Faleceu Henrique Viana

Faleceu, dia 4, aos 71 anos, o actor Henrique Viana. Nascido em Lisboa em 1936, iniciou-se no teatro amador com 22 anos na Sociedade Guilherme Cossoul e, em 1959, integrou o elenco do Teatro Nacional na peça Lugre, de Bernardo Santareno, já como profissional. Ainda no teatro, trabalhou na companhia de Vasco Morgado, foi um dos fundadores do Teatro do Nosso Tempo, integrou o Teatro da Estufa Fria e a Companhia do Teatro Villaret. Após o 25 de Abril foi um dos fundadores da Cooperativa de Teatro Adóque, tendo aí criado, como actor e autor, populares figuras do teatro de revista dessa época. O lisboeta «Calinas» foi talvez a mais famosa dessas figuras. No cinema, Henrique Viana participou em 59 filmes, o último dos quais – O Julgamento – tinha a estreia marcada precisamente para o dia em que o actor veio a falecer. A televisão foi outra das casas do popular actor, que participou em muitas das mais notáveis produções de ficção televisiva realizadas em Portugal nas últimas duas décadas. A série Até Amanhã, Camaradas, inspirada no romance homónimo de Manuel Tiago, foi uma das últimas em que participou. Henrique Viana foi também, durante longos anos, militante do PCP, tendo sempre afirmado abertamente a sua opção política. No funeral, a urna foi coberta pelas bandeiras do seu clube, o Benfica, e do seu Partido, o PCP. Na ocasião, Jerónimo de Sousa destacou a «perda de um grande amigo, de um camarada e companheiro de jornada». E também de «um artista, um humanista desde sempre identificado com o 25 de Abril e a democracia».


«Duro de roer»

Foi apresentado com grande êxito, dia 24 em Mafra, e no dia 26 em Mirandela, o livro de João dos Santos Jacinto, «Duro de roer», da editora Primeira Edição. Com prefácio de Hélia Correia, a obra é uma autobiografia em que o autor narra a sua vida desde a infância. Aos 12 anos iniciou a carreira de metalúrgico, passou pela guerra colonial. Depois veio o 25 de Abril e a participação nas lutas, sempre com o PCP e na actividade sindical já nos CTT. Segundo Hélia Correia, o livro «é um jogo de memória que o João tão corajosamente joga agora».


«Aveiro - Imagens de um século»

João Sarabando escreveu o livro agora editado pela Campo de letras, «Aveiro: imagens de um século». Ao reflectir sobre a obra, o autor, também responsável pela organização, introdução e notas, considera que «cada fotografia é um privilegiado lugar de encontro». «No espaço e tempo de uma imagem cruzam-se dois olhares: o de quem a fixou e o de quem a observa e nela encontra um qualquer motivo que o prende – uma emoção, o eco de uma memória, o fio de um pensamento, mas sempre constituindo um instante partilhado», considera o autor, afirmando que «Aveiro é uma história de amor – nasceu modelada pelas águas e, por mão humana, foram as águas modeladas pela cidade».


MDM exige condições para a IVG

O núcleo do Movimento Democrático das Mulheres de Setúbal denunciou a falta de condições no Hospital Distrital para praticar Interrupções Voluntárias de Gravidez, lamentando que as requerentes tenham de recorrer a outras instituições. Segundo o MDM, o hospital tem remetido as grávidas para centros de saúde e médicos de família para que façam ecografias que podiam ser feitas naquele hospital. Em carta enviada à direcção hospitalar, o MDM apela para que reponha a legalidade e crie todas as condições medicamentosas e cirúrgicas para dar cabal resposta às necessidades das mulheres que pretendam recorrer à IVG.


A CIA tudo fez para matar Fidel

Um documento oficial de 693 páginas, divulgado no dia 3 nos Estados Unidos sobre actividades ilegais da CIA revela que, no início dos anos sessenta, a policia secreta norte-americana tentou assassinar o líder da Revolução cubana, Fidel Castro. O documento refere várias tentativas terroristas de assassinato entre 1940 e 1970, nomeadamente algumas que tiveram sucesso, como a morte do primeiro líder independentista do Congo (ex-Zaire), Patrice Lumumba, e do ditador fascista da República Dominicana, inicialmente apoiado por Washington, Rafael Trujillo. Quanto a Fidel Castro, confirma-se que o governo norte-americano fez acordos com membros da «comissão dos exilados cubanos» para o assassinar. Também tentou que um mafioso de Las Vegas assumisse o mesmo compromisso a troco de 150 mil dólares. O documento, repleto de elementos que continuam censurados, foi comentado terça-feira por «El comandante». Fidel Castro considerou que o documento demonstra o «imenso grau de hipocrisia e a total ausência de ética que caracterizam as acções, caóticas por natureza, do governo dos EUA». Também fez referência às mais de 600 tentativas de assassinato de que foi vítima.


Resumo da Semana