Quem trabalha nas minas sabe que a luta vale a pena
Conquistado prémio na Sominco
Mineiros animados para lutar
A eleição dos dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira coincidiu com a luta, na Somincor, em defesa do Dia de Santa Bárbara, e demonstrou ânimo para outros combates em curso.
Os corpos gerentes do STIM/CGTP-IN, que cumprem mandato até 2010, foram eleitos no dia 27 de Novembro e tomaram posse no dia 30, em Aljustrel. Integrando trabalhadores das minas da Panasqueira (Beralt), de Aljustrel (Pirites Alentejanas) e de Neves Corvo (Somincor), a direcção do sindicato realizou, após a posse, a sua primeira reunião, no final da qual divulgou um balanço da situação nas empresas.
É destacado, na nota que a direcção do STIM enviou à comunicação social, o facto de os trabalhadores da Somincor terem alcançado da administração, na semana passada, um prémio extraordinário, equivalente a um mês de salário, enquanto mantêm a reivindicação de um aumento salarial mínimo de cem euros, em 2007, face aos lucros obtidos pela empresa.
A poucos dias do tradicional dia da padroeira dos mineiros, Santa Bárbara, celebrado a 4 de Dezembro, e sem nada ter dito sobre o assunto numa reunião que teve com os representantes sindicais, a administração da Somincor fez saber que não iria permitir a habitual paragem da actividade, durante a qual, em anos anteriores, «tem aproveitado para fazer a sua «festa» em «honra» dos resultados obtidos e dos «missionários» dos mesmos, os trabalhadores» – como se recorda num comunicado do sindicato, distribuído a 23 de Novembro.
Dando voz ao descontentamento dos mineiros, o STIM notava que, sendo este ano os resultados «substancialmente maiores», a administração decidiu retirar a folga tradicional, depois de, desde Julho, deixar de pagar o «prémio de produção».
As diligências do sindicato levaram a que a administração da Somincor antecipasse uma reunião com os representantes dos mineiros, para dia 27 de Novembro, na qual manteve a posição, quanto ao Dia de Santa Bárbara. Na mesma reunião anunciou a decisão de «atribuir, desde já, a todos os trabalhadores da empresa, um prémio correspondente a cem por cento do respectivo salário-base mensal», com «natureza extraordinária», pelo que não afecta a aplicação de outros prémios em vigor».
Para 13 de Dezembro, está agendada nova reunião, na qual a administração deverá responder às reivindicações salariais e outras. O sindicato marcou plenários de trabalhadores para os dias 20 e 22, apelando a que se mantenha «a disponibilidade de mobilização» face às posições que a administração venha a anunciar.
Um plenário, ainda em Dezembro, terá lugar igualmente nas minas da Panasqueira, com o objectivo de aprovar as reivindicações para 2007.
Nas Pirites Alentejanas, onde «uma longa luta, pela retoma da extracção, comprovou que vale a pena lutar», os trabalhadores reclamam uma actualização salarial justa e opõem-se à alteração unilateral dos horários, que a administração pretende impor.
Nas minas de sal de Loulé, o sindicato aguarda a marcação de uma reunião, que a administração prometeu realizar até final do ano, e na qual os trabalhadores esperam obter respostas quanto à unificação de regalias, face às que vigoram no Grupo CUF, e quanto a um aumento salarial intercalar.
A nível de todo o sector, a nota sindical refere que vão iniciar-se as negociações do Contrato Colectivo, cuja evolução será analisada pela direcção do STIM na sua próxima reunião, a realizar na Panasqueira, dia 19 de Janeiro.

O urânio mata

Quatro dezenas de antigos trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio manifestaram-se, segunda-feira, 4 de Dezembro, pelas ruas de Viseu, exigindo ao Governo uma resposta rápida às suas reivindicações, noticiou a agência Lusa. Reclamam, designadamente, ser submetidos a exames médicos periódicos, ter benefícios na idade da reforma e garantir indemnizações às famílias dos camaradas que morreram com cancro.
Munidos de cartazes com inscrições como «Pela justiça - familiares morrem de cancro» e «A morte não tem preço - Senhores deputados do PS cumpram as promessas», e com máscaras colocadas na cara, os trabalhadores entregaram um dossier na Segurança Social e no Governo Civil.
Um decreto-lei de 1995 definiu um regime especial de acesso às pensões de invalidez e velhice para os trabalhadores do interior das minas. Em Dezembro de 2004, o Governo alargou este regime a todos os que ainda exerciam funções em 2001. Como «toda a gente esteve exposta à radioactividade», devem ser abrangidos todos os trabalhadores, inclusive aqueles que deixaram a empresa antes de 2001, explicou um porta-voz dos trabalhadores.
A ENU, sediada na Urgeiriça (Nelas), deteve desde 1977 a exploração de urânio em Portugal (com minas nos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco) e encerrou no final de 2004, após um processo de liquidação, iniciado em Março de 2001.


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