Confiança!
Quando se sai da Festa do Avante! há quase sempre uma ideia – que foi crescendo ao longo dos três dias – que parece resumir, em cada ano, o que esse grande e fraternal convívio nos deixa, uma particular emoção que nos marca e que imprime determinado rumo no nosso trabalho de comunistas.
Para isso também a Festa serve, para elevar o ânimo, fazer balanço das lutas mais recentes, esclarecer sobre as questões fundamentais do tempo que vivemos, mostrar prioridades e orientações, abrir caminhos.
Este ano, essa ideia geral, esse sentimento marcante surgiu logo na abertura, quando muitos milhares se juntaram na Praça da Paz e ouviram as palavras de Jerónimo de Sousa e celebraram o início da Festa. Recordava-se ainda, entre os muitos que haviam terminado as tarefas da construção e se preparavam para se dedicarem a outras com o entusiasmo que pudemos todos observar, recordava-se ainda o árduo e estimulante esforço despendido nos últimos dias e o sábado da semana anterior em que o secretário-geral, integrado no trabalho, anunciava o lançamento de uma grande campanha nacional contra o desemprego e a precariedade e revelava que a participação na construção da Festa excedera já em número de militantes empenhados, o que o ano passado registara.
No desfile convergente para a Praça da Paz, as bandeiras vermelhas desfraldadas sob o calor, com a vibrante actuação dos jovens e das crianças do Tocá Rufar, que atroavam os ares com a percussão de bombos e tambores, com a alegria renovada que saúda sempre o momento da abertura das portas da Atalaia para mais uma grande jornada de convívio, cultura e luta, essa ideia surgiu, luminosa, logo ali. E pode resumir-se numa palavra – Confiança!
Confiança nas nossas próprias forças, que se manifesta nos tempos muito difíceis que atravessamos, sob a pressão dos ataques e das calúnias dos inimigos (todos juntos no mesmo saco seja qual for o partido a que pertençam, seja qual for o jornal ou o canal de televisão em que babam as suas diatribes, num coro orquestrado pelo Governo que lhes representa os interesses políticos, pelo capital tão bem servido por esse Governo, pelo imperialismo que lhes comanda a política).
Confiança nos trabalhadores que são a razão de sermos o Partido Comunista Português, nas suas lutas e determinação e coragem. Confiança nas massas populares em geral que erguem o seu protesto cada vez mais amplo contra a política de direita que tem levado o País à ruína e a grande maioria dos portugueses à pobreza e Portugal à submissão aos interesses imperialistas.
Confiança na juventude, que participa nas batalhas pelo seu presente e pelo futuro, juntando-se às iniciativas da JCP e do Partido e que, em massa, adere à Festa e à sua mensagem.
Confiança no povo português e nos povos do mundo que resistem.
Essa ideia atravessou toda a Festa. Do Pavilhão Central, onde celebrámos as nossas raízes no exemplo histórico da Revolução de Outubro e onde avançamos com o projecto da Conferência Nacional do Partido sobre questões económicas e sociais. Nos debates, às dezenas, que se desenrolaram. Em todas as actividades que no vasto espaço da Atalaia propusemos e que foram outros tantos êxitos.
Confiança que ficou gravada na memória de todos durante o comício, nas palavras juvenis de Tiago Vieira, na mensagem experiente de José Casanova, na intervenção vibrante de Jerónimo de Sousa. Confiança manifestada pelas muitas dezenas de milhares de participantes no comício, que também muitos mil integrarão as lutas que aí vêm.
Confiança!

L.M.


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