Editorial

«Um caso único na imprensa revolucionária em todo o mundo»

NO 77º ANIVERSÁRIO DO <em>AVANTE!</em>

Em 15 de Fevereiro de 1931, na sequência da reorganização de 1929, nascia o Avante!
A criação do órgão central do Partido Comunista Português inseria-se no conjunto de medidas e orientações políticas e partidárias definidas na Conferência de Abril e que viriam a constituir um primeiro e importante passo para fazer do PCP um partido revolucionário marxista-leninista, capaz de lutar nas difíceis condições da clandestinidade.
Depois, seguiram-se mais de quatro décadas de uma epopeia singular – uma caminhada feita de êxitos, de derrotas e logo de novos êxitos: a tipografia que começa a funcionar e a imprimir o Avante!; a polícia fascista que detecta e assalta a tipografia, prende os tipógrafos, impede a saída do Jornal; a nova tipografia logo montada – ou montada previamente – noutro local, e outra vez o Avante! nas fábricas, nas escolas, nos campos, levando o incentivo à luta e a opinião, a análise, as palavras de ordem do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores – cumprindo o seu papel de voz dos que não tinham voz. Uma caminhada que deixa atrás de si um límpido rasto de dedicações, entregas, coragens e dignidades nascidas da confiança no ideal e no projecto comunista.
Nunca é demais sublinhar o facto notável que é a publicação regular do Avante!, sem interrupções – e sempre composto e impresso no interior do País - desde esse momento fulcral para a construção do PCP com as suas características actuais que foi a reorganização de 1940/1941, até ao 25 de Abril de 1974 – caso único na imprensa revolucionária clandestina em todo o mundo.

Da mesma forma que é mister sublinhar o papel desempenhado pelo órgão central do PCP no período subsequente ao 25 de Abril.
Primeiro, enquanto porta-voz do poderoso movimento operário e popular que constituiu a alavanca fundamental no processo de construção da democracia de Abril – uma democracia económica, social, política, cultural, amplamente participada e tendo a independência e a soberania do País como referências essenciais.
Depois, e até agora, ocupando um lugar insubstituível no desmascaramento da natureza e dos objectivos da contra-revolução e dos seus agentes nacionais e internacionais – e sempre, sempre incitando à luta, mostrando que a luta vale a pena mesmo quando os seus resultados não surgem de imediato, mostrando que, como amiúde refere o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando se luta, nem sempre se ganha, mas quando não se luta, perde-se sempre.
De sublinhar, ainda, o papel desempenhado pelo Avante!, ao longo dos seus 77 anos de existência, no que respeita à vida e à actividade partidárias, quer informando sobre a actividade, as posições e as orientações partidárias, quer dando o seu contributo para o reforço e a defesa do Partido e para a compreensão da sua relação dialéctica – e, igualmente, o seu papel no combate à acção dos grupos fraccionistas que, a partir de 1987, tentaram a liquidação do partido.
De sublinhar, finalmente, que da mesma forma que não é possível fazer a história de Portugal sob o regime fascista sem consultar o Avante!, só consultando-o é possível escrever com rigor sobre a revolução de Abril e sobre a contra-revolução que se lhe sucedeu.

Comemoramos os 77 anos de vida e de luta do Avante! num tempo carregado de ameaças, perigos e dificuldades muito concretas para os trabalhadores, o povo e o País – e que é, por isso mesmo, um tempo que nos coloca incontornáveis exigências de intervenção.
A ofensiva contra o regime democrático - levada a cabo por sucessivos governos de política de direita ao serviço do grande capital ao longo dos últimos trinta e dois anos - tem desferido significativas machadadas em todas as conquistas alcançadas pelos trabalhadores e pelo povo através de muitas lutas.
Com o actual Governo, essa ofensiva tem vindo a assumir expressões de crescente gravidade em matéria de direitos dos trabalhadores e das populações; de agravamento das condições de vida da maioria dos portugueses; de entrega ao capitalismo internacional da soberania e da independência nacionais; de empobrecimento do conteúdo democrático do regime - sempre numa prática de desrespeito e desprezo pela Constituição da República Portuguesa.
Nessa cruzada do Governo do PS/José Sócrates, o ataque às liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos assume relevância e gravidade crescentes.
Como o Avante! tem demonstrado com exemplos concretos, incontestáveis e incontestados, as liberdades de expressão, de imprensa, de actividade sindical e associativa, de propaganda, de organização e funcionamento interno partidários, são diariamente postas em causa por um Governo que, afrontando a Lei Fundamental do País, não olha a meios para alcançar os fins que os interesses do grande capital exigem e não hesita em recorrer a métodos persecutórios e repressivos que se julgavam definitivamente erradicados da sociedade portuguesa.
É neste contexto que surge a Marcha Liberdade e Democracia que o PCP convocou para o próximo dia 1 de Março – convocação que se estende a todos os que, não sendo comunistas, se identificam com os valores e princípios democráticos e deles não querem prescindir.
Porque é preciso dizer basta! a esta violação sistemática das liberdades. Porque é preciso dizer basta! a este processo de degradação do regime democrático.
Porque é preciso restituir aos trabalhadores, aos cidadãos, ao povo português a alegria da liberdade e da dignidade que fizeram de Abril o momento mais luminoso da nossa história colectiva.


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: