De 2000 a 2006, o número de norte-americanos na miséria cresceu 28%
Política de Bush favorece os ricos
Número de pobres nos EUA <br>é cada vez maior
Dados oficiais dos EUA revelam que 36,6 milhões de norte-americanos, ou seja, 12,6 % dos cerca de 300 milhões de habitantes, são considerados pobres.
Estudos levados a cabo pelo Departamento de Censo da População vieram confirmar o que há muito vem sendo denunciado por organizações sociais norte-americanas: as políticas fiscais da administração Bush têm contribuído para aprofundar o fosso entre ricos e pobres, com a crescente concentração da riqueza numa minoria da população.
À mesma conclusão chegaram instituições o Centro sobre Prioridades Orçamentais e Políticas e o Instituto de Políticas Económicas (IPE), numa altura em que já não é possível escamotear o descalabro social que afecta o país mais poderoso do mundo. Segundo o IPE, os 20 por cento dos lares mais ricos recebem 50,5 por cento do rendimento nacional, enquanto os 20 por centos dos mais pobres recebe apenas 3,4 por cento.
De 2000 a 2006, o número de norte-americanos na miséria cresceu 28 por cento. Cerca de 16 milhões de pessoas vivem numa pobreza extrema, incluindo áreas urbanos e rurais.
Dos 50 estados da União, Washington DC, a capital, ocupa o primeiro lugar na lista da desgraça com 10.8 por cento dos habitantes em situação de miséria extrema.
Em resultado das políticas anti-sociais de Bush, 46,6 milhões de norte-americanos não dispõem hoje de seguro de saúde, condição essencial nos EUA para aceder a assistência médica condigna.

Crianças pagam a factura

De acordo com Ron Pollack, director executivo do grupo «Families USA» – citado por López Blanch no «Rebelión» – dos nove milhões de crianças de origem hispânica residentes nos EUA, cerca de 22 por cento não têm seguro de saúde (em especial no Texas, Florida e Novo México), apesar dos respectivos pais terem trabalho, pela simples razão de que não o podem pagar.
Entre 1999 e 2006, o preço do seguro de saúde familiar subiu de 5900 dólares/ano para 11 480 dólares/ano, um acréscimo muito superior ao da inflação.
Eventualmente, o trabalhador pode conseguir que o seu contrato de trabalho inclua a participação da entidade patronal nos custos do seguro de saúde, mas em amplos sectores da economia isso não sucede. Esta situação, segundo Pollack tem implicações não só na saúde como na educação e desenvolvimento das crianças atingidas e respectivas famílias. O grupo «Families USA» não hesita mesmo em afirmar que uma em cada nove crianças nos EUA não tem seguro médico, apontando como os estados mais problemáticos a Califórnia (1.3 milhões), o Texas (1.3 milhões), Flórida (718 600), Nova Iorque (441 400) e Illinois (376 300).
A administração Bush vangloria-se do facto de o desemprego nos EUA ter diminuído 4,6 por cento em 2006. O que não diz é que a esmagadora maioria dos novos empregos são precários, mal remunerados, a tempo parcial, e que os trabalhadores chegam a ter de trabalhar até 18 horas por dia, em diferentes locais, para garantir as suas necessidades básicas. É um exemplo bem esclarecedor do que é a democracia norte-americana e do modelo de flexi-insegurança que a Europa se propõe copiar.
Ver QUADRO comparativo da evolução da distribuição dos rendimentos nos EUA, anos 1970-2005 »



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