A luta dos trabalhadores tem sido determinante para travar o Governo e o patronato
Com a confiança que nasce da luta
Grande 1.º de Maio<br> para o sucesso de dia 30
O forte apelo da CGTP-IN à participação na greve geral, a 30 de Maio, e o empenhamento dos activistas sindicais na mobilização dos trabalhadores distinguiram as comemorações deste Dia Mundial do Trabalhador, promovidas pela central em meia centena de localidades do Continente e regiões autónomas.
Em Lisboa, sob uma chuva persistente (que não caiu em abundância mas veio para ficar toda a tarde, praticamente desde que a manifestação partiu das imediações do Estádio 1.º de Maio), dezenas de milhares de pessoas acorreram à chamada da Intersindical Nacional e, em faixas, carros alegóricos, cartazes e palavras de ordem, transportaram os motivos de descontentamento, indignação e luta, durante quase duas horas, até à Alameda da Cidade Universitária.
Em rimas gritadas «ao desafio», num despique fraterno entre quem tinha o apoio das aparelhagens sonoras e os grupos de manifestantes mais próximos, repetia-se ritmadamente que «p’ró capital há milhões, p’rós salários só tostões», «o País não se endireita, com políticas de direita», «o custo de vida aumenta, o povo não aguenta», «o Governo faz mal, a greve é geral», «Maio está na rua, a luta continua». Sob as bandeiras da Interjovem, clamava-se que «é preciso que isto mude, emprego certo p’rá juventude», mas esta última exigência, nos grupos seguintes, transformava-se em «nova política p’rá saúde». A defesa do direito à saúde teve, ao longo do desfile, várias expressões, confirmando as graves e justas preocupações dos trabalhadores e das populações face à política do Governo nesta área.
«Pelas liberdades e direitos», uma faixa levada por trabalhadores da Siderurgia afirmava que esta estará na greve geral. O primeiro-ministro esteve, em inúmeros cartazes, apontado como «mero demagogo» e, num carro decorado, foi «Sócrates dos Bosques», roubando aos pobres para dar aos ricos.
Sem constar da lista de palavras de ordem, distribuída pelas uniões de sindicatos de Lisboa e Setúbal, ouviu-se algumas vezes «Governo para a rua», rimando com «a luta continua». Quando, do local onde Jerónimo de Sousa e outros camaradas, na delegação da direcção do PCP e da JCP, aplaudiam e saudavam os manifestantes, se aproximaram as faixas a identificar o Barreiro e suas freguesias, fez-se ouvir «a greve geral avança com toda a confiança».
O valor da luta dos trabalhadores, que seria salientado na intervenção de Manuel Carvalho da Silva e na resolução aprovada no final do comício sindical, na Cidade Universitária, é bem conhecido de quem transportava as faixas da Gestnave, do Arsenal do Alfeite, da Portugal Telecom, dos CTT, da Função Pública, da hotelaria, do comércio, das empresas de transportes, da Bombardier, da Pereira da Costa, dos professores, da administração local, da banca e seguros... Sem hesitar e sem amortecer com os chuviscos, protestava-se que «assim não pode ser, os ricos mais ricos e os pobres a perder» e «não nos queiram enganar, sempre os mesmos a pagar».

Mudar o rumo

A grande participação neste 1.º de Maio representa «um compromisso para o êxito da greve geral de 30 de Maio», afirmou o secretário-geral da CGTP-IN, numa intervenção em que começou por saudar todos os trabalhadores pela luta desenvolvida, especialmente nas manifestações nacionais de 12 de Outubro e 2 de Março. Depois de lembrar que, pelas políticas do Governo e pela acção do patronato, se tornou necessária a convocação da greve geral, como «uma resposta sindical congregadora da mobilização de todos os trabalhadores, para onde confluam todos os processos reivindicativos em curso e que dê expressão global a todas as reclamações, exigências e aspirações sociais dos trabalhadores», Carvalho da Silva sublinhou que, «ou os trabalhadores e os portugueses se mobilizam, ou as políticas de agressão aos seus direitos e interesses se aprofundarão».
Respondendo aos que, incapazes de esconder que há razões de protesto, procuram suscitar dúvidas quanto à oportunidade política da greve geral e apontam a falta de «um facto unificador», o dirigente da Inter retorquiu que «há muitos», enumerou a precariedade, o desemprego, os salários baixos, as desigualdades, a situação da saúde e explicou que, «porque são muitos e têm a ver com as políticas gerais, concluímos com a exigência de mudança de rumo», na política do Governo e na actuação das empresas.
A luta dos trabalhadores e uma forte adesão à greve geral são necessárias, salientou, para contrariar «reais perigos de agravamento do descrédito e da descrença dos portugueses e da emergência de populismo reaccionário e fascista». A greve geral, sendo «um aviso ao patronato e ao Governo», contribuirá ainda para «criar esperança e confiança no futuro» e «para que Portugal se desenvolva e os portugueses vivam melhor».


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