• Ângelo Alves

A cimeira da NATO reafirma o papel desta organização na concertação de classe imperialista
Lutar vale a pena!
Durante as duas últimas semanas as atenções no nosso país estiveram centradas na batalha pela despenalização da IVG. Seguem-se agora outros grandes desafios e lutas não menos importantes e igualmente longas. Alguns acontecimentos das últimas semanas elucidam-nos sobre os desafios que estão colocados aqueles que prosseguem a luta pela paz, contra o imperialismo e a guerra:

África, o continente que até 2010 será, segundo dados da indústria petrolífera, responsável por 30% do aumento da produção mundial de hidrocarbonetos e que terá do ponto de vista energético uma importância crescente. A China investe fortemente no continente africano, quer reforçando as trocas comerciais quer investindo no apoio ao desenvolvimento, com o financiamento de grandes projectos de construção de infraestruturas, de desenvolvimento da industria produtiva ou de desenvolvimento de projectos educativos e atribuição de bolsas de estudo. Uma relação em evolução que já suscita nos círculos dirigentes do capital norte-americano e europeu uma histeria que leva a que o incrível seja dito, acusando-se a China de ter uma postura «neo-colonial». Apetece dizer... Olha quem fala! E quem fala é quem responde à situação da única forma que conhece: a criação de um comando militar norte-americano para África, com a consequente instalação de estruturas, contingentes e armamento no continente com destaque para as zonas do Corno de África e do Golfo da Guiné. Elucidativo!

Espanha, Cimeira da NATO em Sevilha. Em cima da mesa duas questões centrais: Afeganistão e Kosovo. O Afeganistão é mais uma vez apresentando como a «prova de vida» da NATO no seu processo de afirmação como organização global de carácter ofensivo. Apesar de marcada por contradições e rivalidades , a cimeira da NATO reafirma o papel desta organização na concertação de classe imperialista e novos acordos com a Grã-Bretanha, a Itália, a Polónia, a Alemanha, entre outros, são alcançados, preparando-se o caminho para uma ofensiva militar em larga escala durante a primavera. Sobre o Kosovo, e em sintonia com as manobras «cozinhadas» na «nova ONU» de Ban Ki Moon, a NATO introduz um novo factor de desestabilização nos Balcãs com a discussão do estatuto do Kosovo, buscando a eternização da sua presença na região e a criação de mais um fiel protectorado, desafiando as posições da Sérvia e da Federação Russa

Munique. 270 responsáveis civis e militares reunem-se na Conferência sobre Segurança. Putin, acossado com uma NATO cada vez «mais de leste» e com os planos norte-americanos de instalação do sistema antimissil na República Checa e Polónia, eleva o tom das críticas aos EUA e confirma a intenção russa de, ainda que numa escala impossível de rivalizar com os EUA, reforçar o seu sistema de mísseis intercontinentais no quadro de uma nova corrida armamentista liderada pelos EUA com um recorde absoluto do orçamento militar na história do país, ultrapassando os mais altos valores do período da chamada «Guerra Fria».
Por fim, o caos mantém-se no Iraque. Novas execuções anunciadas, massacres de civis quase diários, prisão de responsáveis políticos que anteriormente serviam os interesses dos EUA, uma lista interminável de atrocidades e atropelos à mais elementar legalidade, etc, etc. No centro do Puzzle do Médio Oriente, Palestinianos tentam um novo governo de unidade nacional. A «comunidade internacional» assobia para o lado e mantém o boicote que serve os interesses de Israel. Os tambores de guerra não param de soar e a campanha mediática e psicológica de preparação para um ataque contra o Irão aí está, acenando-se agora com o suposto fornecimento de armamento a milícias Xiitas no Iraque. Fica a pergunta, ainda que ingénua: se o Irão pode ser bombardeado por supostamente se ingerir nos assuntos internos do Iraque, que fazer com os EUA?
A situação actual é plena de perigos e de contradições. A luta pela paz aí está, mais necessária e intensa que nunca! Longa, por vezes com dificuldades que nos parecem intransponíveis... mas possível de vencer, tal como a luta pela dignidade e a saúde das mulheres portuguesas.


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