- Edição Nº1772  -  15-11-2007

Inauguração da Rua Álvaro Cunhal
Um arquitecto e construtor de Abril
Na cerimónia de descerramento da placa toponímica Rua Álvaro Cunhal, Jerónimo de Sousa destacou, em Coimbra, a «figura fascinante» do homenageado «que soube usar a sua inteligência e a sua coragem e colocá-las ao serviço de um projecto portador da emancipação e libertação dos trabalhadores e do seu povo, solidário com outros povos».

«Era um revolucionário mas simultaneamente um humanista. Por detrás da sua firmeza e determinação inquebrantável revelava-se um homem que sofria com o sofrimento dos explorados e excluídos, com uma grande afectividade em relação às crianças», afirmou, na ocasião, o secretário-geral do PCP, referindo-se a Álvaro Cunhal. Naquela cerimónia, que contou com a presença de mais de uma centena de pessoas, foram ainda lembrados os nomes de dois comunistas: Alberto Vilaça e José Gabriel.
Jerónimo de Sousa destacou ainda a «obra» e o «contributo teórico» de Álvaro Cunhal «na vida do seu Partido de sempre» que «não foi produto de uma reflexão isolada da realidade, antes se desenvolveu incorporando a opinião e a experiência colectivas». Referências, por exemplo, à «sua contribuição para a definição dos objectivos de reorganização [do Partido] de 1940/41» e no «Relatório Rumo à Vitória, análise profunda e rigorosa da sociedade portuguesa nos anos 60 no plano económico, social, político e cultural».
Resistente como outros milhares de camaradas, Álvaro Cunhal foi também um arquitecto e construtor da democracia de Abril. «Na sua obra posterior a Abril, caracteriza todo o processo de avanços e conquistas democráticas e revolucionárias de Abril, as derrotas e recuos, as suas causas. No plano partidário, define teoricamente um conceito novo e criativo do trabalho colectivo como príncipio básico essencial do estilo de trabalho do Partido, Partido com experiência própria, construção teórica e prática do conceito de colectivo partidário», sublinhou o secretário-geral do PCP, valorizando-o ainda no plano «literário», das «artes plásticas», como «autor de diversos estudos teóricos nesse campo e no da estética em geral, além dos de carécter histórico, social e político-ideológico».
Álvaro Cunhal é, por isso, «um exemplo impressivo» para todos os comunistas do nosso tempo. «Exemplo dos que nunca perderam a esperança e a confiança na luta por um mundo melhor, a quem as vitórias nunca descansaram e as derrotas não desanimaram», acentuou Jerónimo de Sousa, concluíndo: «Ao longo de mais de 74 anos de acção e intervenção política [Álvaro Cunhal] assumiu um papel principal na história portuguesa do século XX, na resistência antifascista, na luta pela liberdade e pela democracia, nas transformações de Abril, na defesa da sociedade mais justa».