Há estabilidade quando se governa bem e no interesse do povo
Comício da CDU na Aula Magna
Solução alternativa para Lisboa
Na maior iniciativa realizada pela CDU, Jerónimo de Sousa acusou o PS de fazer parte dos problemas e não das soluções para Lisboa, e pediu aos eleitores «um voto de protesto» ao Governo.
No átrio do recinto, cartazes, autocolantes, e outros materiais de campanha que até ao próximo dia 15 dão a conhecer à maioria dos alfacinhas as soluções da CDU para a capital, garantem a quem vem para a iniciativa a força da alternativa para Lisboa.
Lá dentro, bandeiras coloridas com os símbolos do PCP e do PEV misturam-se agitadas com as vermelhas comunistas. A música popular portuguesa interpretada pelos «Andarilho» anima a primeira parte do arranque da campanha eleitoral para a CM de Lisboa e todos os presentes retribuem mobilizados – e voltariam a retribuir durante as intervenções – que na vontade de transformar para melhor «a CDU avança, com toda a confiança».

Devolver Lisboa ao seu povo

Com activistas e apoiantes ainda a entrarem na sala, João Corregedor da Fonseca, da Intervenção Democrática, apresentou a mesa do comício onde não faltam os candidatos que a CDU leva às urnas deste domingo a uma semana, membros da direcção do PCP e da Organização Regional de Lisboa do Partido, o cabeça de lista da Coligação, Ruben de Carvalho, e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, a quem coube o discurso que fechou o comício.
Na primeira intervenção, Cláudia Madeira, candidata e dirigente do Partido Ecologista «Os Verdes», salientou os atentados cometidos pela direita «com a conivência do PS e do BE», e sublinhou que os erros só não se avolumaram porque «a CDU interviu».
O caso Bragaparques é exemplo disso, por isso Ruben de Carvalho apontou os que colocam a autarquia ao serviço dos interesses privados como os responsáveis pela actual situação e lembrou a António Costa que só «há estabilidade quando se governa a favor dos interesses do povo».
O secretário-geral do PCP também destacou a importância de «uma gestão que rompa com a especulação imobiliária». A encerrar, Jerónimo de Sousa apelou a «um voto de protesto para com um PS que já não disfarça o conluio com o grande capital» e destacou que a CDU é «a única força capaz de devolver a cidade às populações».

Ruben de Carvalho
«Temos um programa para Lisboa»


Perante uma plateia de mais de duas mil pessoas, Ruben de Carvalho alertou para a «perigosa ideia» de uma maioria absoluta na Câmara de Lisboa.
«É assim indispensável questionar como é que uma governação autárquica que dispunha de maioria absoluta, como o foi durante meses a presidida por Carmona Rodrigues, lançou em poucos meses o município lisboetas na sua maior crise política, financeira, estrutural de sempre», afirmou, explicando que o que dá estabilidade à acção governativa «não são as aritméticas eleitorais, é sim, bem pelo contrário, a política concretizada no dia por quem governa».
«Há estabilidade quando se governa bem e no interesse do povo, há instabilidade quando se governa mal e contra os interesses do povo», acrescentou o cabeça de lista da CDU.
«A maioria absoluta do PSD/CDS-PP na Câmara de Lisboa desmoronou-se no meio de um vendaval de episódios entre o gravíssimo e o caricato, única e exclusivamente por uma desastrosa sucessão de erros políticos que envolveram toda a actividade da Câmara, conduzindo-a a complexas situações sob o ponto de vista judicial – de que são prova os múltiplos processos de averiguações judiciais em curso – a uma situação financeira e de tesouraria inquietante e a uma degradação e paralisação quase total do serviço municipal, do cumprimento dos deveres da autarquia junto da cidade e dos seus habitantes», frisou, lamentando que a actual crise «reflecte-se de alto a baixo em todo o seu funcionamento e em toda a estrutura».
Ruben de Carvalho culpou ainda o executivo de direita de ter preterido o interesse público em detrimento do interesse privado. «Foi abandonada a ética de uma administração democrática ao serviço das populações e não ao serviço de interesses privados ou partidários», afirmou, acusando o PS e o BE de «complacência» e «colaboração» em todo este processo.
«Não podemos deixar de recordar que ao longo de seis anos, sem desânimos nem hesitações, em todas as instâncias e em todas as circunstâncias, os eleitos da CDU, na Câmara, na Assembleia Municipal, nas juntas da freguesia, honraram o que prometeram ao eleitorado que neles confiou: trabalho, honestidade, competência», sublinhou o candidato comunista.

Legitimidade democrática

Ruben de Carvalho manifestou-se ainda preocupado pelas declarações do candidato do PS, António Costa, que, em várias circunstâncias, se manifestou favorável à necessidade de intervenção do Governo na Câmara de Lisboa.
«O relacionamento do poder central com a autarquia nos últimos tempos tem se caracterizado por uma intolerável falta de diálogo e cooperação, onde não se sabe se é de lamentar mais a inexplicável complacência do anterior executivo se de vituperar a inaceitável arrogância do Governo e dos inúmeros organismos por ele tutelados, que condicionam e afectam a vida da cidade e dos seus habitantes», afirmou, salientando que o presidente da Câmara tem a «legitimidade democrática do voto que o elegeu e que esse voto lhe confere e impõem a obrigação de representar os interesses dos lisboetas».
Quando falta pouco mais de uma semana para as eleições, o cabeça de lista da coligação apelou, por fim, ao voto na CDU, a «Força Alternativa» para Lisboa. «Temos um programa para Lisboa. Ele está nas vossas mãos. É preciso que esteja em muitas mais, em cada rua, em cada bairro, em cada casa, mas sobretudo em cada consciência e em cada vontade de quem sonhe e queira uma cidade onde valha a pena viver», fincou.
Ruben de Carvalho dirigiu ainda uma palavra muito especial aos trabalhadores da autarquia: «Sem eles, podem os lisboetas estar certos, tudo o que de desastroso seis anos de política de direita trouxe à cidade seria bem pior. E também eles, das mais diversas formas, têm sido vítimas do desnorte, da incompetência, do desrespeito pelo interesse público, do servilismo e da arrogância partidárias.»


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