Editorial

«Foi um imenso plenário nacional de militantes, aberto a simpatizantes e amigos»

O PARTIDO

Comemoramos o 87º aniversário do PCP, começando por lhe oferecer uma das mais belas prendas possíveis: a impressionante Marcha Liberdade e Democracia que no passado sábado trouxe à rua mais de cinquenta mil militantes comunistas - aos quais se juntaram muitos democratas que, não sendo comunistas, partilham as preocupações destes face à evolução da situação do País no que diz respeito à ofensiva contra o regime democrático.
A Marcha foi um mar de gente, uma imensa fila humana que, iniciada no Príncipe Real, viria a desaguar na Praça do Rossio e a encher aquele espaço como jamais tinha acontecido. Tudo isto, num ambiente à nossa maneira comunista: de festa e de alegria, de força e de determinação, de esperança e de confiança, de camaradagem e de fraternidade.
Foi o «nosso grande colectivo partidário» que ali esteve, reunido num imenso plenário nacional de militantes, aberto a simpatizantes e amigos, lutando e confraternizando, trocando forças, energias e entusiasmos para as lutas que aí vêm – e a afirmar o seu Partido; a dizer que é assim – como ele é – que quer que ele seja, assim: Comunista e Português, com a sua identidade própria, feita de traços que se complementam num todo que abarca o seu projecto de sociedade, a sua natureza de classe, a sua ideologia, as suas normas de funcionamento democrático interno, o seu conceito proletário de internacionalismo, a sua estreita ligação aos problemas e anseios da classe operária, dos trabalhadores do povo e do País – uma identidade cujos primeiros passos foram dados a 6 de Março de 1921 e que, construída ao longo de duas décadas, viria a atingir a sua maturidade plena nos tempos difíceis mas exaltantes da reorganização de 40/41 e do III e IV Congressos do Partido; uma identidade que o XVIII Congresso do Partido confirmará.

Necessário é sublinhar o facto, e relevar o significado, de esta ter sido a primeira manifestação, com tais características, promovida pelo PCP: o colectivo partidário veio à rua dizer: «não!» à lei dos partidos, feita com o objectivo essencial de transformar o PCP numa coisa igual às restantes coisas nacionais que existem para defender os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros – e afirmar inequivocamente que o PCP foi, é e será aquilo que os seus militantes, consciente e soberanamente, quiserem que seja; «não!» à lei de financiamento dos partidos, feita com o objectivo essencial de acabar com a Festa do Avante!, expressão concreta do projecto, dos valores, da prática e do conteúdo da intervenção do Partido que a constrói - e da força e da capacidade criadoras e transformadoras do trabalho colectivo e voluntário; «não!» à política anti-democrática, anti-social e anti-patriótica deste Governo do grande capital – e afirmar frontalmente que o Partido da classe operária e dos trabalhadores continuará a ocupar a primeira fila da luta contra essa política e pela construção de uma alternativa democrática de esquerda, e a afirmar a sua firme determinação de dar continuidade plena – hoje, no futuro, e com os mesmos objectivos – à luta iniciada pelos comunistas que criaram o Partido e prosseguida, ao longo de 87 anos, por sucessivas gerações de comunistas.
As dezenas de milhares de comunistas que, no sábado, desfilaram em Lisboa – e entre os quais os jovens marcavam impressiva presença - vieram dizer, alto e bom som, que, como afirmou a camarada Catarina Pereira, do Secretariado da JCP, «juventude rima com Abril» - e rimando com Abril, rima com PCP – e que, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa, o «Rossio a transbordar», sendo um ponto de chegada da entusiástica marcha iniciada horas antes no Príncipe Real, era acima de tudo um novo ponto de partida: a afirmação clara e determinada de que a luta continua.

E foi nessa perspectiva que o Comité Central debateu e definiu orientações de trabalho para a resposta à política do Governo PS/Sócrates – o que mais avançou na ofensiva contra o regime democrático de Abril – e para a construção do XVIII Congresso do Partido, a realizar nos dias 29 e 30 de Novembro e 1 de Dezembro, no espaço multiusos do Campo Pequeno – um congresso que, porque é o Congresso do Partido da classe operária e dos trabalhadores, se reveste de características específicas, a mais importante das quais reside na ampla participação militante no decorrer das suas diversas fases preparatórias – a começar nesta primeira, em que, a partir da Resolução debatida e aprovada pelo CC, se procederá a um debate que se quer muito amplo e participado, de forma a conferir ao documento a justeza e correcção de análise só possíveis através da discussão colectiva.
Assim, a militância que trouxe às ruas de Lisboa, no sábado, dezenas de milhares de camaradas, deverá agora, trazer ao debate preparatório do Congresso esses, e mais do que esses, camaradas – e, tal como aconteceu no sábado, integrar nesse debate, nas formas habituais, o maior número possível de simpatizantes e amigos do partido.
O envolvimento do colectivo partidário neste processo de preparação, constitui uma condição indispensável para o êxito de um Congresso que terá a democracia de Abril como referência marcante, sempre tendo no horizonte o socialismo – única alternativa ao capitalismo explorador e opressor - objectivos que exigem um PCP mais forte, ou seja: um Partido que tenha como preocupações constantes o seu reforço orgânico e interventivo e o aumento da sua influência social, eleitoral e política; um Partido sempre, sempre com os trabalhadores, o povo e o País. O Partido.


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