• Pedro Campos

Maravilhas do império
O ano passado terminou mal para «Tory» Blair e este ano não começa melhor. Em Dezembro de 2006, Rowan Williams, arcebispo de Canterbury e chefe da Igreja Anglicana, atacou ferozmente a política do primeiro-ministro britânico no Iraque, ao denunciar que afecta negativamente as comunidades cristãs que vivem nesse país. Num artigo publicado no Times – vai ser difícil que Downing Street possa acusar esta publicação ou o arcebispo de terroristas – disse que «a ignorância» e a «miopia política» de Blair e de Bush, ao agredirem o Iraque, não tiveram em conta que os cristãos «seriam vistos como partidários da cruzada de Ocidente». O arcebispo foi mesmo mais longe. Para ele a situação da comunidade cristã no Iraque piorou desde o derrubamento de Saddam Hussein.
Neste momento, a agressão imperialista contra o Iraque, que sempre contou com a oposição da maioria do povo britânico, já custou a vida a mais de 120 soldados de «sua majestade», e já forçou Blair a admitir a possibilidade de uma saída das suas tropas antes da Primavera de este ano. Isto pode realmente suceder, até porque as críticas lhe chovem desde os níveis mais altos do Estado Maior.
Assim se fechou o ano, mas 2007 abriu igualmente feio para o principal aliado de Bush, que tudo indica deixará de ser hóspede de Downing Street antes do tempo regulamentar. Um escândalo de venda de títulos nobiliários sacode o abalado prestígio de Blair, pelo que acaba de ser interrogado, pela segunda vez, pela Scotland Yard sobre uma série de denúncias de que, a troco de doações milionárias, terá distribuído títulos honoríficos. Uma sua assessora, Ruth Turner, já está na mira da polícia, e igual sucede com Lord Levy, principal angariador de fundos para o partido de Blair e membro da Câmara dos Lordes, que já deu entrada na prisão por duas vezes. No total, o escândalo já levou à detenção de quatro pessoas e noventa, entre elas Blair, já foram interrogadas pela polícia. Nunca tal tinha sucedido a um primeiro-ministro e esta é uma «pérola» mais no seu curriculum...

EUA: aprender pelo caminho mais duro

Passada a euforia patrioteira dos primeiros dias e depois de mais de três mil soldados mortos, a opinião pública dos Estados Unidos, constantemente intoxicada pelos meios de comunicação, começa a ver um erro na agressão imperialista contra o Iraque. Segundo uma sondagem revelada pela CBS News, a maioria dos estadunidenses duvida que Bush possa ganhar a guerra e seis em cada dez consideram que a guerra foi um erro. Oitenta e cinco por cento dos entrevistados definem o que está a suceder como uma «guerra civil» e só um quarto dos inquiridos – o número mais baixo de sempre – aprova a gestão de Bush. Por outro lado, menos de dez por cento da população espera um triunfo. Esta não é a única sondagem com resultados iguais ou muito semelhantes e não deixa de ser interessante frisar, como o fazem já alguns meios de comunicação, que estes números se parecem bastantes aos correspondentes à guerra do Vietname, quando só sete por cento dos norte-americanos achavam possível uma vitória. Já sabemos o que se passou.
Entretanto, Bush parece estar no bom caminho para ganhar o título de «pior presidente dos Estados Unidos». A discussão está a decorrer nalgumas páginas muito simbólicas, entre elas as do Washington Post. Eric Foner, professor de História da Universidade de Columbia, aponta que «durante os seus primeiros seis anos no cargo (Bush) conseguiu combinar as faltas de liderança, políticas mal geridas e abuso de poder dos seus antecessores. Acho que não há alternativa a classificá-lo como o pior presidente na história dos Estados Unidos». O também historiador Sena Wilentz (Universidade de Princeton,) conclui, na revista Rolling Stones, que Bush «parece estar a caminho de uma desgraça histórica colossal».


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