Socialistas passam a terceira força na Holanda
Legislativas na Holanda
Esquerda sobe
A batalha contra a «constituição europeia» deixou marcas profundas no eleitorado holandês que, nas legislativas da semana passada, penalizou o centro-direita e reforçou a esquerda socialista que se destacou na campanha pelo «Não» à constituição europeia.
O ascenso do Partido Socialista (SP) e a queda cristãos-democratas e dos sociais-democratas foram as consequências mais relevantes das eleições legislativas, realizadas na quarta-feira, 22, na Holanda.
À frente no escrutínio colocou-se o partido Apelo Cristão-Democrático (CDA), do primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, com 26 por cento e 41 lugares. Embora tenha celebrado a vitória, Balkenende perdeu três deputados em relação a 2003 e ficou sem possibilidade de renovar a coligação governativa com os liberais de direita do VVD, que sofreram um desastre eleitoral perdendo seis deputados dos 28 que tinham. Juntos ficam agora aquém da maioria parlamentar de 76 deputados.
Igualmente perdedor saiu o Partido Trabalhista, de Wouter Bos (PvdA), que sofreu uma sangria de 10 deputados, ficando reduzido a 32 lugares e 21,2 por cento dos votos.

SP triplica votação

Em sentido inverso, o Partido Socialista (SP) registou uma espectacular subida eleitoral, ao conquistar 17 novos deputados e recolher, pela primeira vez, 16,6 por cento dos votos, ou seja, quase o triplo da votação de 2003, quando obteve 6,3 por cento dos sufrágios e nove assentos parlamentares.
O SP, que em 1994 apenas contava com 1,3 por cento dos votos e dois deputados, tem evoluído de forma consistente na última década. Em 1998, já com 3,5 por cento dos sufrágios, elegeu cinco deputados. Dois anos depois, registou nova progressão eleitoral atingindo 5,9 por cento e nove deputados.
Contudo, é na batalha pelo «Não» à constituição europeia que os socialistas holandeses conseguem furar o isolamento mediático e afirmar as suas posições anticapitalistas e antifederalistas entre as amplas camadas da população descontentes com as políticas liberais. A vitória expressiva do «Não», com 61 por cento, em 1 de Junho de 2005, foi o primeiro sinal claro de que algo tinha mudado no reino da Holanda.
Nas presentes legislativas, que registaram um elevado índice de participação (81%), o SP viu confirmada a sua crescente influência, ultrapassando os liberais do VVD e tornando-se simplesmente na terceira força política da Holanda. «Este 22 de Novembro é um dia histórico para o Partido Socialista e para a Holanda. Os que crêem na solidariedade impuseram-se aos partidos do mercado livre», afirmou o líder dos socialistas, Jan Marijnissen, na noite das eleições.
O futuro parlamento contará igualmente com a estreia dos dois deputados eleitos pelo partido de defesa dos direitos dos animais (PvdD), bem como com os nove representantes da extrema-direita xenófoba reunida no Partido para Segurança e Liberdade (PVV) de Geert Wilders, o deputado populista que propôs a proibição do véu islâmico no país.
Dado que a anterior coligação entre cristãos-democratas e liberais perdeu a maioria de que dispunha e que um eventual entendimento entre os primeiros e os sociais- democratas do PvdA também não assegura suficiente apoio parlamentar, a formação do próximo governo necessitará da participação de pelo menos três partidos. As negociações já começaram.


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