Festa do Avante!
Espaço das Tecnologias de Informação e Comunicação
Contribuir <br>para um Portugal com futuro
Pelo quarto ano, no Pavilhão Central da Festa do Avante!, o Espaço das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) proporcionará o contacto com as novas tecnologias da informática e da internet. Haverá também computadores para “navegar” na net, revelaram Sofia Grilo, Bruno Dias e Gonçalo Valverde, do Grupo de Trabalho das TICs.
«As Tecnologias de Informação e de Comunicação, por um contributo para um Portugal com futuro» será o tema da exposição que dará a conhecer aos visitantes as propostas do PCP para uma verdadeira universalização do acesso a este novo campo do conhecimento, e a sua análise sobre a política do Governo PS nesta área. Outra área da exposição será dedicada aos espaços do PCP na internet, onde o Partido Comunista Português foi pioneiro, em Portugal. «Têm sido introduzidos melhoramentos nas páginas web do PCP, e a presença do Partido também está a crescer na internet», revelou Sofia Grilo, acrescentando que «cada vez mais Organizações Regionais do Partido elaboram a sua página própria, criando espaços de intervenção mais local, nunca se substituíndo o contacto directo que é, no PCP, a forma previlegiada de trabalho», afirmou. «É muito importante, enquanto ferramenta de trabalho que proporciona um rápido acesso a toda a informação que é produzida pelo Partido, a nível central.» «Assim, chegamos mais longe», salientou, destacando o importante contributo do Partido, na internet, durante a Greve Geral de 30 de Maio. «A constante actualização de dados foi fundamental para desmentir os números do Governo e para se constatar a forte adesão dos trabalhadores».
Outro espaço de relevo do PCP na Internet, cada vez mais concorrido, é a Rádio Comunic, que terá espaço próprio, também no Pavilhão Central.

Democratizar o acesso

«Deparamo-nos com as prioridades pervertidas na agenda política do Plano Tecnológico do Governo, que nunca coloca na ordem do dia o que deve ser, para o PCP, o aspecto central de tudo isto: a democratização do acesso às tecnologias, uma efectiva aposta no investimento nestas tecnologias, de forma estratégica e não casuística, para que este sector se consolide enquanto factor de desenvolvimento da economia e do País. Estas são necessidades que estão a léguas de toda a propaganda que o Governo tem vindo a anunciar nesta área», afirmou Bruno Dias.
«As TICs por um contributo para um Portugal com futuro» vai ser também motivo de debate, nomeadamente no que respeita à situação dos trabalhadores e à política do Governo nesta matéria».
«Propaganda à parte, o Governo selecciona felizes contemplados que poderão passar a poder comprar computadores mais baratos, na maior parte dos casos com descontos de cinco euros por mês no acesso à internet», recordou Bruno Dias. «É disto que estamos a falar, apesar de toda a propaganda em torno das novas tecnologias que o Governo tem repetido», salientou. O público-alvo dos apoios anunciados são os trabalhadores inseridos no “Programa Novas Oportunidades”, estudantes a partir do 10.º ano e professores que poderão obter computadores a 150 euros. «Questionado pelo PCP sobre qual é a fonte de financiamento deste programa e qual seria o seu montante, o Governo disse que ele seria pago com o negócio das contrapartidas dos concursos dos telemóveis da terceira geração, sem ter revelado o montante em causa».


A propriedade do software

«Quanto mais computadores se oferecer, mais serão os clientes de quem está a investir nas TICs, ou seja, a TMN, a Vodafone e a Óptimus, tendo como corrente do sistema operativo a Microsoft, que patrocina a política do Governo, e na banda larga ganha a PT, a Vodafone e a Novis.»«Desta forma, os operadores de telecomunicações estão a subsididar-se a eles mesmos», afirmou Gonçalo Valverde, lembrando que a Microsoft vai conquistar, desta forma, milhares de operadores a troco de um CD para cada um e que terão, depois, de ir adquirindo do seu bolso os acessórios e a constante actualização. «É um negócio em que é discutível concluir-se que vai trazer benefícios para o País, porque não existe em Portugal uma política integrada nesta área, mas medidas avulso», acrescentou. «Os próprios departamentos do Governo têm escolhas diferentes e variadas de software, mas há muitas que estão exclusivamente dependentes da Microsoft».
«A propriedade do software é uma questão política, além de uma simples questão técnica, porque o País pode estar a hipotecar o seu futuro ficando nas mãos de uma multinacional privada», considerou Gonçalo Valverde.

