Editorial

«Mais do mesmo é o que os lisboetas podem esperar do próximo executivo camarário»

CONTEM COM A CDU

O resultado obtido pela CDU nas eleições de domingo passado assume uma importância e um significado consideráveis. Nele há que sublinhar, em primeiro lugar, a eleição de dois vereadores para a Câmara Municipal de Lisboa, tantos quantos foram os eleitos da CDU em 2005 – facto que, nas circunstâncias em que foi travada esta batalha eleitoral, assume particular relevância. O mesmo deve dizer-se dos 9,57% obtidos e que, apesar da quebra de 1.9 pontos percentuais, confirmam eleitoralmente a CDU, no quadro partidário existente, como a terceira força política na cidade - a larga distância do CDS/PP, que não elegeu qualquer vereador, e estilhaçando uma vez mais a lenda do partido urbano, com a qual o BE tem vindo a alimentar o seu sonho maior de superar eleitoralmente a CDU na capital.
Este resultado - não obstante ficar muito aquém do que a qualidade e a quantidade da obra produzida, em Lisboa, pelos comunistas e pelos seus aliados, justificaria – evidencia, ainda assim, a CDU como força necessária e indispensável e confirma-a como a única força que inequívocamente, se bate pelos interesses de Lisboa e dos lisboetas. Tanto mais quanto, como se sabe, o resultado da CDU foi conquistado a pulso pela intervenção dedicada e consciente de muitas centenas de activistas que ergueram uma campanha eleitoral com mais de quatrocentas iniciativas marcada pela preocupação principal do contacto directo com a população- uma campanha que os média dominantes flagelaram à sua maneira.

Com efeito, a intervenção da generalidade dos média teve como traço marcante o silenciamento ou o mau tratamento da campanha da CDU – de tal forma que quem tivesse apenas como fonte de informação esses média ficaria a pensar que a CDU não fez campanha eleitoral...
Outra linha de trabalho dos média dominantes foi a utilização das sondagens de opinião como elementos de influenciação do voto, recorrendo à habitual cegada em três actos: primeiro, os analistas de serviço opinam sobre quem vai ganhar e sobre as posições das restantes forças; essas opiniões são profusamente difundidas até se transformarem de opinião publicada em opinião pública; finalmente, as sondagens confirmam a opinião primeira dos analistas... Quando os objectivos dos encomendadores dessas sondagens divergem, acontece que duas sondagens publicadas no mesmo dia dão resultados contraditórios, opostos até. Quando assim é, logo alguém se apressa a explicar cientificamente as contradições - e está salva a credibilidade das sondagens.
A forma como foram tratados os candidatos ditos independentes, é também exemplar da prática mediática em voga. O ataque indiscriminado aos partidos e a valorização fraudulenta de supostas independências - representadas por independentes que só o são porque os partidos respectivos não os apoiaram – constituíram o essencial da intervenção desses candidatos e inserem-se na perigosa ofensiva em curso visando a descaracterização do regime democrático.

Quanto ao PS, não têm razão os seus dirigentes para embandeirar em arco como fizeram logo na noite das eleições. Tendo sido, de facto, a força mais votada, o PS ficou muito longe dos objectivos que havia definido para estas eleições. Longe, muito longe da maioria absoluta – seu objectivo explícito – os resultados eleitorais do PS traduziram-se, ainda, na eleição do presidente da Câmara de Lisboa com a menor percentagem e número de votos de sempre. Isto num quadro de profundo descrédito do PSD na cidade, como os resultados confirmaram.
Estes são dados concretos que impõem uma leitura que vai para além do resultado autárquico em si.
Puxando um pouco pela memória, António Costa facilmente constatará o óbvio: até o desastroso resultado obtido por Manuel Maria Carrilho em 2005 era suficiente para o PS ser primeira força nas eleições de domingo passado.

De resto, e olhando para o futuro, não serão necessários especiais dons de adivinhação para prever que mais do mesmo é o que os lisboetas podem esperar do próximo executivo camarário. Só assim podem ser entendidas várias das intenções já anunciadas, de entre as quais avultam os convites a figuras proeminentes da direita para exercerem funções de topo na gestão autárquica ou em áreas de incidência directa na cidade – facto que, para além do que indicia no que respeita à futura gestão da Câmara, confirma igualmente a persistência do PS numa aproximação com a direita que, pelas características que vem assumindo, torna difícil a qualquer observador medianamente atento distinguir onde é que acaba o PS e começa a direita e vice-versa. Desta realidade emerge um dos aspectos mais negativos das eleições de domingo passado: o cenário imediato mostra que o governo da cidade ficará nas mãos de forças que tiveram um papel fundamental na aprovação da negociata do Bragaparques – negócio que, recorde-se, esteve na origem da dissolução da Câmara e da realização das eleições intercalares.

Entretanto, uma coisa é certa: a CDU, agindo no seu estilo e com os seus objectivos específicos, assumirá as suas responsabilidades combatendo e denunciando tudo o que na gestão que aí vem for contrário aos interesses da cidade e dos seus habitantes – e, naturalmente, apoiando todas as medidas que vão ao encontro desses mesmos interesses.
Como amiúde temos referido e os lisboetas sabem por experiência própria, o PCP e os seus aliados cumprem os compromissos assumidos. Por isso eles são a mais sólida garantia de combate por uma gestão transparente norteada pela defesa dos interesses da população e da cidade. Contem com a CDU.


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