PIDDAC 2008
Regiões descontentes
A Direcção da Organização Regional de Aveiro concluiu, numa primeira análise ao PIDDAC 2008, que este representa o «mais flagrante exemplo de quebra acentuada no investimento público»: cerca de 27%.
O «cenário agrava-se», porém, no distrito de Aveiro, que sofre um corte de mais de 50% relativamente ao ano passado. Aliás, este corte «é de tal forma grave – Aveiro passa de 5.º distrito com mais verbas para 8.º – que «será necessário recuar muitos anos para encontrar um valor semelhante».
Para Aveiro, diz o PCP, este é mesmo o PIDDAC «da paralisação das obras públicas», com excepção da ligação ferroviária ao Porto de Aveiro: desaparece a Plataforma inter modal de Cacia, peça estruturante para este investimento; ao nível da Saúde, desaparece o Hospital de Oliveira de Azeméis e é adiada a resolução de problemas como os de Cacia, Murtosa, Nogueira da Regedora, Esgueira e São Bernardo – que igualmente desaparecem –, enquanto Veiros, Canelas ou Barcouço recebem dotações de «valor residual».
Mais, o PIDDAC não atribui qualquer verba ao Concelho da Murtosa, atribui valores «absolutamente simbólicos» a Estarreja (17300€), Castelo de Paiva (22620€) e Sever do Vouga (35799€) e não contempla qualquer via rodoviária. «Bastante significativo» é entretanto o aumento de verbas - cerca de 65% (de 16 milhões € para 26 milhões) – que o PIDDAC destina para apoio directo ao patronato.

Basta de demagogia

Por seu lado, a Direcção da Organização Regional da Guarda diz que este PIDDAC condena mais uma vez o distrito ao subdesenvolvimento, pois em vez de combater as assimetrias regionais aprofunda-as, penalizando-o e discriminando-o negativamente, tal como em governos anteriores.
A verba de 68 milhões de euros, atribuída no ano passado, cai para 57 milhões (16%); os investimentos (quase só agrícolas) para diversos concelhos descem de 77 milhões de euros, em 2005, para 56 milhões em 2006, 40 milhões em 2007 e, agora, para apenas 33 milhões de euros, ou seja, em apenas 3 anos o desce em 44 milhões de euros, fazendo «cair por terra as promessas do governo de discriminação positiva».
Quase metade dos concelhos, Aguiar da Beira, Almeida, Figueira, Fornos Manteigas e Sabugal têm verbas irrisórias – ao todo não chegam a 70 mil euros – e um deles, Aguiar da Beira, não recebe sequer qualquer verba. «É evidente», ironiza o PCP, que nenhum destes concelhos tem maioria autárquica do PS, daí que continue a haver um conjunto de obras que se arrastam de ano para ano, se não desaparecem mesmo!
Ora, para a DORG, anunciar e orçamentar investimentos que não vão ser concretizados é «demagogia política, a todos os títulos condenável».

Só promessas!

Também a Comissão Concelhia do PCP de Santo Tirso expressa vivamente o seu protesto por este PIDDAC adiar mais uma vez os grandes investimentos para aquele concelho, um dos que mais tem sofrido com as politicas deste governo que, além de não investir no aparelho produtivo, encerra serviços públicos (Maternidade, Finanças de Vila das Aves, concessão da Residência de Estudantes) ou diminui valências das Urgências.
As populações esperavam, pois, que um maior investimento compensasse a população do concelho, diz o PCP, porém, a proposta do governo deixa de fora os grandes investimentos há muito prometidos e aguardados, como o cruzamento desnivelado na Variante EN105 com a ponte de Frádegas; novas instalações para a Extensão de Saúde de São Martinho do Campo e de Caldas da Saúde; Centros de Dia em Rebordões, Burgães e Vilarinho; Pavilhão Polidesportivo de Vilarinho; novas instalações para o Hospital de Santo Tirso.
Esta a realidade, perante a qual o Presidente da Câmara mantém uma «passividade cúmplice», diz o PCP que, prometendo apresentar na Assembleia da República um conjunto de propostas que contemplem estes investimentos, exige que também os outros partidos honrem as promessas feitas durante a campanha eleitoral.


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