«É onde está a luta de classe que o Partido tem de estar mais forte»
VII Assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCP
Intervir e transformar
O pavilhão da Escola EB 2, 3 José Afonso, em Alhos Vedros, acolheu, domingo, a VII Assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCP. Jerónimo de Sousa encerrou os trabalhos da reunião magna cujo lema, «Com os Trabalhadores – Organizar, Intervir, Transformar», é expressão da acção e objectivos dos comunistas na península.
Há hora marcada para o início da Assembleia, já a maioria dos 660 delegados eleitos se encontravam junto ao recinto. Dentro e fora do pavilhão, a azáfama do pessoal encarregue das tarefas de apoio aos trabalhos. Parece que não falta nada e tudo está devidamente assegurado, sensação que se confirma acertada ao longo de um dia onde sobressaiu a dedicação a tão importante iniciativa.
Entre dois dedos de conversa sobre a actualidade e o último cigarro, sorrisos e cumprimentos de camaradas que, conhecendo-se bem, partilhando um longo acervo de combates e experiências, sempre se saúdam com fraternidade a cada reencontro. Acertam-se datas e compromissos de preparação para as batalhas permanentes da nossa luta, promete-se voltar ao assunto. «Ao almoço vemos isso», garante-se, agora apuremos as conclusões do debate, lancemo-nos à vida com o povo e o seu devir histórico no horizonte. Vamos discutir, reflectir conjuntamente e traçar as linhas fundamentais da acção contra uma política de direita que, como sublinhou Margarida Botelho na intervenção de abertura, «corresponde a uma nova fase, quer pela intensidade, quer pelo carácter global de uma ofensiva dirigida para a destruição dos direitos sociais e para a realização da agenda do grande capital».
Na Península de Setúbal, os desígnios da política antipopular seguida pelos sucessivos governos ao longo de três décadas castigou duramente os trabalhadores e as populações, realidade que se revela semelhante um pouco por todo o País onde «os grupos económicos e financeiros somam todos os anos novos recordes na acumulação de lucros», ao passo que «as condições de vida do povo pioram a cada ano que passa: o desemprego atinge mais de 600 mil pessoas, dezenas de milhares vivem abaixo do limiar da pobreza, o custo de vida aumenta, índices como o abandono escolar ou o estado da saúde da população regridem», fez notar a dirigente.
Para a responsável da organização regional e membro da Comissão Política do PCP, o sentido da chamada «cooperação estratégica» entre o Governo de maioria do PS e o Presidente da República traduz-se, de facto, na imposição de gritantes medidas de regressão social, das quais sobressaem, nas opções do executivo liderado por José Sócrates, a «ampla cobertura aos objectivos do patronato em matéria de liquidação da contratação colectiva, da redução de salários, do ataque à Segurança Social, do aumento da idade da reforma» criando condições para o aparecimento de «uma geração de trabalhadores sem direitos, em que a precariedade e a exploração mais vil sejam regra».
Na forja do poder está também a «confessada ofensiva contra o próprio regime democrático e constitucional» destacou Margarida Botelho, levada a cabo por via das «leis dos partidos e do financiamento dos partidos, do ataque à Administração Pública, dos projectos de revisão das leis eleitorais, das alterações na política de segurança interna, do pacto de regime para a área da justiça, ou dos casos de intervenção das forças policiais em nome do patronato e das restrições à liberdade de expressão e organização política e sindical», continuou.

Caminho para avançar na luta

Apesar da violência dos golpes desferidos nos últimos anos contra as conquistas de Abril, os trabalhadores, os jovens e a população têm sabido responder com luta e determinação. «As grandes acções de massas de Outubro de 2006 e Março deste ano, bem como a mais recente manifestação de jovens trabalhadores, são expressões do descontentamento profundo», sublinhou Margarida Botelho.
Neste contexto, em que «grandes dificuldades e perigos coexistem com grandes potencialidades para o desenvolvimento da luta e o crescimento das forças revolucionárias», lembrou ainda a responsável citando uma passagem da Resolução Política do 17.º Congresso do PCP, «é justo destacar e saudar o papel do movimento sindical unitário que é, como refere a proposta de Resolução Política que discutimos hoje, “a maior organização social de massas, a força que mais une, mobiliza e organiza os trabalhadores na luta em torno dos seus interesses e direitos sociais, profissionais e de classe”», acrescentou.

Um grande colectivo partidário

Durante a jornada comunista, os participantes empenharam-se vivamente na apreciação final do projecto de Resolução Política – aprovado por unanimidade e aclamação – e na eleição da nova Direcção da ORS e respectivos organismos executivos.
Igualmente notável foi a demonstração de democracia interna. O sucesso da Assembleia e a qualidade do das conclusões apresentadas estão intimamente ligados ao processo preparatório, no qual participaram cerca de 1400 camaradas em 84 reuniões plenárias.
Pela tribuna passaram também a prestação de contas e o balanço do trabalho incansável de «um Partido feito de homens e mulheres, de todas as idades, profissões, origens e experiências», como disse Margarida Botelho.
Do movimento associativo e popular aos jovens, do mundo do trabalho à representação política nas instituições e às organizações do Partido, muitas foram as intervenções que vieram confirmar que o PCP está cada vez mais ligado à vida e à realidade.
O futuro é de reforço do colectivo e de consolidação dos passos dados no recrutamento, no esclarecimento da disponibilidade dos militantes, na responsabilização de mais quadros e na criação de novas organizações. A prioridade vai para «a nossa organização junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho e o fortalecimento das suas estruturas de classe», precisou Margarida Botelho, orientação que faz todo o sentido porque, concluiu, «é lá, onde está a luta de classe, que o nosso Partido tem de estar mais forte».


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