Alastra a pobreza

Assinalou-se ontem o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. A este propósito, o Instituto Nacional de Estatística anunciou prever que, em 2050, o número de idosos em Portugal seja superior a 3 milhões sendo, actualmente, 1,8 milhões. Só em Lisboa há, oficialmente, 34 mil idosos a vierem completamente sozinhos em casa. Mais de 120 mil residem na capital sendo que 37 por cento deles são considerados muito pobres e totalmente dependentes da ajuda de organizações humanitárias e de algumas comunidades.


2,5 milhões de deprimidos

A depressão já afecta dois milhões e meio, um quarto do total da população portuguesa, segundo dados divulgados dia 10, na passagem do Dia Mundial da Saúde Mental pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental.
Segundo o presidente da sociedade citado no Diário de Notícias, Adriano Serra, os tratamentos destas patologias são feitos de forma muito lenta e são altamente incapacitantes, tanto no plano profissional como familiar. Começam por se manifestar através de sensações de cansaço fácil e perda de energia.
Trata-se de um quadro clínico que só se resolve com apoio médico embora, ainda segundo Adriano Serra, o Serviço Nacional de Saúde não dê resposta suficiente nem atempada ao problema, particularmente no que respeita à rede de cuidados primários. A detecção precoce e eficaz da doença evita o seu agravamento para ideias de suicídio motivadas pelo «desespero em que muitos doentes de vêem», afirmou, lembrando que, anualmente, 800 mil pessoas suicidam-se em todo o mundo, na maioria devido a distúrbios mentais decorrentes de depressões psicológicas.


Al Gore arrefece

Dois dias antes de ter sido premiado com o Prémio Nobel da Paz e depois de ter recebido um Óscar de Hollywood para o melhor filme-documentário do ano passado, subordinado aos problemas do aquecimento global, «Uma verdade inconveniente», o ex-candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Al Gore, viu, dia 11, o Supremo Tribunal Britânico sentenciá-lo por considerar que o filme contém, pelo menos, nove passagens alarmistas.
O processo foi movido pelo director de uma escola da região de Kent, Stewart Dimmmock, que pretendia ver proibida a exibição do filme nas escolas britânicas.
Sobre a possibilidade de o mar poder vir a subir 7 metros devido ao degelo da Gronelândia, desalojando milhões de pessoas, como consta do documentário, o tribunal, corroborado por especialistas do Governo britânico, concluiu que essa hipótese só poderá ocorrer daqui a milhares de anos. Quanto à ideia de haver ursos polares a afogar-se devido ao degelo no Ártico, o tribunal mencionou um estudo segundo o qual os quatro ursos referidos no filme morreram, mas sim devido a uma tempestade e não ao degelo.
O Supremo também não acatou os fundamentos segundo os quais o derretimento das neves do monte Kilimanjaro ou a seca no Lago Chade, em África, sejam motivados pelo aquecimento global. O uso de imagens do furacão Katrina, que assolou os Estados Unidos, foi também considerado exagerado, uma vez que a catástrofe não se deveu unicamente ao ciclone ou a alterações climáticas mas também a negligências na manutenção de estruturas que deviam ter contido as águas.
O juiz concluiu que o filme tem um conteúdo mais político do que científico e que adoptá-lo nos estabelecimentos de ensino seria uma flagrante violação das leis educacionais britânicas. Por isso, só poderá ser exibido se os professores salientarem estas questões e apresentarem outros pontos de vista sobre o problema.


IVG: o fim do pesadelo

Desde que há 3 meses a interrupção voluntária da gravidez foi despenalizada, 3 mil mulheres portuguesas recorreram legalmente ao aborto e, a cada mês que passa, são cada vez mais as solicitações, revelou a Direcção-Geral da Saúde. A maioria das IVGs é feita através de medicamentos e não por intervenção cirúrgica. Nos primeiros dois meses tinham sido praticados 1435, antes das 10 semanas. Dos 51 hospitais públicos, 36 praticam a IVG nos serviços de ginecologia e obstetrícia. Até ao fim deste ano, 4 centros de saúde começarão também a assistir pacientes por via medicamentosa. A DGS considera que a aplicação da IVG tem decorrido com toda a normalidade.


Ingleses sem dentistas

Devido à falta de dentistas no serviço nacional de saúde britânico, 6 por cento dos ingleses arrancam os próprios dentes em casa e fazem limpezas recorrendo, em alguns casos, a uma chave de fendas, revelou um estudo feito junto de 5212 residentes na Inglaterra que tinha, reconhecidamente, até há pouco tempo, um dos melhores serviços de saúde pública do mundo ocidental.


Resumo da Semana