A «empresarialização» é um mau caminho para o estaleiro, a Marinha e o País
Nem informação nem diálogo do Governo
Futuro para o Arsenal
Surgem na comunicação social informações que não são facultadas aos representantes dos trabalhadores e que agravam as justificadas preocupações quanto ao futuro do estaleiro naval que apoia a Marinha portuguesa.
Uma delegação do Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa deixou, dia 20, a um assessor do ministro da Defesa Nacional, um pedido de reunião urgente, para que Nuno Severiano Teixeira clarifique «quais as medidas que o Governo pretende adoptar para a modernização» do Arsenal do Alfeite. A direcção do STEFFAs/CGTP-IN, mandatada pelos associados, «preocupados com o futuro do estaleiro, dos seus postos de trabalho e demais direitos», disse ainda esperar que aquelas medidas «vão ao encontro dos interesses do País, da Marinha portuguesa e dos trabalhadores».

Estagnação premeditada

O sindicato começa por lembrar que o Arsenal do Alfeite tem «capacidade de projectos de navios, construção e reparação naval, a nível internacional», a qual é «fundamental, indispensável e insubstituível no apoio industrial e logístico à Marinha portuguesa, garantindo-lhe a sua operacionalidade e autonomia».
Mas, acusa o STEFFAs, «ao longo dos anos, os sucessivos governos e, em particular, os do PS, em vez de darem resposta aos problemas que se têm vindo a colocar àquela importante estaleiro naval, têm enveredado por uma política de estagnação, não investindo na sua modernização, para agora, e cada vez mais de forma evidente, justificar a sua empresarialização, com todos os prejuízos que daí resultariam para o País, a Marinha e os seus trabalhadores».
No documento deixado ao ministro, exprime-se ainda o protesto do sindicato por, ao contrário dos representantes dos trabalhadores, a comunicação social revelar que teve acesso ao relatório do grupo de trabalho, constituído pelo Governo, em Outubro de 2006, para estudar os modelos de gestão e as propostas de modernização do Alfeite - relatório que foi entregue ao Governo em finais de Julho e que, segundo o Diário de Notícias de 15 de Dezembro, defende a extinção do Arsenal para dar lugar a duas empresas industriais.
Relativamente aos recursos humanos, o DN revelou que, segundo o relatório, «terão de ser requalificados e motivados» e sofrerão «um redimensionamento compatível com as práticas existentes no sector da indústria de reparação e construção naval, no País e no estrangeiro». O matutino citou ainda «calendários anexos ao relatório», que indicam um prazo de seis meses para concluir as acções de «modernização» nas áreas social e de recursos humanos, financeira, administrativa, jurídica, informática e patrimonial.
Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública (de que o STEFFAs faz parte), disse à agência Lusa que a transformação pretendida pelo Governo poderá levar à extinção e privatização de serviços. O executivo de Severiano Teixeira e José Sócrates «quer encerrar serviços ou entregar outros a empresas privadas» e «os trabalhadores estão, naturalmente, preocupados com os seus postos de trabalho», disse a dirigente, que integrou a delegação sindical na ida ao MDN.


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