurso contraditório com as políticas que desenvolve, exclusivamente orientadas para a redução de gastos e não para combater o insucesso escolar.
O próximo ano será «decisivo» para uma efectiva valorização do salário mínimo nacional. A central pretende que ele chegue aos 500 euros, em 2010.
As políticas desenvolvidas pelo Governo primam por uma lógica que «favorece a acumulação da riqueza dos que já são muito ricos», acusou o dirigente.

Esclarecer e unir

No fim da acção, em Lisboa, foram aprovadas, por unanimidade e aclamação, duas moções, igualmente aprovadas e aplaudidas nas restantes cidades.
Na moção político-sindical, os trabalhadores assumiram que vão «intensificar a informação e o esclarecimento» em todos os sectores e regiões, ruas e locais de trabalho, «denunciar o discurso falso e enganoso do Governo, evidenciar as injustiças e violências da acção patronal e das políticas do executivo, afirmar a força das suas reivindicações e «unir esforços para acções cada vez mais convergentes».
Porque consideram que «o futuro do País não pode continuar a ser hipotecado», vão continuar a bater-se «pelos direitos, o progresso social e o desenvolvimento», conscientes de que «o prosseguimento e a intensificação da luta é o caminho seguro para obter resultados».
Os trabalhadores assumiram a defesa da Segurança Social pública, universal e solidária, sem que haja redução do valor das pensões ou aumento da idade de reforma.
A redução das desigualdades através de políticas sociais que promovam uma nova política de saúde baseada no Serviço Nacional de Saúde e previnam a pobreza e a exclusão social; a valorização do sistema público de Educação através de medidas que contribuam para a sua democratização e a dignificação da função escolar; a defesa de uma Administração Pública eficaz, com o emprego público dignificado e serviços públicos de qualidade; a exigência de políticas de promoção do emprego e trabalho com direitos e a melhoria dos salários e pensões, «contra o insuportável aumento do custo de vida» completam o conjunto das reivindicações centrais constantes na moção.
Em defesa da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, a segunda moção apela para que seja feito um debate esclarecedor até ao referendo, reclama a superação das deficiências respeitantes ao planeamento familiar, a introdução da educação sexual nas escolas e a protecção das Leis de protecção da maternidade e paternidade. A CGTP-IN apela ao empenho de todos para a vitória do Sim, no referendo.


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