• Gustavo Carneiro

Apesar de todas as ofensivas e deturpações, o PCP reforça-se
PCP entra em 2008 mais forte e activo
O reforço do Partido é essencial para os trabalhadores e o povo
Três anos passados sobre o XVII Congresso do Partido, está comprovada na prática a consigna «Sim, é possível! Um PCP mais forte». À entrada de 2008, o Partido tem milhares de novos militantes, mais organização nas empresas e locais de trabalho e mais quadros responsabilizados e vê as suas organizações de base mais activas e dinâmicas, mais ligadas aos problemas concretos dos trabalhadores e das populações. Em entrevista ao Avante!, Francisco Lopes, da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central, faz um balanço deste reforço, realçando que um PCP mais forte interessa não apenas aos comunistas, mas aos trabalhadores, ao povo e ao desenvolvimento do País.
Avante! – Desde o último Congresso, mas particularmente nos dois últimos anos, o Comité Central tem feito balanços extremamente positivos do cumprimento das medidas de reforço do Partido. A que se deve estes resultados?

Francisco Lopes – O reforço do PCP que foi conseguido nestes últimos anos corresponde a uma necessidade dos trabalhadores, do povo português e do País, já que o nosso Partido é aquele que tem um projecto alternativo que corresponde aos seus interesses.
E trata-se de um reforço tanto mais importante quando se verifica num momento de grande ofensiva dos grupos económicos e financeiros e do Governo PS, prosseguindo a política dos governos do PSD e PP, em articulação com o Presidente da República, contra os direitos dos trabalhadores e os direitos sociais em geral. Ofensiva contra a qual o Partido tem tido um papel decisivo, combatendo, procurando uma ruptura e afirmando sempre o seu projecto alternativo. E é muito importante que o Partido se tenha reforçado, ganhando novas forças para o combate.
Estamos perante a concretização do movimento geral de reforço da organização partidária, sob o lema «Sim, é possível! Um PCP mais forte», que foi desenvolvido e reafirmado no XVII Congresso como grande orientação para estes anos. Vemos que há saltos positivos que estão a ser dados.

Em 2007, mais ainda do que no ano anterior, o Partido esteve envolvido e empenhado na mobilização para as grandes lutas que ocorreram no País. E o reforço orgânico verificado é extremamente positivo…

O Partido existe para dar resposta aos problemas dos trabalhadores e das populações e para concretizar o seu objectivo de uma sociedade nova, liberta da exploração e opressão capitalistas. É nessa intervenção e nessa acção quotidiana em que o Partido cumpre o seu papel que, enraizando-se e ligando-se cada vez mais aos trabalhadores e às populações, também cria condições para se fortalecer.
Mas não basta esta intervenção. Em 2006 e 2007, os comunistas deram uma contribuição decisiva para as grandes movimentações de massas que se realizaram – grandes manifestações nacionais, das maiores desde o 25 de Abril; uma greve geral; múltiplas lutas sectoriais – ao mesmo tempo que levaram à prática as linhas de trabalho específicas para o reforço da organização e intervenção partidárias, lançadas pelo Comité Central.
A síntese que é necessário reter é que o Partido não pode parar a sua acção para se reforçar. Até porque parando não se reforça. Mas não basta intervir. Os seus quadros e organismos têm de levar à prática com persistência orientações e medidas específicas, concretas, de reforço da organização sem as quais não é possível o fortalecimento do Partido.

Nas empresas, aumenta a precariedade e a repressão. As liberdades são cada vez mais limitadas. Na comunicação social, silenciam-se e deturpam-se as posições do Partido. Mas o PCP reforça-se. Não é isto um pouco contraditório?…

Durante anos, em função da contra-revolução e das derrotas do socialismo, criou-se a ideia de que o Partido teria dificuldade em se fortalecer. Muitos colocaram as teses dos «declínios irreversíveis». Mas é percebido por cada vez mais sectores da sociedade portuguesa que não há solução para os problemas nacionais – um caminho de progresso e desenvolvimento – sem a participação e o reforço do PCP.
Os valores, a coerência, a identificação com as preocupações e aspirações populares, a capacidade de combater esta política e a dimensão e força do nosso projecto face à realidade do País e do mundo explica que, apesar de todas as ofensivas, silenciamentos e deturpações, haja uma forte atracção, confiança e esperança no PCP. E está-se a provar que é possível, está a ser possível e vai ser possível um PCP mais forte.

Na sua reunião de 14 e 15 de Dezembro, para além de se prosseguir algumas das linhas «bem sucedidas» de reforço do Partido, o Comité Central coloca também como objectivo avançar noutras vertentes, em que não se tem progredido tanto. O que leva a crer que serão, agora, bem sucedidas?

O Comité Central apontou dez linhas de orientação no que respeita ao reforço do Partido. E insistimos no carácter integrado dessas linhas. Há umas mais importantes que outras, mas todas se interligam no objectivo de tornar o Partido mais forte.
Assim, e independentemente dos avanços verificados, continuamos a dar uma grande prioridade à responsabilização de quadros, à formação política e ideológica, ao reforço da organização nas empresas e locais de trabalho, à dinamização das organizações de base e da sua intervenção, à realização das assembleias das organizações. A estas associam-se as questões financeiras, a difusão da imprensa do Partido, o trabalho de propaganda… Não é só o facto de termos progredido menos nos anos anteriores que justifica que certas áreas sejam colocadas como prioridade. Há áreas em que progredimos bem e cuja importância justifica que continuem a ser prioritárias.
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# Desde o XVII Congresso entraram para o Partido cerca de 4700 novos militantes. O balanço de 2007 ainda não está concluído, mas o número final rondará este valor. Só em 2006, consagrado como o «ano de reforço do Partido», aderiram ao PCP mais de 2400 novos militantes, a maior adesão desde há décadas.

# Em 2006, foram responsabilizados mais de 1400 quadros, mais de 700 dos quais jovens com menos de 35 anos. Este trabalho prosseguiu em 2007, com centenas de novos quadros a assumirem responsabilidades.

# Nos dois últimos anos realizaram-se cerca de 460 assembleias das organizações. Nunca como em 2006 se tinham realizado tantas assembleias – 363, das quais 207 de organizações de base. Em 2007, foram realizadas mais de 100.

# Mais de 1000 militantes foram transferidos, ligados ou recrutados para organizações por local de trabalho durante o ano de 2007.

# Mais de 1700 militantes participaram, em 2006 e 2007, em cursos de formação ideológica. Se já em 2006, as metas definidas haviam sido superadas, em 2007 foram mais de mil os participantes em acções de formação.

Crescer em 2008

Estão traçadas as linhas fundamentais para o reforço do Partido em 2008:

- responsabilização de quadros, articulada com a intensificação da linha de formação política e ideológica;
- reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, com o aumento do número de militantes aí organizados em mais mil;
- definição actualizada das organizações de base, contribuindo para o seu funcionamento efectivo e incentivando a sua intervenção sobre os problemas dos trabalhadores e das populações;
- dinamização da realização das assembleias das organizações;
- aumento da capacidade financeira própria do Partido, centrada no aumento das receitas das quotizações;
- alargamento da difusão do Avante!, trabalhando para a venda de mais mil exemplares até Março;
- intensificação e aperfeiçoamento do trabalho de informação e propaganda aos vários níveis;
- promoção do recrutamento de novos militantes e a sua integração no trabalho partidário;
- integração dos membros do Partido em organismos, reforço da militância e esclarecimento da situação dos inscritos;
- aprofundamento da ligação às massas com discussão e medidas a tomar a todos os níveis.


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