10 mil contra «museu Salazar»

A União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) anunciou anteontem a recolha, até esse dia, de 10 mil assinaturas contra a concretização do «Museu Salazar» em Santa Comba Dão. Entre as assinaturas recolhidas encontram-se personalidades de vários quadrantes políticos e de diversas formações e áreas de intervenção. A recolha de assinaturas prossegue, anuncia a URAP. Na próxima edição, voltaremos a este tema de forma mais pormenorizada.
No dia anterior, o núcleo de Viseu-Santa Comba Dão exigira a proibição da romagem marcada para o dia 28 ao túmulo de Salazar em defesa da instalação do referido «museu». O núcleo da URAP lembra a proibição constitucional de organizações que perfilhem a ideologia fascista. E acrescenta que a Lei fundamental define estas organizações como aquelas que «mostrem (…) pretender difundir ou difundir efectivamente os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas (…), nomeadamente (…) o corporativismo ou a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes».
Ao povo de Santa Comba Dão, a URAP alerta para o facto de o projecto de construir a «Casa Museu Salazar», promovido pelo presidente da câmara e pela sua maioria, «não só é inconstitucional e ilegal e está condenado ao fracasso, como já está a transformar esta cidade em destino de todas as excursões e iniciativas de propaganda nazifascista, dos cabeças rapadas e de outros bandos de criminosos, envolvidos no apelo ao ódio e na violência racista».
Na segunda-feira, o presidente da autarquia afirmou não desejar que a romagem se realize, mas «empurrou» para as forças de segurança a decisão. O Governador Civil esclareceu, entretanto, que a autorização é da responsabilidade da autarquia.


«O Tempo das Giestas»

«Escrevo para os meus amigos e para os meus camaradas: eles são os principais destinatários dos meus romances», disse, na apresentação do seu mais recente livro, «O Tempo das Giestas», José Casanova, director do Avante!. A sessão realizou-se na quinta-feira, no salão, repleto, da Casa do Alentejo, em Lisboa.
O autor realçou que o romance se desenvolve em torno de duas histórias «de amor e de combate»: a de Teresa e Simão, em 1936; e a de Marcos e Inês, em 1988.
Com o seu terceiro romance, José Casanova pretende, como afirmou, contribuir para contrariar o branqueamento do fascismo. O livro é dedicado «aos homens que, no Tarrafal, resistiram ao fascismo; aos que, morrendo com dignidade, foram fiéis aos seus ideais; aos que, sobrevivendo com dignidade, se mantiveram fiéis a esses ideais».
Agradecendo a inspiração ao colectivo partidário, José Casanova citou «Simão», um dos personagens do seu livro: «Os camaradas são o melhor que há no mundo, os camaradas são o melhor de tudo, são tudo.» O livro foi apresentado por Domingos Lobo e, pela Editorial Caminho, esteve presente José Sucena.


«Resistentes» lançado em Almada

«Resistentes», o segundo livro de Manuel Pedro (editado pela Leitor), consta de pequenas histórias da longa vida clandestina do autor. Na sexta-feira, foi lançado em Almada, no Centro de Trabalho do PCP. Histórias trágicas ou cómicas, de todas elas ressalva a entrega mais corajosa e desinteressada a uma causa, num momento em que sonhar era arriscado e que pela luta se pagava um elevado preço.
A partir das histórias que conta no livro, Manuel Pedro falou da clandestinidade: a separação das filhas, a prisão, os cuidados conspirativos, a honestidade que sempre presidia às relações entre os camaradas. Numa das histórias, uma criança, cujos pais caíram nas garras da PIDE, é entregue a um funcionário clandestino para que a encaminhe para um lugar seguro. Na primeira fila da sessão estava sentada a então criança que serviu de inspiração ao conto.


Extrema-direita cancela encontro

O PNR cancelou, na sexta-feira, o encontro de organizações europeias nacionalistas previsto para o passado sábado, depois dias depois de a Polícia Judiciária ter detido dezenas de skinheads, numa operação que envolveu cerca de 60 buscas. Estes elementos são suspeitos de envolvimento em movimentos fascistas e neonazis e são acusados de posse ilegal de armas. A PJ apreendeu 15 armas de fogo, explosivos, mais de um milhar de munições de vários calibres, dezenas de armas brancas, soqueiras, mocas, bastões, tacos de basebol, aerossóis, machados, armas brancas para o abate de animais, peças de roupa alusivos ao ódio racial e livros sobre o nazismo, a II Guerra Mundial e a Gestapo. Apenas um elemento ficou em prisão preventiva, Mário Machado, suspeito de discriminação racial.


Iranianas restringidas à «moda islâmica»

As autoridades do Irão lançaram uma campanha contra as mulheres que não seguem o código de vestuário islâmico, que exige ao sexo feminino que mostre apenas o rosto e as mãos. As mulheres que não cumpram são interpeladas na rua, advertida e depois levadas para um centro correccional, de onde podem sair apenas se se comprometerem por escrito a mudar o seu comportamento e a vestir a roupa permitida. De acordo com a agência Lusa, pelo menos 15 mulheres foram levadas para o centro.


Adriano Correia de Oliveira homenageado

Entre Abril e Outubro, comemora-se em Vila Nova de Gaia o 65.º aniversário de Adriano Correia de Oliveira. As comemorações iniciaram-se no dia 9 de Abril, dia do nascimento do cantor e terminam a 14 de Outubro, com um convívio musical em Avintes. No próximo dia 5 de Maio, às 15.30 horas no Auditório Municipal, realiza-se um concerto com Uxia, Zeca Medeiros, Brigada Victor Jara, Balada de Outono, Grupo Coral de Professores e Educadores de Vila Nova de Gaia, Coro da Justiça e Orfeão de Oliveira do Douro. Na Comissão promotora das comemorações, entre várias associações culturais e educativas de Vila Nova de Gaia, inclui-se a Comissão Concelhia do PCP.


Resumo da Semana