FMJD encontra-se com Jerónimo de Sousa
Jovens lutam por um mundo melhor
Lisboa acolheu, de sexta-feira a domingo, uma reunião do Conselho Geral da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). Nesta iniciativa participaram cerca de 80 delegados de mais de 40 organizações de juventude de países de todos os continentes do globo, representando as várias organizações membro do FMJD, organização de reconhecida projecção mundial (recebeu da ONU a distinção de Mensageiro da Paz), que actualmente é presidida por uma organização portuguesa: A Juventude Comunista Portuguesa. Esta reunião realizou-se num contexto de uma violência imperialista contra vários povos do mundo, de onde se destacam o povo da Palestina, Sahara Ocidental, Iraque, Afeganistão, Sudão, Chade, entre muitos outros que, vítimas de uma saqueadora agressão por parte das grandes potências imperialistas (particularmente os EUA, União Europeia e Japão) lutam diariamente, muitas vezes, pela própria sobrevivência. Durante estes três dias foram ainda abordados os processos de resistência à exploração que inúmeros povos do mundo vivem no seu país, lutando contra o capitalismo e as injustiças que lhe são inerentes. Nesse sentido, destaca-se a presença de delegados de organizações que escolheram e constroem sociedades diferentes, alternativas à exploração e à injustiça, como Cuba, República Democrática e Popular da Coreia, Venezuela, Vietname e Zimbabué. Paralelamente a esta reunião, realizou-se, no sábado, no Centro de Trabalho Vitória, um encontro com o secretário-geral do PCP, que alertou para os «grandes perigos e ameaças aos trabalhadores e aos povos do planeta». Pediu ainda a «participação, intervenção e luta da juventude» na «construção de um mundo melhor».
Numa saudação aos participantes na reunião do Conselho Geral da FMJD, o secretário-geral do PCP fez um breve retracto da situação política e social de Portugal, «um país onde há cerca de dois milhões [de pessoas] a viver abaixo do limiar da pobreza, enquanto fortunas formidáveis são amassadas e concentradas num punhado de grupos económicos e financeiros».
«Os serviços públicos e as funções sociais do Estado nas áreas da saúde, segurança social, educação, justiça, energia, comunicações e correios são reduzidos ou encerrados, sacrificando os interesses das populações, particularmente do interior do país e visando a sua privatização», informou Jerónimo de Sousa, lembrando que o simples acto de ir à escola «representa um custo cada vez mais difícil de suportar para inúmeras famílias portuguesas».
No mundo do trabalho a situação não é melhor. «O desemprego entre os jovens é de 18 por cento e a precariedade atinge mais de metade dos que têm emprego, muitas vezes com contratos de dias ou mesmo horas, havendo empresas em que a esmagadora maioria da mão-de-obra é precária. Isto para além das gravíssimas situações de horários de trabalho desregulamentadas, de trabalho ilegal e de falta de condições de higiene e segurança em que tantos trabalhadores portugueses trabalham e que tem conduzido a que, de dia para dia, haja mais jovens portugueses a ter de partir do seu país e ir procurar melhores condições de vida lá fora», lamentou.
Entretanto, fruto da Revolução de Abril de 1974, Portugal tem uma Constituição das mais avançadas da Europa e mesmo do mundo.
«A nossa Constituição consagra o direito à educação pública, gratuita e de qualidade para todos, à habitação, à cultura, ao emprego com direitos, à liberdade e promoção das várias formas de associação, expressão e manifestação, que defende a paz e o fim dos blocos político-militares como a NATO, o direito dos povos à libertação e decisão do seu próprio destino colectivo», valorizou o secretário-geral do PCP, acusando o PS e o PSD de «desprezar, subverter e destruir o que foi e é conquista de Abril, dando um novo passo com a adopção do novo Tratado da UE, que nós rejeitamos e em relação ao qual exigimos a realização de um referendo, após amplo debate nacional, que o Governo PS recusou, fugindo aos seus compromissos eleitorais para com o povo português».

Ataque às liberdades

Jerónimo de Sousa lembrou ainda as «lutas diárias» contra a política do Governo PS, a partir das questões concretas de cada sector, de cada local de trabalho, de cada escola, a partir das aspirações e reivindicações dos trabalhadores, das populações e da juventude.
«Em Portugal há uma intensa campanha ideológica e um poderoso ataque às liberdades e garantias democráticas, aos direitos das organizações juvenis, às associações de estudantes, ao direito de organização e de manifestação dos jovens portugueses, ofensiva inseparável da limitação às liberdades e aos direitos dos trabalhadores em centenas de empresas e locais de trabalho», afirmou, acusando o Governo, «com uma Lei dos Partidos e do Financiamento dos Partidos», de querer impor ao PCP «um funcionamento diferente daquele que livremente decidimos ter».
«É para dar resposta a isso que no próximo dia 1 de Março realizaremos uma grande manifestação em Lisboa, uma Marcha pela Liberdade e Democracia, uma afirmação do direito à organização política livre e consciente, uma afirmação de liberdade», anunciou, o secretário-geral do PCP.

Solidariedade com os povos

Naquela iniciativa, o secretário-geral do PCP reafirmou, por outro lado, a sua solidariedade com a luta do povo e dos jovens da Palestina, do Iraque, do Afeganistão, do Sahara, dos Balcãs e de inúmeros países de África que lutam pelos seus direitos e a soberania dos seus países. Lembrou ainda que, um pouco por todo o mundo, se desenvolvem «importantes processos de luta, encerrando reais potencialidades de transformação revolucionária».
«Toda a evolução na América Latina, apesar dos seus traços contraditórios, mostra que mesmo num quadro internacional desfavorável são possíveis avanços de conteúdo progressista que constituem um alento para as forças revolucionárias em todo o mundo. A resistência de Cuba socialista, a revolução Bolivariana na Venezuela e outros processos democráticos de cariz popular projectam a possibilidade de resistir e de desenvolver processos com profundas transformações sociais», acentuou.
Jerónimo de Sousa manifestou ainda «grande preocupação» com as tentativas de «branqueamento do fascismo» e com o desenvolvimento de «uma vergonhosa campanha anti-comunista».
«Pelo nosso lado, continuaremos a afirmar os valores e objectivos que levaram à constituição do PCP, Partido patriótico e internacionalista, enraizado na realidade portuguesa e nos anseios dos trabalhadores, da juventude e demais camadas laboriosas, Partido que se orgulha da sua história de combate ao fascismo, de luta pela liberdade e a democracia, um Partido com uma vida interna assente nos princípios do centralismo democrático e que orienta a sua acção na base do marxismo-leninismo, concepção materialista e dialéctica do mundo que se enriquece constantemente em permanente ligação com a vida e o mundo», sublinhou, expressando solidariedade «a todos os camaradas que lutam por esse mundo fora».
Dai a importância de «alargar» e «fortalecer» os laços entre as forças democráticas, progressistas e comunistas de todo o mundo. «É para o PCP um orgulho que, a organização dos jovens comunistas portugueses, a JCP, assuma a responsabilidade que representa a presidência da FMJD», afirmou, valorizando a luta dos jovens «contra a guerra, por um mundo de paz, livre de bases militares imperialistas e armas nucleares, pela autodeterminação dos povos e sua soberania e independência nacionais, reforçando a cooperação e solidariedade internacionais».


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