Editorial

«Os trabalhadores sabem quem são os seus amigos e quem são os seus inimigos»

A LUTA CONTINUA

O Congresso da CGTP-IN constituíu um momento alto dos trinta e oito anos de vida da histórica central sindical dos trabalhadores portugueses.
Dele saíram orientações concretas de trabalho e de luta bem adequadas à situação actual, proclamando a continuação e a intensificação da luta contra a política anti-social, anti-laboral, anti-democrática, iniciada há 32 anos e que atinge a sua fase mais grave com o actual governo PS/Sócrates.
O êxito do Congresso é tanto mais importante e significativo quanto, como sabemos, os trabalhadores e as suas estruturas de classe, por óbvias razões de classe, são alvos prioritários dos ataques da política do Governo.
No decurso de todo o período preparatório do Congresso – e, de forma ainda mais intensa no próprio Congresso - a generalidade dos média dominantes procedeu a uma fortíssima operação cujo objectivo essencial era, obviamente, procurar abrir brechas e enfraquecer a Central Sindical dos trabalhadores portugueses e, assim, contribuir para o objectivo dos que, há muito, tentam transformá-la numa coisa amarela dependente e ao serviço dos interesses do grande capital.
Essa operação, feita de intrigas, falsidades, ataques soezes - e seguindo, nesta matéria, o despudorado vale-tudo a que, em todas as matérias, é hábito recorrerem os serventuários do grande capital – tinha alvos cirurgicamente definidos, patentes no uso abundante da expressão «a supremacia dos comunistas na CGTP» - que, utilizada como o era, ganhava ressonâncias de coisa fraudulenta, golpista, criminosa, até.
Lendo e ouvindo os escrevinhadores de serviço, o cidadão distraído ficaria com a falsa ideia de que os comunistas, num tempo não definido mas indubitável, haviam invadido e ocupado ferreamente a CGTP-IN e ali queriam permanecer a mandar e a dominar tudo e todos.

A propósito, importa deixar claro que, entre os mais de vinte mil dirigentes e activistas do Movimento Sindical Unitário, existe uma maioria de militantes e simpatizantes comunistas e que essa maioria tem raízes históricas bem concretas – e, sobretudo, bem transparentes.
Trata-se de uma maioria cuja natureza e conteúdo estão indissoluvelmente ligados à luta dos trabalhadores portugueses pelos seus direitos e interesses e à postura inequívoca do PCP na vanguarda dessa luta. Trata-se de uma maioria que começou a construir-se em 1921, ano da criação do PCP, e que decorre do simples facto de os militantes comunistas, ao longo dos oitenta e sete anos de vida do seu Partido, terem ocupado, sempre – no tempo do fascismo, como hoje – a primeira fila da luta pelos direitos e interesses dos trabalhadores portugueses.
É por isso que os trabalhadores os elegem maioritarimente para seus representantes nas suas estruturas representativas. Por isso: porque confiam neles, porque os sabem sempre a seu lado seja em que situação for.
Os mesmos média não se cansaram, também – nestas coisas que têm a ver com os interesses do patrão eles são incansáveis vozes do dono – de clamar contra aquilo a que, em uníssono, chamavam as «pressões do PCP» e a «tensão» que tais «pressões» provocava.
Ou seja: ao mesmo tempo que, através das mais escabrosas formas de pressão, tudo faziam para, ao arrepio da vontade dos trabalhadores, pôr fim à tal supremacia dos comunistas, acusavam os comunistas de exercer «pressões»… É o que se chama fazer o mal e a caramunha.
Esses média – peritos na desinformação organizada - têm consciência da enorme vantagem de que dispõem em relação a quem diz e escreve a verdade: eles sabem o peso que tem a difusão simultânea e profusa de uma (duas, dez, cem, mil...) mentiras em dezenas de jornais, rádios e televisões; sabem que uma mentira mil vezes repetida pode transformar-se numa verdade absoluta e universal; sabem que é com a mentira repetida exaustivamente, com a opinião muitas vezes publicada que fazem a opinião pública. E isso chega-lhes, porque é disso que vivem.
Mas os trabalhadores também sabem quem está com eles e quem está contra eles, quem são os seus amigos e quem são os seus inimigos.

Ainda a propósito, importa relembrar as permanentes tentativas de divisão e enfraquecimento do Movimento Sindical Unitário levadas a cabo ao longo dos anos pelos representantes do capital. Exemplo disso é a criação da UGT, cujo objectivo maior era o de «quebrar a espinha à Intersindical». Neste caso, estamos perante uma supremacia essa, sim, engendrada num processo golpista clássico, sempre silenciado pelos média do grande capital, e que pode resumir-se assim: a dada altura, o grande capital entendeu que era tempo de acabar com a existência em Portugal de uma central sindical de classe – da classe que se lhe opõe, obviamente – e encarregou da tarefa quem oferecia melhores garantias de a cumprir: os partidos da política de direita, PS, PSD e CDS/PP. Foi assim, e para isso - para «quebrar a espinha à Intersindical» - que os então líderes desses partidos, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral, através de um envolvimento público, notório e assumido, criaram a UGT.
E, se é certo que a UGT não logrou o mínimo êxito na sua função de «endireita», não é menos certo que muitos e bons serviços tem prestado aos sucessivos governos PS/PSD na aplicação a que estes vêm procedendo da política que serve os interesses do grande capital.
Congratulemo-nos, pois, com o êxito do Congresso da CGTP-IN. E muito particularmente com a decisão que dele emerge, forte e inequívoca, de que a luta continua.


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