Isolamento, exclusão social e degradação
Reformados e idosos merecem vida digna!
A consagração pelas Nações Unidas do Dia Internacional do Idoso, a 1 de Outubro, revela a necessidade de uma preocupação acrescida com este grupo populacional dadas as suas necessidades específicas nos mais diversos âmbitos – na saúde, na habitação, na segurança social, na sua realização enquanto seres humanos em respeito pela sua dignidade e pela sua autonomia.

MURPI promete continuar a lutar pela
defesa dos reformados, pensionistas e idosos

Reconquistar direitos consagrados<br> pela Revolução de Abril
Fruto da política dos últimos governos, que acentuam as desigualdades e as injustiças, a situação social vivida pelos idosos e reformados é cada vez pior e mais preocupante. Segundo dados oficiais, 28 por cento dos idosos portugueses regista uma taxa de pobreza elevada. Para a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) esta situação é insustentável, até porque a realização de uma vida não se esgota na vida activa, há uma dimensão de futuro que tem que ser valorizada e respeitada. Em conversa com o Avante!, Casimiro Menezes e Leonor Santa-Rita, sublinhando que é preciso retomar o espírito de luta dos reformados, acusaram o Executivo PS de ter agravado, entre outras, «a redução progressiva do valor das pensões de reforma», «o aumento dos impostos aos reformados», «o aumento do custo de vida», «as dificuldades crescentes no acesso aos cuidados de saúde, que estão cada vez mais caros».

36,8 por cento dos habitantes do distrito de Beja é pobre
Governos de direita arruinam Alentejo
Dos 2,5 milhões de reformados que estão inscritos na Segurança Social, cerca de dois milhões recebem uma pensão inferior ao Salário Mínimo Nacional e, destes, uma percentagem muito significativa tem uma pensão que em pouco ultrapassa os 200 euros. No distrito de Beja a situação é ainda mais grave. Segundo dados oficiais, 36,8 por cento das famílias são consideradas pobres e 12 por cento muito pobres, contra os 18,3 por cento e 4,8 por cento da média do País. Hoje, fruto da política do Governo PS, esta situação estará mais agravada. Para demonstrá-lo fomos ao coração do Alentejo e aí encontrámos duas realidades diferentes, uma agrícola, em Pias, outra mineira, em Aljustrel. Semelhanças, só mesmo as que os governos dos últimos 30 anos implementaram: cortes na saúde, falta de transportes, aumento das taxas moderadoras, encerramento de serviços públicos, entre muitas outras.

Península de Setúbal é a «capital» das reformas antecipadas
Governo PS agrava injustiça social
O número de reformados com idade inferior aos 65 anos tem vindo a aumentar na Península de Setúbal. Com a destruição do aparelho produtivo, em meados da década de 80, o grande capital e o patronato empurraram milhares de trabalhadores para o desemprego, com rescisão de contratos, reformas antecipadas, usando e abusando do sistema de Segurança Social. Entretanto, com a política ruinosa deste Governo, a situação agrava-se, levando à degradação de vida dos trabalhadores, dos reformados, dos pensionistas e dos idosos. O Executivo PS prepara-se ainda para acabar com toda a Acção Social do Estado, mandando essa responsabilidade para as autarquias, as IPSS's, com as quais muitas associações de reformados já estão hoje envolvidas. Em entrevista ao Avante! António Reizinho, José Abreu, Josélia Xavier e António Joaquim, operários qualificados, todos eles reformados, sublinharam que esta não é a democracia conquistada com o 25 de Abril de 1974, por que lutaram. É necessário que se tomem medidas que consagrem os direitos dos reformados, pensionistas e idosos num amplo e vasto movimento reivindicativo.

Centro Social do Lidador
Beja investe no idoso