A recuperação do poder de compra é a principal exigência dos sindicatos
Alemanha
Comboios parados
Depois dos metalúrgicos, dos trabalhadores da construção civil e das telecomunicações, esta semana foi a vez dos ferroviários alemães se levantarem para lutar por aumentos salariais que reponham o poder de compra perdido na última década.
Paralisações parciais perturbaram fortemente, na segunda-feira, dia 2, o tráfego ferroviário na Alemanha, afectando várias grandes cidades do país, designadamente, Munique, no sul, e a capital financeira Frankfurt, no este.
As greves, chamadas de aviso não duraram mais do que duas horas e apenas abrangeram cerca de meio milhar de trabalhadores, mas tratou-se do primeiro sinal de que o sector está disposto a mobilizar-se e a avançar para lutas mais duras, sublinharam os dois maiores sindicatos da companhia germânica de caminhos-de-ferro Deuscht Bahn (DB)
A Transnet e a GDBA exigem aumentos de sete por cento, com um mínimo de 150 euros por mês para todos os 134 mil trabalhadores da DB.
A contraproposta da administração não vai além de uma actualização de dois por cento em 2008, e igual percentagem em 2009, para além do pagamento imediato de um prémio único de 300 euros.
O conflito laboral agravou-se com a convocação de uma greve paralela, na terça-feira, 3, pelo pequeno sindicato independente (GDL), que representa a maioria dos 30 mil maquinistas da DB, para os quais reivindicou um acordo em separado, prevendo aumentos salariais de 31 por cento.
Estes profissionais, que auferem vencimentos mensais entre os 1.970 e os 2.142 euros, exigem um salário mínimo de 2.500 euros, tendo aderido maciçamente à paralisação.
Em consequência, os comboios de longo curso e regionais pararam, anteontem, em toda a Alemanha, o mesmo acontecendo com nos percursos urbanos de Berlim, Hamburgo, Hannover, Frankfurt, Munique e Estugarda. Milhões de passageiros foram afectados.

Reivindicações em alta

Este movimento dos ferroviários, o maior desde 2003, vem somar-se à já longa lista de sectores que, desde o início do ano, têm entrado em processos de luta reivindicativa. Aproveitando o momento de crescimento da economia alemã, trabalhadores e sindicatos consideram que é chegado o momento de reverter a política de moderação salarial aplicada na última década e que tão fortemente penalizou os rendimentos do trabalho.
Recentemente, as indústrias metalúrgica e electrónica foram abaladas por uma série de greves que durou várias semanas. No final, o patronato foi obrigado a conceder aumentos salariais superiores a quatro por cento. Vários acordos sectoriais obtidos, por exemplo, na indústria automóvel constituem uma referência para outros ramos de actividade.
Na construção e obras públicas, um movimento grevista (o primeiro dos últimos cinco anos) prossegue há duas semanas nos estados regionais de Schleswig-Holstein e da Baixa-Saxónia, no norte da Alemanha, pressionando patronato a aplicar o acordo concluído ao nível federal.
Na sexta-feira, 29, milhares de trabalhadores da Deutsche Telekom puseram termo à primeira greve realizada desde a privatização da empresa, em 1995, que se prolongou por seis semanas.
Graças à luta desenvolvida, o sindicato Verdi conseguiu renegociar as condições da reestruturação dos serviços de atendimento telefónico e manutenção, limitando as reduções salariais e obtendo garantias de salvaguarda dos postos de trabalho.



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