Criar células em empresas e em bairros municipais é prioridade
V Assembleia da Organização da Cidade de Lisboa do PCP
Organizar mais e melhor
O reforço da organização do Partido junto dos trabalhadores e das populações é o grande objectivo para a acção partidária na capital nos próximos anos, definiu a Assembleia da Organização da Cidade de Lisboa do PCP, realizada no sábado.
Mais de 250 delegados aprovaram por unanimidade a Resolução Política da V Assembleia da Organização da Cidade de Lisboa do PCP, realizada no sábado na sede da União de Comerciantes de Lisboa. O reforço da organização partidária junto dos trabalhadores das empresas de Lisboa terá sido, porventura, a principal orientação definida pela assembleia.
Para cumprir esta orientação, decidiu-se desenvolver as medidas traçadas na 1.ª assembleia do novo Sector de Empresas, realizada no ano passado, e que fundiu o anterior sector de empresas com os sectores de serviços, hotelaria e construção civil. O enquadramento de militantes e estabelecimento de uma regular ligação ao Partido, a constituição de células em diversas empresas ou de organismos de sector onde não for possível, ainda, a criação de células são apenas algumas delas.
A célula dos trabalhadores comunista na Câmara Municipal de Lisboa, o maior empregador da cidade, «tem de merecer uma atenção especial da direcção» do Partido na cidade, lê-se na resolução política. A autarquia emprega mais de 10 mil trabalhadores, distribuídos por centenas de locais de trabalho, que estão sob um forte ataque aos seus direitos. A Câmara Municipal criou recentemente um quadro de pessoal de direito privado e ameaçou não renovar o contrato a cerca de 1100 trabalhadores precários.
Na intervenção de encerramento da assembleia, Jerónimo de Sousa considerou correcta a prioridade dada à organização junto dos trabalhadores, mesmo tendo em conta as profundas alterações sociológicas verificadas em Lisboa e a destruição do aparelho produtivo.
Também o reforço da organização do Partido por locais de residência foi considerado prioritário. Sobretudo nos bairros municipais, onde a maioria da população é trabalhadora e «tendo em conta os problemas sociais existentes», afirma-se na resolução. Em três destes bairros foram criadas células do Partido.
Com estas medidas, o PCP pretende prosseguir os avanços verificados nos últimos anos. A organização do Partido em Lisboa está estruturada em 135 organismos e há quatro grandes organizações por área geográfica – zonas Centro, Norte, Oriental e Ocidental –, o sector de empresas e a célula dos trabalhadores da Câmara Municipal. Deste a última assembleia, fizeram-se 424 recrutamentos e realizaram-se 58 assembleias das organizações. Para 2008, o objectivo é trazer para o Partido mais 120 novos militantes.
A nova direcção, eleita com uma abstenção, tem 68 membros, 25 dos quais não integravam a anterior direcção. Muitos são jovens.

Nas mãos da especulação

Nos últimos anos, Lisboa viu desaparecerem largas centenas de empresas, nomeadamente da indústria transformadora e do pequeno comércio. Para os comunistas, a destruição do tecido produtivo na cidade é «muito largamente explicada pela pressão imobiliária», afirma a resolução aprovada. A Ocidente e a Oriente da cidade, «onde antes se situavam muitas empresas produtivas, erguem-se agora grandes zonas de imobiliário de elite».
Na resolução, refere-se ainda que a cidade foi entregue à especulação imobiliária. Esta situação foi possível graças à gestão da direita e também graças ao PS, que é «co-responsável pela continuação da direita no poder em 2005», ao inviabilizar a coligação com o PCP e, sobretudo, pelo «apoio permanente que lhe deu, principalmente na área dos grandes negócios urbanísticos».
Passados seis meses das eleições intercalares, a gestão PS/BE promoveu o despedimento de centenas de trabalhadores precários e mostrou-se «incapaz de dar resposta aos problemas das populações», afirmam os comunistas.

Jerónimo de Sousa encerrou Assembleia
«Precisamos de mais Partido»

Jerónimo de Sousa encerrou a Assembleia da Organização da Cidade de Lisboa do PCP. Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP valorizou as conclusões da assembleia, considerando que não se subestimaram as orientações tendentes ao recrutamento e intervenção nas empresas e locais de trabalho. «Precisamos de mais Partido», afirmou.
Em seguida, alertou para as teses dos que, «metendo os partidos todos no mesmo saco, querem desenterrar velhas concepções sebastianistas, como se isto fosse lá com alguns escolhidos e iluminados, com este ou aquele salvador», e não com outras políticas, nomeadamente no plano político, económico, social, cultural e de afirmação da soberania nacional. «O PCP é diferente», assumiu.
O dirigente do PCP sublinhou, depois, o êxito que constituiu o XI Congresso da CGTP-IN. Em sua opinião, o Congresso reafirmou as características fundamentais da central, cujos sindicatos, Uniões e Federações congregam um universo de 5 mil dirigentes e 25 mil delegados e activistas.
Este congresso, acrescentou, saldou-se pela derrota da ofensiva contra o movimento sindical, movida por vários sectores, e orientada contra o papel destacado dos comunistas na CGTP-IN. E lembrou que é por decisão dos trabalhadores, e não do Comité Central do PCP, que muitos comunistas são eleitos nas empresas como dirigentes e delegados sindicais.
Em seguida, destacou o exemplo de Manuel Lopes, católico, fundador e histórico dirigente da CGTP-IN que, não sendo militante do PCP, sempre trabalhou com os comunistas no movimento sindical e inclusivamente concorreu às eleições legislativas nas listas da CDU.
Para o dirigente do PCP, o caso do BCP revela a «falácia do preconceito largamente difundido da má gestão das empresas públicas e o mito da eficiência dos privados». As empresas privatizadas, lembrou, desde logo passaram a pagar menos impostos e «agora percebe-se porquê, com os malabarismos dos off-shores». Os off-shores e as «falsificações dos resultados, os ordenados e regalias principescas, as reformas milionárias, o perdão de dívidas a familiares mostram bem a distância entre as virtudes apregoadas publicamente e os vícios privados», realçou.
Da banca ao serviço do povo e do País nascida com as nacionalizações, prosseguiu Jerónimo de Sousa, «temos agora a banca ao serviço de uma clique». Igualmente interessante e significativo é ver os apologistas do «menos Estado» transformados nos mais «acérrimos defensores da intervenção do Estado, como se vê no caso da nacionalização do banco Northen Rock».


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