Sábado à tarde em Lisboa
Marchar para defender a liberdade
É já no sábado à tarde, em Lisboa, a Marcha «Liberdade e Democracia». À hora do fecho desta edição, já largos milhares de comunistas e amigos, de Norte a Sul do País, tinham confirmado a sua participação.
Vai ser uma grande Marcha. Na tarde de terça-feira, já largos milhares de militantes e simpatizantes do PCP se tinham inscrito para os autocarros que, de Norte a Sul do País, rumarão a Lisboa no sábado. Das regiões de Lisboa e Setúbal, para além dos inscritos para os autocarros, muitos mais se deslocarão por outros meios, engrossando assim esta iniciativa inédita, promovida pelo PCP e, como afirmou Jerónimo de Sousa no seu lançamento, «aberta à participação de todos os que, preocupados com a situação do País, querem um futuro de liberdade, democracia e progresso social».
A Marcha inicia-se às 14.30 horas, no Jardim do Príncipe Real, e termina na Praça do Rossio (ver mapa). É neste local que se realiza o comício – no qual tomará da palavra o secretário-geral do PCP – e o espectáculo musical, com Samuel e Manuel Pires da Rocha.
Durante o percurso, à passagem pelo Tribunal Constitucional (na Rua do Século), os militantes comunistas que o entenderem exibirão o seu cartão do PCP, numa afirmação do direito à liberdade de organização partidária e de defesa de todas as liberdades democráticas.
Nas intervenções do fim-de-semana, na Marinha Grande e em Lisboa, Jerónimo de Sousa reafirmou a convicção do PCP de que a «ofensiva contra a democracia económica e social conduz inevitavelmente à mutilação da democracia política e amputação das liberdades democráticas». Daí que à medida que o Governo levava a cabo a sua «ofensiva global contra os direitos dos trabalhadores e das populações» fosse também ganhando corpo a ofensiva contra os «direitos políticos, as liberdades e garantias dos cidadãos».

Exigência de liberdade

Entre as razões para marchar, o PCP destaca as limitações à liberdade sindical e o ataque aos direitos dos trabalhadores, à liberdade de expressão e propaganda e a repressão do protesto das populações. A tudo isto se juntam as iniciativas e as leis de crescente «policialização» da sociedade, as tentativas de controlo governamental da Justiça ou as leis eleitorais que distorcem a proporcionalidade e facilitam a bipolarização. E, com mais acuidade, as restrições à liberdade de organização e funcionamento dos partidos.
Como reafirmou no fim-de-semana Jerónimo de Sousa, estas leis antidemocráticas assumem agora uma nova dimensão, com a exigência da sua concretização prática. Que, nas suas normas, impõem aos partidos provas de existência que têm como pressuposto a devassa dos ficheiros partidários.
Há muito que o PCP afirma a sua oposição a estas leis do PS e PSD, que têm como objectivo claro a imposição ao PCP dos seus próprios modelos de organização e funcionamento, «na esperança de lhe minar a sua particular e específica natureza e características».
A resposta do PCP a estas leis é clara: «não aceitamos que outros decidam por nós o que só a nós nos diz respeito, como homens e mulheres livres que somos e queremos continuar a ser». O PCP, reafirmou Jerónimo de Sousa, é e quer continuar a ser o «partido da classe operária e de todos os trabalhadores, portador de um projecto transformador da sociedade, e não um mero e formatado instrumento de gestão dos interesses do grande capital e de um sistema capitalista que perpetua a exploração, como o são o PS e o PSD».
São muitas e boas razões para fazer desta Marcha «Liberdade e Democracia» uma forte manifestação de luta em defesa das conquistas de Abril e, ao mesmo tempo, uma demonstração dessa mesma liberdade conquistada pelo povo português após quase meio século de fascismo.


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