Editorial

«No próximo domingo, o voto é a arma principal de que dispõem os trabalhadores»

É PRECISO VOTAR SIM

A três dias do referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, poderá pensar-se que estão todos os dados lançados e que, para cada um de nós, nada (ou quase nada) há já a fazer no sentido de contribuir para a vitória do Sim no próximo domingo. A realidade é, contudo, bem diferente: nestes três dias que nos separam da realização do referendo é muito o que é possível e necessário fazer. E, nesse sentido, a cada um de nós, individualmente, e a todos nós, colectivamente, coloca-se-nos uma importantíssima tarefa: a de, precisamente até ao encerramento das urnas, darmos o nosso contributo para que nem um só defensor da despenalização deixe de cumprir o seu dever, para que todos os partidários do Sim vão votar. Aos indecisos, particularmente àqueles cuja indecisão reside não no sentido do voto, mas em ir ou não ir votar – indecisão que decorre de se sentirem enojados e ofendidos pela campanha terrorista, sem princípios, abjecta conduzida pelos adversários – é indispensável fazer ver não apenas que o seu voto é imprescindível mas também que votar – votar Sim – é a melhor resposta que pode ser dada a essa campanha sem escrúpulos nem vergonha.
E isso exige-nos o esforço de, até ao fim da tarde de domingo, contactarmos todos os amigos, familiares, colegas de trabalho, vizinhos, no sentido de estimularmos a sua participação na jornada de luta que é o referendo.

Porque é disso que se trata: de uma jornada de luta que, apesar de assumir uma forma diferente das lutas que travamos todos os dias, visa os mesmos objectivos e é parte integrante dessas lutas. Com efeito, no dia 11, votar Sim é lutar, é dar continuidade às lutas que temos vindo a levar a cabo em defesa dos interesses dos trabalhadores, contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda; é dar continuidade às lutas pelo emprego e contra a precariedade; pelo trabalho com direitos e contra as leis anti-laborais da política de direita; por salários dignos e contra a crescente baixa dos salários reais; pelo direito à saúde e à educação e contra o encerramento de postos médicos, maternidades e escolas; pela justiça social e contra a injustiça que aumenta todos os dias o já enorme fosso entre ricos e pobres; pela independência e soberania nacionais e contra a política de subserviência aos ditames do grande capital nacional e estrangeiro.
Assim, a participação na batalha do dia 11 – votando Sim – é, não apenas mais uma etapa dessa luta fundamental na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, mas também um contributo indispensável para criar melhores condições para que essa luta prossiga, mais forte e mais participada, no futuro imediato. No próximo dia 11, o voto é a arma principal de que dispõem os trabalhadores e o povo, uma arma que é necessário saber utilizar eficazmente – acorrendo massivamente às assembleias de voto e votando Sim.

Nestes últimos três dias colocam-se-nos, ainda, duas outras direcções de trabalho. Uma delas é, naturalmente, o prosseguimento da acção esclarecedora, insistindo nomeadamente em que: o que está em causa não é estar a favor ou contra o aborto mas sim se as dezenas de milhares de mulheres que a ele recorrem todos os anos devem ser criminalizadas, humilhadas e ofendidas por isso – ou seja, a despenalização da IVG (e não a sua liberalização, como eles dizem sabendo que estão a mentir); o que está em causa é a opção entre despenalizar o aborto criando condições para que as mulheres que, no cumprimento da lei a aprovar, a ele recorram, o façam com a necessária assistência médica - ou a perseguição, julgamento e prisão dessas mesmas mulheres que a ele recorrem sem as condições mínimas exigidas, como actualmente acontece; o que está em causa é votar Sim acabando com o aborto clandestino, ou votar Não para que ele continue.
Outra questão a ter em conta, esta dizendo respeito directamente aos camaradas e amigos que fiscalizam o acto eleitoral e procedem à contagem dos votos, é a da vigilância que impeça chapeladas e outros golpes da mesma família – matéria em que muitos defensores do Não são especialistas.

Não é preciso qualquer sondagem de opinião para saber que, entre os homens, as mulheres e os jovens que no domingo irão votar Sim, marcarão presença determinante os que ao longo dos tempos têm vindo a participar activamente nas sucessivas lutas contra a política de direita e as suas consequências; os que ao longo dos anos se bateram para que a Assembleia da República, utilizando um direito que lhe assiste, aprovasse a necessária lei de despenalização – objectivo que só não foi alcançado pela oposição do PS o qual, em serviço combinado com o BE, remeteu a questão para este referendo que, insista-se, era desnecessário.
Toda a gente sabe, igualmente, que entre os que estão à frente da campanha pelo Não está tudo o que de mais reaccionário e retrógrado existe no nosso País – gente que, na base da manipulação de consciências, do desrespeito pela inteligência e pela sensibilidade das pessoas, de um vale-tudo sem fronteiras nem margens (e contando com os poderosos apoios da generalidade da comunicação social dominante e da Igreja), tenta empurrar os mais desprevenidos e os menos informados a para um voto contra os seus próprios interesses convencidos do contrário – e certamente logrará empurrar muitos e muitos para essa armadilha.
Por isso, é preciso que todos vamos votar Sim.


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