Governo revelou uma inaceitável hipocrisia política
PCP contra despedimentos na Portugália
O PCP acusou o Governo de estar a «promover políticas activas de destruição de emprego». Em causa está a aquisição pela TAP da companhia de aviação Portugália, um negócio patrocinado pelo Executivo do qual resulta o despedimento de 220 trabalhadores.
A questão foi levantada na passada semana em declaração política proferida pelo deputado comunista Bruno Dias, que, insurgindo-se contra tal desfecho, afirmou não ser esta uma «inevitabilidade». «A vida não tem de ser assim. Os trabalhadores não têm de estar condenados ao desemprego, à precariedade, à instabilidade das suas vidas», asseverou Bruno Dias, convicto de que há uma «alternativa» e que ela passa necessariamente pela «mobilização, a organização e a luta dos trabalhadores e das populações».
Esta reacção do Grupo Parlamentar do PCP, que encetara diligências para clarificar o assunto logo que este veio a público, surge em resposta ao que considera ser a «inaceitável hipocrisia política» do Governo, bem como a «revoltante insensibilidade» de que este deu provas ao não garantir «a integração de todos os trabalhadores, a salvaguarda dos seus postos de trabalho e dos seus direitos adquiridos».
Essa era a obrigação do Executivo PS e só isso «é justo e exigível», considerou Bruno Dias, para quem esta operação entre o Governo e o Grupo Espírito Santo (por interpostas administrações da TAP e da Portugália) é «um negócio do capital, em que os interesses do capital foram a grande preocupação», mas onde os trabalhadores surgem mais uma vez «como o "elo mais fraco" desta corrente de interesses privados e políticas públicas».
Por isso a exigência da bancada do PCP ao Governo para que preste esclarecimentos «não só no âmbito das suas responsabilidades ao nível do cumprimento da legislação laboral mas também na sua qualidade de representante como accionista» da TAP. Recordado foi o facto de a Comissão de Trabalhadores da nossa companhia aérea de bandeira não ter sido «ouvida nem achada», donde, segundo Bruno Dias, «mais do que uma questão de ética e de transparência é a própria legislação laboral que está a ser frontalmente desrespeitada».
Bruno Dias afirmou, por outro lado, não ignorar que todo este processo «faz parte de um negócio ainda maior», inserido no quadro da estratégia governamental «para a privatização da TAP», companhia considerada uma alavanca estratégica da economia e do desenvolvimento nacional.


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