«Boicote contra o povo palestiniano vai continuar»
Rice nas conversações com novas exigências
EUA e Israel travam paz na Palestina
Condoleezza Rice, Ehud Olmert e Mahmud Abbas conversaram em Jerusalém sobre o processo de paz israelo-palestiniano. A secretária de Estado dos EUA classificou o encontro de «informal» e colocou novas exigências aos palestinianos.
Antes do encontro desta segunda-feira entre a responsável pela política externa norte-americana e os representantes de Israel e da Palestina, o presidente da Autoridade Nacional Palestinina (ANP) e líder da Fatah, Mahmud Abbas, esperava que os governos de Washington e de Telavive respeitassem a legitimidade dos acordos estabelecidos em Meca entre as principais facções palestinianas, no passado dia 8, e validassem os passos entretanto alcançados.
Gorando a esperança no avanço das negociações manifesta pelo dirigente palestiniano - fundamentada na convicção de que um executivo de unidade nacional composto pela Fatah e pelo Hamas poderia estar a funcionar no prazo máximo de duas semanas -, Rice levou novas exigências para a mesa de diálogo e deixou claro que «[o processo de paz] não é algo que espero que avance rapidamente».
Rice e Olmert acordaram na véspera a manutenção das medidas repressivas e do boicote contra o futuro executivo palestiniano mesmo desconhecendo os contornos finais da sua composição. Foi isso mesmo que transmitiram a Abbas exigindo que o governo de unidade reconheça o Estado de Israel e renuncie à defesa armada.
Acresce que da parte de Israel, Olmert não garantiu nem o fim das incursões, nem a suspensão da construção do muro que separa os dois territórios, nem o reconhecimento do direito dos palestinianos à autodeterminação. Pelo contrário, o primeiro-ministro e líder do Kadima exigiu o regresso aos textos subscritos pela OLP há mais de uma década, proposta que muitos entendem como uma tentativa de voltar a colocar a resolução do conflito israelo-palestiniano em banho-maria.

Palestinianos trabalham unidade

Entretanto, na Palestina, o primeiro-ministro, Ismael Haniye, continua a desenvolver esforços para tornar possível a constituição de um governo de unidade nacional, solução que, considera, será capaz de colocar um ponto final nos confrontos fratricidas no território, os quais se arrastam há cerca de seis meses.
Em declarações à comunicação social, Haniye expressou a sua confiança em Abbas para representar o povo palestiniano nas conversações com EUA e Israel. Paralelamente, o líder do Hamas desdobra-se em encontros com dirigentes de diversos partidos e formações políticas da Palestina com o objectivo de distribuir consensualmente os lugares no futuro executivo.
Fontes próximas de Haniye revelam que as linhas de orientação traçadas em Meca têm tido resposta positiva das diversas partes. Na cidade saudita, Haniye e Abbas concluíram entregar seis ministérios à Fatah, nove ao Hamas, vencedor do último sufrágio popular, três a outros tantos partidos com representação parlamentar, e as restantes pastas a grupos independentes.

Esplanada da discórdia

Enquanto dirigentes e líderes debatem o futuro político do território, em Jerusalém, sexta-feira da semana passada, milhares de palestinianos e árabes israelitas juntaram-se num protesto contra a construção de uma ponte junto à mesquita de Al Aqsa, espaço de particular relevância religiosa para os crentes muçulmanos.
A obra é uma provocação aos palestinianos e aos povos vizinhos com a mesma base confessional, disseram os manifestantes, mas Israel defende que se trata somente de um trabalho de valorização turística da zona da Esplanada das Mesquitas.
Três mil agentes foram mobilizados por Telavive para fazer face à mobilização popular. A polícia não hesitou em carregar sobre os manifestantes com granadas de gás lacrimogéneo, balas de borracha, cargas de cavalaria e canhões de água. Em resultado da violenta resposta das autoridades, trinta pessoas ficaram feridas e pelo menos quinze foram detidas. As escavações continuam apesar da contestação, situação que, a julgar pela reacção indignada das populações no Egipto, na Jordânia e na Turquia, só para citar alguns, se pode traduzir numa nova onda de violência no Médio Oriente.


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