«As batalhas são travadas entre as unidades de artilharia dos ocupantes e dos insurrectos»
Violentos combates na Somália
Milhares fogem de Mogadíscio
Fortes combates em Mogadíscio deixam centenas de mortos nas ruas da capital da Somália e provocam o êxodo de milhares de pessoas. A ONU alerta para uma catástrofe humanitária.
Pelo menos 250 pessoas morreram e mais de 300 resultaram feridas na sequência do recrudescimento da violência, desde o final da semana passada, na Somália.
Só no sábado, fontes hospitalares citadas por agências internacionais dão conta da morte de 52 civis apanhados no meio dos combates entre militares etíopes e tropas fiéis ao governo federal de transição, liderado por Abdullahi Yusuf Ahmed, líder político de um grupo sustentado diplomaticamente pelas principais potências e no terreno pelas forças armadas da vizinha Etiópia.
De acordo com os mesmos testemunhos, as milícias partidárias da União das Cortes Islâmicas, lideradas na capital por um dos clãs que na última década protagonizou a partilha do poder, o Hawiye, respondem com bravura à campanha lançada pelo exército de Addis Abeba contra posições rebeldes na capital.
Junto ao palácio presidencial as batalhas são travadas entre as unidades de artilharia dos ocupantes e dos insurrectos, mas noutros pontos da cidade os relatos afirmam que a luta se trava bairro a bairro.
As poucas unidades de saúde que resistiram a 15 anos de guerra civil e ao consequente desmembramento das estruturas públicas e do Estado somali encontram-se em situação de ruptura e são incapazes de dar resposta ao fluxo de feridos e mutilados.
Durante o fim-de-semana, só as chuvas torrenciais interromperam momentaneamente os ataques. Os corpos das vítimas amontoam-se nas ruas e quer as autoridades, quer os membros de organizações não governamentais presentes no território temem que à guerra acresça um surto de doenças incontrolável em Mogadíscio, metrópole que antes do conflito albergava cerca de um milhão de habitantes.

Êxodo em massa

Entretanto, face à dramática situação que se vive na capital do «Corno de África», o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que nos últimos dias cerca de 200 mil pessoas fugiram aos combates, elevando para mais de 300 mil o números de refugiados do conflito só durante o corrente mês de Abril.
A maioria aguarda auxílio humanitário a poucos quilómetros da capital, mas até agora poucos são os meios colocados à disposição da organização para fazer face à situação.
O conflito na Somália acarreta ainda o perigo de nova vaga desestabilizadora na região, nomeadamente entre a Etiópia e a Eritreia. Em Asmara, capital deste país, o sheik Ahmed, tido como um pró-islamita, acusou Addis Abeba de promover um massacre na Somália e exigiu a retirada imediata das tropas etíopes. Em resposta, o responsável das relações exteriores reafirmou que os militares etíopes só retiram quando for implementado um «governo pacífico e estável» naquele país.


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