• Carlos Gonçalves

24 – o paradigma da era Bush
Combatemos nestes dias, no nosso país, a (des)propósito da Greve Geral, uma enorme, intensa e profunda ofensiva ideológica e política conduzida pelo grande capital, os partidos e o Governo ao seu serviço, e o apêndice BE, dito agora do «socialismo de esquerda», que visa desarmar os trabalhadores e encurralar o movimento operário e sindical no desânimo, no conformismo e na social democracia rendida ao «pensamento único», sem projecto nem futuro.
Mas não há como escamotear que os projectos e avanços dos interesses e da direita «caseiros» e os do imperialismo têm expressão substancial e cobertura determinante, no terreno ideológico, no entretenimento e mensagem dos media de massas, em tantos enlatados televisivos «made in USA».
Vem isto a propósito da laureada série «24», produzida desde mês e meio após o 11 de Setembro(!) pelo canal Fox, afecto a interesses do Texas e do «clã Bush», e que passa em Portugal, neste momento, na (RTP) 2, a sua sexta temporada, completando 144 episódios. Cada um deles mostra 24 horas frenéticas, de violentíssimo «suspense», em que o agente do CTU (Unidade de Contra Terrorismo) Jack Bauer, ao serviço da presidência dos «States», combate ou intervém em atentados terroristas - atómicos, químicos e bacteriológicos -, espionagem e conspirações internacionais e internas, incluindo o assassínio dum Presidente pelo seu Vice, crimes violentos e traições ao mais alto nível da «Casa Branca», guerras intestinas envolvendo o complexo militar-industrial-financeiro, o Pentágono, a CIA, a NSA, o FBI, a Mafia, etc.. Nas 5 primeiras temporadas a série comportou incontáveis crimes e assassínios e 67 casos de tortura explícita, muitos da responsabilidade das «forças do bem», incluindo a decisão do Presidente de torturar um Conselheiro de Segurança Nacional para apurar uma traição.
Esta série é um paradigma da era Bush do imperialismo USA. Dá sustentação, em 50 televisões do planeta, ao quadro ideológico que promove e legitima de facto todos os crimes dos seus espiões, militares, aliados e correligionários. Guantánamo, as «prisões secretas» e as torturas assumidas pelo ex-director da CIA Tenet, a sua denuncia da conspiração do Vice Presidente Cheney para invadir o Iraque, ou a guerra encoberta que já começou contra o Irão, preparando a agressão militar, são apenas a continuidade no real dum qualquer episódio da série «24».
É urgente a denuncia e o combate. Pela paz e a civilização.


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