Terceira Residência, de Neruda

Terceira Residência, obra poética de Pablo Neruda escrita entre 1935 e 1945, foi agora editada pela Campo das Letras.
Inserido na colecção Campo da Poesia, com tradução de Albano Martins, este pungente conjunto de poemas versando a liberdade dos povos foi escrito por Neruda em meados da década de 30, altura em que viveu em Barcelona e Madrid, onde trabalhou como diplomata. A Guerra Civil Espanhola e o assassinato do escritor Federico García Lorca, que conhecia, afectaram profundamente Neruda, sendo nesse período que surge a parte IV de Terceira Residência chamada «Espanha no coração». «Os restantes poemas que compõem o livro foram escritos até 1945 e revelam a tensão gerada pela Segunda Guerra Mundial», observa o editor, lembrando que este livro – editado pela primeira vez em 1947, já no seu Chile ao qual regressara – é o «mais apaixonado e violento do poeta», abrindo caminho para o Canto Geral, uma das suas obras maiores.
Pablo Neruda (1904-1973), autor de poesia de inspiração social e revolucionária, fundou o Partido Comunista do Chile, tendo sido galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1971.


«Imagens da Memória»

Inaugurada a 26 de Novembro, está patente até ao próximo dia 14, na Biblioteca-Museu República e Resistência, a exposição colectiva «Imagens da Memória», englobando a trapologia de Helena Chainho e os desenhos de Patrícia Guimarães e de Fernanda Vicente. Esta é a primeira vez que expõem juntas, revelando-nos trabalhos de grande intensidade e beleza resgatados ao labirinto das suas vivências e memórias.
A Biblioteca-Museu República e Resistência fica na Rua Alberto de Sousa, 10-A, à Zona B do Rego-Lisboa (ao cimo da Rua da Beneficência). O horário da exposição é das 10h00 às 20h00 (de terça a sexta-feira) e das 15h00 às 20h00 (segundas e sábados).


Ensino do português nos EUA

A Associação de Professores de Português nos Estados Unidos e Canadá apelou no dia 29 de Novembro ao Presidente norte-americano, George W. Bush, para que reconsidere as críticas que dirigiu ao ensino do português naquele país.
«Solicitamos que reconsidere e retire a declaração que proferiu ao considerar o ensino do português como segunda língua estrangeira nos Estados Unidos um desperdício de projecto», lê-se na carta enviada por aquela associação ao presidente norte-americano.
No dia 13 de Novembro, recorde-se, o Presidente norte-americano vetou uma proposta de financiamento de programas de educação, onde se incluía o ensino do português como segunda língua, classificando-os como «projectos esbanjadores».


Chumbos em demasia

Portugal é o único dos países considerados desenvolvidos onde a taxa de alunos repetentes no primeiro e segundo ciclos atinge os 10 por cento. Os dados são da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e constam do seu relatório «Educação para Todos», divulgado na passada semana, onde se afirma que um em cada dez alunos portugueses (10,2 por cento) que frequentam os dois primeiros ciclos de ensino chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.
Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4 por cento, respectivamente, enquanto em países como a Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento. Com taxas de insucesso inferiores a Portugal estão ainda países menos desenvolvidos como o Botswana (4,8 por cento), o Paquistão (3,1) ou o Bangladesh (7), por exemplo.


Maus tratos a crianças

A Assembleia-Geral das Nações Unidas adoptou no dia 28 de Novembro uma resolução que cria a figura do representante especial para a violência contra as crianças. O objectivo é dar visibilidade à lamentável situação que afecta milhões de menores em todo o mundo.
A criação do novo cargo, que responderá perante o secretário-geral, foi aprovada no Comité dos Direitos Humanos da Assembleia-Geral por 176 votos a favor e um voto contra, dos Estados Unidos. Este voto contra foi justificado com o argumento de que, embora aceitem as linhas gerais do documento, a Convenção dos Direitos das Crianças entra em conflito com legislações internas de cada país assim como com a autoridade dos pais.
O representante especial terá a responsabilidade de actuar como defensor global das crianças afectadas por conflitos, ocupações, prostituição, pedofilia, maus-tratos e outras práticas violentas.


Resumo da Semana