Num momento em que se reforça a luta é essencial garantir um PCP mais forte
Grande comício no Porto
Confiança na luta dos trabalhadores
Após uma semana de internamento hospitalar, Jerónimo de Sousa participou, sábado, no Porto, num grande comício evocativo do 86.º aniversário do Partido.
O secretário-geral do PCP foi recebido com entusiasmo pelas muitas centenas de pessoas que enchiam por completo o cinema Batalha, no Porto. Após uma semana de internamento hospitalar (ver caixa), Jerónimo de Sousa regressou ao seu posto e fê-lo da melhor maneira: num comício que constituiu uma grande manifestação de confiança e de luta por uma vida melhor, como, aliás, se afirma no lema do 86.º aniversário do Partido. A JCP levou a festa até às ruas da cidade, ao promover um animado desfile em direcção ao local do comício.
Na sua intervenção, que encerrou o comício, Jerónimo de Sousa realçou que teremos sempre razões acrescidas para celebrar este aniversário se «continuarmos esse trabalho das organizações e dos militantes do PCP que fizeram de 2006 um ano de efectivo reforço e crescimento do Partido que fica assinalado como um dos anos mais significativos das últimos anos em progressos na organização partidária».

Consolidar, crescer, avançar

Agora, prosseguiu, assume uma grande importância e actualidade a resolução do Comité Central, aprovada na reunião de 12 e 13 de Janeiro, sobre o reforço do Partido neste ano de 2007. Com o lema «Consolidar, crescer, avançar!» aponta-se novos objectivos e metas: a responsabilização de mais militantes; o reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores; o estímulo ao funcionamento efectivo das organizações de base; o crescimento do volume de receitas; a promoção da difusão da imprensa do Partido, entre outros.
Para Jerónimo de Sousa, num momento em que «mais e mais trabalhadores lutam em defesa dos seus direitos e que mais se impõe desenvolver e ampliar a luta» é momento também de garantir um PCP mais forte. Este aniversário, sustentou o secretário-geral, é assinalado num ambiente de «grande confiança, vitalidade e esperança no futuro» e na luta dos trabalhadores e do povo. Confiança e determinação que mais uma vez estiveram patentes na «pujante manifestação» do passado dia 2 de Março.
A determinação e a força do protesto dos trabalhadores expressos nessa grande manifestação, prosseguiu Jerónimo de Sousa, «diziam bem alto: voltaremos! As vezes que forem necessárias!» Na jornada do próximo dia 28 de Março e nas comemorações do 25 de Abril e do 1.º de Maio. Assim também o PCP nunca «cruzará os braços perante a injustiça, as desigualdades e a exploração».

Potencialidades revolucionárias

Jerónimo de Sousa lembrou que «a ofensiva do imperialismo e do capital continua em todas as frentes» e que os tempos estão «carregados de perigos e de reais retrocessos históricos e civilizacionais». No plano social, grassa a fome, a pobreza extrema e crescem as desigualdades. No plano da democracia, «intensificam-se as tendências autoritárias associadas a uma paranóia securitária e sucedem-se os ataques aos mais elementares direitos humanos». A guerra e o militarismo surgem como resposta de força do capitalismo aos seus limites históricos e às suas próprias contradições, lembrou.
Para o secretário-geral do PCP, está em curso uma tentativa de criminalizar as resistências e de reabilitar o fascismo. O anticomunismo primário avança, como sucede actualmente na Polónia com a sua «caça às bruxas».
Mas a situação actual é marcada também por grandes potencialidades de luta e avanços progressistas, lembrou. Em vários pontos do mundo, cresce a luta contra a guerra e a opressão e em defesa da soberania, como sucede no Iraque, no Líbano, na Palestina, no Afeganistão, no Sara Ocidental, mas também em Timor. Na América Latina, destacou, o socialismo afirma-se como a real alternativa. Cuba socialista e a Venezuela bolivariana foram exemplos apontados.

