A comunicação social dominante silenciou por completo a iniciativa
Governo teima em não cumprir protocolo
Pela integração na <em>Lisnave</em>
Os trabalhadores da Gestnave e associadas exigiram, na tribuna pública, dia 15, em Lisboa, a sua integração na Lisnave, como garante o protocolo assumido pelo Estado em 1997.
A tribuna, silenciada pela comunicação social dominante, foi promovida pelas organizações Representativas dos trabalhadores e reuniu mais de 300 operários no Terreiro do Paço para exigirem a integração, como consta do Protocolo de 1997, assumido pelo Governo PS, de Guterres, através do então secretário de Estado e actual ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
Na acção, intervieram o representante da Comissão Executiva da CGTP-IN, Amável Alves, o dirigente da Fequimetal/CGTP-IN, João Silva, o representante da Comissão de Trabalhadores da Gestnave, Miguel Moisés, o secretário da comissão parlamentar de trabalho e deputado do PCP, Francisco Lopes, Heloísa Apolónia, do PEV, e a deputada do BE, Ana Aiveca.
Francisco Lopes garantiu que a comissão e o Grupo Parlamentar do PCP vão continuar a interpelar o Governo sobre esta matéria até que se concretize a integração.
Os trabalhadores da Gestnave e das associadas Erecta, ACI e EPA decidiram enviar a minuciosa resolução, aprovada por unanimidade e aclamação na tribuna, aos órgãos de soberania. Exigem a sua integração, reuniões com as entidades envolvidas no processo para darem solução ao problema e convocaram nova tribuna pública para 28 de Março, junto ao Ministério da Economia. Ficou também garantida a participação no protesto nacional da CGTP-IN, marcado para 2 de Março.

Governo recusa dialogar

Após a tribuna, uma delegação sindical dirigiu-se ao Ministério das Finanças, onde ficou a resolução.
Nenhum representante do Governo os recebeu – o secretário de Estado justificou a ausência por estar numa reunião - e tiveram de a deixar num funcionário. «Desde que o PS assumiu o Governo, nunca mais ninguém, sequer, nos recebeu», afirmou ao Avante!, o porta-voz da delegação sindical, José Pereira.
O incumprimento do protocolo «não é uma questão económica mas apenas política», salientou, lembrando que os representantes dos trabalhadores têm «sido empurrados de Ministério para Ministério em que ninguém nos receba».
O sindicalista recordou como as empresas tentaram passar os trabalhadores para a situação de pré-reforma, rejeitada pelos operários, que continuam a exigir a integração. «Para passar os trabalhadores à pré-reforma e para as rescisões, o Ministério das Finanças tinha disponibilizado 20 milhões de euros», denunciou.
Ao recusar a integração destes operários qualificados, a Lisnave contribui «para a diminuição da qualificação profissional num sector fundamental para a economia nacional, pondo em causa o futuro do sector, no distrito de Setúbal», salientou José Pereira.
Na véspera desta tribuna pública, representantes sindicais visitaram o estaleiro da Mitrena e confirmaram haver trabalhadores não qualificados, com contratos temporários, há seis anos a cumprirem tarefas permanentes, com diferenças salariais acentuadas, embora executem as mesmas funções que os operários com vínculo à Lisnave, salientou José Pereira, acrescentando haver operários sem actualizações salariais há mais de dez anos.
A Lisnave tem recorrido a trabalhadores provenientes do Leste da Europa, «a viver em contentores, à porta do estaleiro e numa pensão, em Setúbal», informou o sindicalista.

Má gestão propositada

A Lisnave criou uma empresa de formação profissional para o sector, «mas apenas foram formados dez operários que não foram integrados e a empresa acabou», recordou o sindicalista para exemplificar como a administração tem sido propositadamente negligente.
A «má gestão» tem levado à perda de clientes importantes, como a Chevron, a Esso e a BP, «que optaram por mercados que lhes dão melhores garantias de qualidade e segurança». Conivente com a administração tem andado o Governo que «está a comprometer o futuro da indústria naval», acusou ainda José Pereira.
O representante sindical lembrou que a oficina de caldeiraria na Mitrena está já a ser usada por uma congénere espanhola para fazer navios, em vez da Lisnave, «com a total anuência do Estado português».
Para o fim deste ano está previsto o fim do contrato entre a Lisnave e a Gestnave, embora os efectivos da Gestnavee associadas estejam a trabalhar na Lisnave há mais de 9 anos.


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