Komunix livre e alternativo

Os visitantes da Festa encontrarão computadores com aplicações e sistemas operativos de sofware livre e haverá sempre alguém para esclarecer e ajudar os interessados. Para ensinar a utilizar o software livre decorrerão workshops durante os três dias e serão lançados dois CDs com a quarta versão do Komunix, o programa, em CD, anualmente actualizado, desde a primeira edição do Espaço dedicado às TICs. No Komunix deste ano serão adaptadas, ao público da Festa, funções do sistema Linux. Será também editada uma segunda versão do CD com aplicações de sofware livre para sistemas proprietários, ou seja, que correm no sistema windows e não necessitam que se recorra ao sistema Linux para que possam funcionar, esclareceu Sofia Grilo.
Para que a ajuda seja total, dois dos três workshops são subordinados à instalação e à utilização deste sistema operativo.
«O movimento do software livre surgiu na década de oitenta e apresenta-se como alternativa à ideia do software proprietário, que nem sabemos, actualmente, até que ponto está ou irá comprometer aspectos da nossa soberania nacional, com o Governo a ficar refém de uma multinacional de software norte-americana», lembrou Gonçalo Valverde.
O software livre «defende um conjunto de princípios em que, de certa forma, transparece um pouco a ideologia comunista, ao defender a liberdade de se utilizar os programas como se quiser, de os analisar, modificar, distribuir cópias e de poder partilhar todos os seus conteúdos».
A partir do momento que é adquirido, «este software pode ser utilizado com toda esta liberdade, gratuitamente, com a vantagem de o utilizador final ficar com acesso ao código-fonte do programa para resolver todos os problemas, sem que se tenha de pagar mais com melhorias ou arranjos», concluiu.

Debater o presente e o futuro
Trabalhadores, tecnologias e direitos


A situação laboral em que vivem «Os trabalhadores das Tecnologias da Informação» é o tema de um dos dois debates que decorrerão no Espaço das TICs. Ali, «serão abordados os problemas da precariedade, dos ritmos de trabalho e da flexibilização laboral vivida quotidianamente por cada vez mais trabalhadores deste sector», revelou Sofia Grilo.
O outro debate vai abordar «A gestão digital de direitos», numa altura em que tanto se fala dos direitos das empresas e de autor sobre a informação e criação que circulam pela internet.
A gestão digital de direitos «é uma terminologia um pouco ambígua» que tem levado à criação de restrições para impedir a cópia de ficheiros, o que é sempre possível», salientou Gonçalo Valverde, lembrando que nada impede um proprietário de um CD de fazer uma cópia do mesmo.
«Tem havido uma tendênca, de parte desta indústria, para tentar impor restrições para impedir que os ficheiros digitais possam ser facilmente copiados, o que entra em conflito com os direitos dos utilizadores», esclareceu, lembrando que os CDs equipados com sistemas anti-cópia estão feitos para apenas serem operativos em determinados sistemas, deixando os compradores reféns desse sitema. «Por exemplo, Há CDs de música e com filmes que só funcionam no sistema Windows e não no Linux», referiu Gonçalo Valverde, salientando que «o que se pretende é que quem queira ver um filme ou ouvir uma música tenha de pagar por isso e pelo número de vezes que o faz», esclareceu, levantando um pouco a ponta do véu do que vai ser este debate.
«É por isso que costumamos dizer que, em vez de «Gestão digital de direitos», esta matéria devia chamar-se Exploração digital de direitos», acrescentou Bruno Dias. Com as restrições, são as empresas, muito mais do que os autores das obras, que lucram desmesuradamente, não só com os produtos culturais mas também ao nível da produção académica, lembrou Sofia Grilo. «Não são os professores ou os investigadores que determinam se as obras podem ou não ser copiadas, ficando a decisão ao critério das editoras fazerem ou não novas edições que chegam a esgotar, deixando os alunos sem acesso a esse conhecimento e sem poderem duplicar as obras porque as editoras não o permitem», esclareceu.
«Já há livros electrónicos académicos que podem ser comprados com prazo de duração e, passado esse tempo, o livro desaparece», revelou Gonçalo Valverde. «Estamos perante a perspectiva capitalista da forma de rentabilizar e explorar ao máximo um bem». «Não pretendemos, com isto, pôr em causa o direito do autor de receber os dividendos das suas obras, mas sim os das editoras que ostracisam os consumidores
de música, por exemplo, e não agem de acordo com os interesses dos próprios artistas quando limitam a divulgação e o consumo das suas obras», considerou.
«Parece que a pirataria informática foi propositadamente disseminada pelas multinacionais e os grupos económicos desta área para que agora entremos numa nova fase de restrições e de perseguição aos que foram, antes, incentivados a recorrerem à pirataria», considerou Bruno Dias.- L.G.


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