Editorial

«Foram milhares os jovens que marcaram presença viva e actuante na manifestação»

JUVENTUDE PRESENTE

Um dado que emerge da poderosa manifestação do passado dia 2 de Março, é o da elevada presença de jovens. Trata-se de um dado pleno de significado e de relevância e sobre o qual importa reflectir – quer no que respeita às razões essenciais dessa presença juvenil massiva numa luta com a importância da jornada de 2 de Março, quer sobre os ensinamentos a tirar desse facto.
Tratando-se de uma das maiores manifestações realizadas em Portugal nas últimas décadas – há mais (muito mais) de vinte anos que não se via um desfile com dimensões semelhantes - é óbvio que parte grande desses jovens eram crianças, ou não eram ainda nascidos, quando da última manifestação com igual grandeza. E dessa realidade sobressai, como elemento marcante, a confirmação da grande disponibilidade de luta das jovens gerações de trabalhadores e a sua assimilação de uma consciência social e política que lhes permite ocupar o lugar que lhes compete no exaltante processo da luta de massas indispensável para derrotar a política de direita e a substituir por uma política de sentido inverso: uma política de esquerda que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que afligem a imensa maioria dos portugueses e portuguesas.
Foram milhares, muitos milhares, os jovens que, tanto do sector público como do privado, vieram de todo o País cheios de força e determinação, exigindo bem alto os seus direitos. Foram milhares, muitos milhares os jovens que, na maioria dos casos submetidos ao antidemocrático vínculo precário, enfrentaram corajosamente o risco, assumiram os direitos que a Lei Fundamental do País lhes confere e fizeram greve de forma a poderem participar numa jornada de luta que tinha tudo a ver com os seus direitos e anseios. Foram milhares, muitos milhares, os jovens que, com a consciência da importância da sua participação, marcaram presença viva e actuante na grandiosa jornada de luta e, com a sua convicção, lhe imprimiram aquela força e aquela alegria de lutar que inundou as ruas da capital. E voltarão no dia 28 de Março.

Esta crescente participação juvenil na luta de massas, não está desligada – e confirma – o incremento da actividade e da influência da Juventude Comunista Portuguesa. O Avante! tem publicado, ao longo do tempo, múltiplos exemplos demonstrativos da intensificação e ampliação da intervenção da JCP por todo o País; da sua crescente ligação às massas juvenis trabalhadoras e estudantis na sequência da aplicação concreta de linhas de orientação definidas nesse sentido; da sua definição teórica, sempre assumida na prática, de que «onde há JCP, há Partido»; da sua preocupação com a preparação política e ideológica dos quadros e das medidas tomadas com vistas a esse objectivo. E temos constatado muitos dos resultados positivos decorrentes desse esforço colectivo dos jovens comunistas.
Sabemos, também, das muitas centenas de militantes e quadros que, formados na JCP, têm ingressado nas fileiras do Partido e aí, assumindo responsabilidades aos mais diversos níveis – em muitos e muitos casos a altos níveis de direcção partidária – se afirmam como destacados elementos do nosso grande colectivo partidário.
E tudo isto esteve presente, também, na grandiosa manifestação de 2 de Março. Porque muitos dos jovens que nela participaram, em alguns casos pela primeira vez, o fizeram por efeito do trabalho, do empenho, da intervenção mobilizadora, levada a cabo pela organização revolucionária da juventude portuguesa, a JCP, juventude do PC – que, sendo presente vivo e dinâmico na actividade e na intervenção actuais do Partido, é a mais sólida garantia da projecção no futuro deste Partido Comunista Português.

A manifestação de 2 de Março foi tratada com cirúrgicos cuidados por parte da comunicação social dominante e dos seus comentadores e analistas cativos. Lendo-os e ouvindo-os, dir-se-ia que nada de importante se passou nas ruas de Lisboa.
Podem esses comentadores e analistas de serviço à política de direita ocultar, iludir, manipular a verdade, fingir que não sabem que no dia 2 de Março se realizou uma das maiores manifestações de sempre em Portugal, com os trabalhadores e o povo nas ruas exigindo o direito ao trabalho e ao trabalho com direitos, que o mesmo é dizer, exigindo democracia – e utilizando, com um sucesso assinalável, uma das suas muitas armas de luta. Podem, esses mesmos comentadores e analistas, continuar a ofender a inteligência dos portugueses fingindo que não viram o conteúdo do protesto e da exigência que desfilaram pelas ruas de Lisboa. Podem continuar a fingir não ver como os desenvolvimentos da política de direita nestes primeiros dois anos do Governo Sócrates/PS ferem o conteúdo democrático do regime e atingem importantes direitos sociais, políticos, humanos, conquistados com a revolução de Abril. Podem continuar a assobiar para o ar face ao processo em curso de transformação da democracia avançada de Abril numa ditadura do grande capital, opressora, exploradora e antidemocrática. Podem continuar a silenciar, a deturpar, a camuflar todos os elementos que integram a poderosa jornada de luta do dia 2 de Março.
Mas sabemos nós, e sabem eles, que os trabalhadores portugueses, jovens e não jovens, vieram para a rua dizer, também, que a Constituição lhes proporciona outras formas de luta das quais não prescindirão. E a que recorrerão quando entenderem necessário.


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