Combater as consequências da política de direita

Sérgio Teixeira, membro da Comissão Política, lembrou a situação difícil que os trabalhadores e as populações do distrito do Porto atravessam. Os desempregados registados, denunciou, atingem os 117 mil trabalhadores e a taxa de desemprego na região (13,7 por cento) é muito superior à média nacional. A par do desemprego, da exclusão social e da pobreza, acentuou, é também visível a profundidade das assimetrias.
Sérgio Teixeira lembrou ainda a «insistente destruição do aparelho produtivo, o aumento da precariedade – que se situa hoje em mais de 25 por cento – e as dívidas aos trabalhadores, que atingem já a quantia de 140 milhões de euros.
Prosseguindo, o dirigente do PCP denunciou a desactivação de serviços públicos essenciais em áreas como a saúde, a educação e a acção social. Para Sérgio Teixeira, o investimento público deste Governo é um «desastre para o distrito», atingindo, este ano, o valor mais baixo dos últimos dez anos.
Mas o PCP, prossegue o membro da Comissão Política, não se limita a denunciar. Foram apresentadas 29 propostas para «reforçar ou inscrever dotações no PIDDAC, envolvendo um total de 176 projectos». Mas o PS rejeitou todas as propostas, denunciou.
O dirigente do PCP informou ainda que, também no distrito do Porto, o Partido está mais forte. Novos recrutamentos em 2006 foram 251 e realizaram-se dezenas de assembleias das organizações. Ainda sobre o reforço do Partido, o membro da Comissão Política salientou a realização da VIII Assembleia da Organização Regional do Porto no próximo dia 27 de Outubro.

Jerónimo de Sousa fala sobre o seu internamento
«Vale a pena defender o Serviço Nacional de Saúde»

Uma semana depois de ter sido internado com uma flebite numa perna, o secretário–geral do PCP regressou à actividade partidária. Em declarações ao Avante!, falou da forma calorosa como foi recebido por profissionais de saúde e utentes do hospital. A experiência, afirmou, serviu para reforçar a sua confiança no valor do Serviço Nacional de Saúde.

Avante! – Muito se especulou na imprensa sobre o teu internamento. Queres contar como tudo isso sucedeu?

Desloquei-me a São João da Madeira para manifestar a solidariedade do Partido às populações que estão ameaçadas pelo encerramento das urgências. Na visita às urgências, chamei a atenção dos médicos para a minha perna. Sentia dores e tinha um grande inchaço. Eles verificaram que a perna não estava em condições e um deles disse: «você acaba já a visita, fica imediatamente internado e vai ser deslocado para Gaia.»

E como reagiste a essa proposta?

Eu disse que não. Fiz o resto da visita, falei às pessoas concentradas e desloquei-me para Lisboa. E acabei por ficar internado no hospital de Santa Maria. Quero sublinhar a forma como fui tratado pelos profissionais de saúde do hospital, muitos dos quais não são, certamente, do Partido. Foi um tratamento muito sensibilizante: prospectaram o problema, procuraram de imediato resolvê-lo, fizeram exames gerais…

O que mais te sensibilizou nesses dias em que estiveste internado?

Para além dos contactos institucionais de praticamente todos os órgãos de soberania e partidos políticos, o que mais me sensibilizou foi a forma como os profissionais de saúde e os próprios utentes me trataram: com um grande reconhecimento e respeito pelo Partido e pela nossa luta. E também com uma preocupação genuína e desejos sinceros de recuperação rápida…
Sobra aqui uma questão que eu considero importante, que é o valor e a importância do Serviço Nacional de Saúde. Numa situação com algum risco grave no plano da saúde, em cinco dias recuperei totalmente. Isto devido aos serviços, aos cuidados e à atenção dos próprios profissionais. E no Hospital de Santa Maria há já problemas que resultam de algumas medidas que estão em curso…

És, portanto, uma prova viva de que o serviço é bom e funciona…

Os profissionais da saúde – do auxiliar ao médico e ao enfermeiro – transmitiam-me preocupações relativas às carreiras, aos salários, às reformas… Mas eram, todos eles, de um grande brio profissional, uma grande capacidade, demonstrando que é profundamente injusta a forma como o Governo hostiliza estes trabalhadores, considerando-os ora como uma casta de privilegiados ora como gente incapaz. Tive a prova viva e o exemplo concreto de que vale a pena defender este Serviço Nacional de Saúde.

De que forma as pessoas que ali estavam contigo, no hospital, reagiam à tua presença?

Havia duas reacções interessantes. A primeira era esta: «olha, este está aqui connosco, não vai para clínicas privadas.» As pessoas gostavam de me ver ali como cidadão comum, partilhando os seus problemas, o seu espaço. E em segundo lugar, uma grande solidariedade. Como qualquer doente, tive que estar nas salas de espera e houve sempre manifestações de preocupação e solidariedade por parte das pessoas. A frase que eu talvez mais tenha ouvido foi: «ponha-se bom depressa.» Creio que isto é profundamente tocante e bastante animador.

Para o futuro, algumas recomendações especiais?

Foram conselhos avisados em relação, por exemplo, ao tabaco e aos ritmos. Mas a ideia geral é que posso fazer uma vida perfeitamente normal, manter o ritmo das tarefas que se colocam ao secretário-geral do Partido. E estas cautelas concretas que são próprias de um «cinquentão»… Os exames gerais descansaram-me muito porque mostraram que está tudo bem.


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