O PSD vai continuar a não conseguir fazer oposição à política do PS
Jerónimo de Sousa nos Açores
PCP tem condições para crescer
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, visitou no passado fim-de-semana as Ilhas do Faial e do Pico, Açores, onde teve oportunidade de confraternizar com simpatizantes e militantes do Partido.
Na breve intervenção que proferiu, na sexta-feira, no jantar de militantes que se realizou na Horta, Faial, o secretário-geral do PCP não poupou críticas à política do Governo PS e, invocando os dados estatísticos da União Europeia, alertou, segundo a Agência Lusa, para o facto de os milhões de euros que Bruxelas tem atribuído aos Açores não estarem a ser bem distribuídos nas ilhas.
«É certo que vem mais dinheiro da União Europeia, resta saber é para quem». Na verdade, se «hoje as estatísticas demonstram que os trabalhadores açorianos são dos mais prejudicados a nível nacional, então alguém está a ficar com o dinheiro no bolso», acusou Jerónimo de Sousa.
Entretanto, referindo-se à crise no PSD e ao seu actual líder, Luís Filipe Menezes, o dirigente comunista mostrou-se convencido de que, apesar da sua «voz grossa», não vai trazer nada de substancial no combate às políticas do Executivo de José Sócrates. E referiu mesmo algumas questões, relativamente às quais está certo de que o actual líder do PSD seguramente não se vai opor. Por exemplo, «em relação às privatizações terá uma posição diferente da do Partido Socialista?», questionou, considerando que também relativamente a temas como «a legislação laboral, a União Europeia ou o poder económico as diferenças entre PS e PSD são mínimas». Aliás, para Jerónimo de Sousa, o PSD, em matérias essenciais para o País, apresenta uma «contradição insanável», pois «não consegue fazer oposição à política que gostaria de fazer e que faria se estivesse no Governo da República».
Por sua vez, o coordenador regional do PCP, Aníbal Pires, recordou o acordo recentemente estabelecido entre os presidentes das duas regiões autónomas, para afirmar que Carlos César «vai actuando conforme as conveniências» e procurando «distanciar-se» do Governo da República.
Tanto Jerónimo de Sousa como Aníbal Pires alertaram, entretanto, para o trabalho que é necessário realizar nos Açores, na campanha para as eleições legislativas regionais do próximo ano, para que o PCP volte a ter uma voz no Parlamento açoriano.

Pico

Durante a sua visita à Ilha do Pico, no sábado, o secretário-geral do PCP avançou à Lusa que o seu Partido, mais do que recuperar a representação parlamentar comunista nas ilhas, tem condições «para recuperar um grupo parlamentar» na Assembleia Regional, nas eleições legislativas regionais de 2008. Esse objectivo, afirmou, está ao alcance do partido, depois da alteração recentemente efectuada à Lei Eleitoral nos Açores, que criou um décimo círculo eleitoral, designado «compensação», a juntar aos nove círculos de ilha já existentes. É que este círculo, explicou, vai permitir «corrigir a proporcionalidade» entre o número de votos e o número de deputados, que aumenta dos actuais 52 para 57.
Aliás, como Jerónimo de Sousa recordou, bastava ao PCP obter nas próximas eleições o mesmo número de votos que conseguiu nas Regionais de 2004, para conseguir eleger, pelos menos, dois deputados, à luz da nova Lei Eleitoral, sublinhando, contudo, que «isto não é apenas uma questão aritmética».
Durante a manhã, o secretário-geral do PCP visitou a zona da Paisagem Protegida da Vinha da Ilha do Pico, classificada pela UNESCO como Património Mundial, e a Adega Cooperativa Vitivinícola do Pico, que produz vários vinhos de qualidade, seguindo-se-lhe um almoço com vários militantes e simpatizantes do PCP.


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