AKEL afirma-se como segunda força política no Chipre
Presidenciais no Chipre
Comunista na segunda volta
O candidato comunista do AKEL, Demetris Christofias, disputará a segunda volta das presidenciais cipriotas, depois de ter afastado da corrida o actual presidente, Tassos Papadopoulos.
Papadopoulos, dado como favorito nas eleições de domingo, 17, acabou com 31,78 por cento dos votos, ultrapassado pelo candidato conservador, Ioannis Kassoulides, e por Demetris Christofias, secretário-geral do partido comunista do Chipre (AKEL) e presidente do parlamento do país, ambos com votações praticamente idênticas (33,5 e 33,3 por cento, respectivamente), ou seja, uma diferença de apenas 980 votos.
Nestas eleições, cujo resultado já foi considerado o mais surpreendente da história do Chipre, os dois candidatos apurados centraram a sua campanha em torno do objectivo de reunificação da ilha, separada desde há 34 anos na sequência da ocupação turca da sua parte setentrional.
Ao contrário do presidente cessante, opositor declarado à abertura aos turco-cipriotas, Kassoulides e Christofias declararam-se favoráveis à reabertura das negociações, defendendo um sistema federal que una o país.
Embora mantenha a rejeição do plano das Nações Unidas, apresentado pelo antigo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e chumbado no referendo de 2004, o candidato do AKEL considera que «é urgente sair do actual impasse».
Também o seu adversário conservador, eurodeputado e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, insiste que «é chegado o tempo de ultrapassar as divisões», garantindo que, caso seja eleito no próximo domingo, 24, convidará no dia seguinte o presidente turco-cipriota, Mehmet Ali Talat.
A decisão do AKEL de apresentar pela primeira vez um candidato próprio às presidenciais foi bem recebida pelo eleitorado que concentrou votos em Christofias, provocando a derrota de Papadopoulos.
A imprensa cipriota já augura uma mudança no cenário político do país, observando que os partidos que apoiaram o presidente cessante, entre os quais se contam o socialista (EDEK), o centrista (DIKO) e os ecologistas, não conseguiram conservar o seu eleitorado, objectivo que foi plenamente conseguido pelo AKEL e pelo partido conservador DISY.


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