Tem que se respeitar a vontade do povo, diz a Fretilin
Eleições em Timor-leste
Fretilin quer diálogo, Xanana quer poder
A Fretilin venceu as legislativas em Timor-Leste. Enquanto espera o convite de Ramos-Horta para formar governo, o partido abre a porta ao diálogo.
Reagindo ao anúncio oficial da vitória, o ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, disse que a Fretilin espera que presidente da república convide o partido vencedor a formar governo e manifestou-se favorável à proposta de Ramos-Horta quanto à inclusão dos restantes partidos com representação parlamentar no futuro executivo, até porque, referiu, tal corresponde à vontade do povo timorense que decidiu não concentrar a maioria dos votos em ninguém.
Num total de 65 lugares, a Fretilin garantiu 21 deputados no hemiciclo, facto que obriga aquela formação política a estabelecer contactos para viabilizar um executivo estável e capaz de levar por diante um programa de desenvolvimento do país.
Em segundo lugar surge o CNRT de Xanana Gusmão com 18 assentos. A ASDT-PSD e o PD, com onze e oito deputados, respectivamente, ficaram em terceiro e quarto lugares.

Todos contra a Fretilin

Os três partidos derrotados apresentaram-se, sexta-feira, numa plataforma disposta a impedir a Fretilin de assumir a liderança do processo. Inicialmente, o PUN, com três eleitos, e a Udertim, com dois, eram também incluídos entre os subscritores do documento anti-Fretilin promovido por Xanana Gusmão, mas se os primeiros se recusaram à última hora a subscrever o texto limitando-se a permanecer no grupo em regime de «associados», no caso dos segundos a leitura é bem mais directa. De acordo com o secretário-geral da Udertim, Cristiano Costa, o volte face deu-se quando ficou claro que «os líderes dos outros quatro estavam sedentos de poder».
As palavras de Costa confirmam a análise feita por Mari Alkatiri no dia em que Xanana deu a conhecer as suas intenções. Numa conferência de imprensa realizada em Díli, Alkatiri disse que «o CNRT é um partido como qualquer outro e, se estamos abertos a todos, não podemos fechar as portas ao que obteve o segundo lugar», mas não deixou de considerar que «todos aqueles que aceitaram ir para o veredicto popular deveriam respeitá-lo, o que significa esperar que o partido mais votado tome iniciativas para ver quais as alianças que quer fazer e não “curto-circuitar” essa possibilidade».
Alkatiri afastou, desta forma, a tentativa de isolamento da Fretilin desenvolvida por Xanana, e concluiu reafirmando que o importante é garantir a paz, algo que, acrescentou, «não se deve impor com a força das armas, muito menos com as armas que vêm de fora».

Reinado livre

Entretanto, ainda a contagem dos boletins depositados nas urnas ia a meio, e já a Procuradoria-Geral da República timorense anunciava a emissão de salvo-condutos para o major Alfredo Reinado e os homens que este liderou na revolta contra o governo democraticamente eleito pela Fretilin nas primeiras eleições livres em Timor-Leste. Segundo informou a PGR, a medida visa cumprir ordens de Ramos-Horta, que em 19 de Junho decidiu cancelar os processos contra o grupo de Reinado reintegrando-o nas instituições de origem.

PCP saúda a Fretilin

Reagindo aos resultados do sufrágio do passado dia 30 de Junho em Timor-Leste, o PCP emitiu um comunicado, datado de sexta-feira, 06 Julho, que abaixo reproduzimos na integra.
«Tendo em conta os resultados eleitorais em Timor-Leste que apontam para uma inequívoca vitória da Fretilin, o PCP dirigiu aos militantes, activistas e dirigentes da Fretilin as calorosas saudações dos comunistas portugueses.
«Para o PCP estes resultados assumem uma importância acrescida, tendo em conta todas as manobras de manipulação política e tentativa de isolamento da Fretilin que têm marcado a vida política e social timorense.
«O PCP confia que a Fretilin saberá interpretar e dar expressão à coragem e à determinação que o povo de Timor-Leste demonstrou nestas eleições e deseja que – independentemente de problemas e de tentativas de mistificação dos resultados já ensaiadas – a vontade popular expressa nestes resultados, de querer ter à frente dos destinos da jovem nação timorense, mais uma vez, a Fretilin, seja respeitada.
«O PCP reiterou, neste importante momento para a vida e a história de Timor-Leste, a solidariedade dos comunistas portugueses para com o povo herói de Timor-Leste e para com a Fretilin, intransigente defensora da independência e soberania daquele país».


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