Os comunistas reassumem funções no governo
Nepal põe fim à monarquia
Parlamento proclama República
O parlamento nepalês aprovou a abolição da monarquia e a instauração de um regime republicano no país. Com este desfecho, os comunistas voltam ao governo.
Por uma esmagadora maioria de 270 votos a favor num total de 321 deputados (84 por cento), a proposta de abolição da monarquia foi aprovada, sexta-feira, pelo parlamento do Nepal.
A decisão alcançada após meses de negociações envolvendo as principais forças políticas da oposição, entre os quais o Partido Comunista do Nepal(maoísta), abre caminho à destituição do rei Gyanendra e à convocação de eleições gerais, previstas para meados de Abril deste ano.
A futura assembleia representativa assumirá como principal objectivo a elaboração de uma Constituição democrática para o antigo reino dos Himalaias.
O monarca agora deposto subiu ao poder em 2001 na sequência de um golpe militar. A acção de força foi realizada como resposta à chacina entre os absolutistas, na qual morreram uma dezena de membros da família real incluindo o homicida e então herdeiro do trono.

PCN(m) reassume pastas

Neste contexto de consenso quanto à mudança de regime político, os comunistas nepaleses anunciaram o seu regresso ao governo de unidade nacional, cuja participação havia sido interrompida formalmente a 18 de Setembro último devido a divergências de fundo com o primeiro-ministro, Girija Prasad Koirala, e os restantes seis partidos que compõem o executivo.
Segundo informações apuradas pela agência de notícias do Nepal junto da direcção do PC do Nepal(m), sete comunistas devem assumir já a partir desta semana funções governativas e de representação do Estado.
De acordo com a mesma fonte, que cita declarações do líder parlamentar do PC do Nepal(m), Krishna Bahadur Mahara, o ministério do Desenvolvimento Local ficará a cargo de Dev Gurung, o do Trabalho e Planeamento a cargo de Hisila Yami, o das Florestas e Conservação dos Solos a cargo de Matrika Yadav, e o das Mulheres, Crianças e Segurança Social a cargo de Pampha Bhusal.
Padam Rai e Nabin Kumar B.K terão a responsabilidade de tutelar enquanto ministros de Estado as pastas do Desenvolvimento Local e das Mulheres, Crianças e Segurança Social, respectivamente, devendo também assumir funções um outro quadro do partido nas Relações Exteriores junto do Estado francês, isto apesar de Paris ter já recusado acreditar um comunista nos contactos diplomáticos que mantém com Katmandu.

Salto histórico

Entretanto, o presidente do PC do Nepal(m), Prachanda Path, considerou a abolição da monarquia no país um feito histórico cuja concretização prática não sofrerá retrocessos.
Path lembrou ainda que a disposição legal aprovada no parlamento e o documento de 23 pontos subscrito por todos os partidos presentes, obrigam o cumprimento do processo de democratização do Nepal, cujo segundo passo é já em Abril com a realização de uma consulta popular.
Recorde-se que durante o último ano e meio centenas de milhares de nepaleses exigiram nas ruas o fim da monarquia e a realização de um sufrágio universal livre e justo no país. As manifestações foram brutalmente reprimidas pela polícia e pelo exército fiéis ao rei Gyanendra, mas nem a violência travou os protestos.
Com cerca de 30 milhões de habitantes, o Nepal é um dos países mais pobres do mundo, figurando no 197º posto no ranking de 229 nações quando se estima o PIB per capita.
A vizinha Índia é o mais importante parceiro comercial do Nepal, cuja economia está fundamentalmente ligada à agricultura familiar de subsistência.
Aproximadamente metade da população vive na miséria e parte considerável dos bens consumidos provêm da ajuda externa.


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