Equador e Venezuela não vão tolerar novos ataques
Operação terrorista em território do Equador
Governo colombiano assassina Raúl Reys
O governo colombiano assassinou o comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Raul Reys, numa operação de terrorismo de Estado que violou a soberania do vizinho Equador e ameaça desestabilizar pela violência toda a região.
O número dois na hierarquia politico-militar das FARC-EP foi morto na madrugada de sábado quando pernoitava com um grupo de guerrilheiros num acampamento montado em solo equatoriano, situado a cerca de dois quilómetros da fronteira com a província colombiana de Putumayo, em plena selva da Amazónia.
Segundo informações divulgadas no sítio odiario.info, para além de Raúl Reys, outras 17 pessoas morreram no massacre, entre as quais o cantor Julian Conrado.
A operação alegadamente levada a cabo com o auxílio dos serviços secretos norte-americanos – que terão tratado de localizar o dirigente revolucionário com a cabeça a prémio por uma cifra a rondar os 2,7 milhões de dólares – foi prontamente saudada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e pelo responsável da Defesa no seu executivo, Juan Manuel Santos.
Gozando de eco nacional e internacional nas primeiras páginas da imprensa e nos telejornais, ambos procuraram mascarar a intentona apresentando-a como um bombardeamento efectuado a partir da Colômbia, mas os factos conhecidos mostram que se tratou de uma campanha deliberada que culminou num acto de terrorismo de Estado.
De acordo com as declarações do próprio Manuel Santos, após o bombardeamento aéreo no qual terá morrido Raúl Reys, tropas colombianas aerotransportadas atravessaram a fronteira com o objectivo de recolher o corpo do malogrado comandante, afirmação que confirma a violação da soberania do Equador, e atesta a versão que indica que depois da chuva de bombas, os guerrilheiros foram ultimados a golpes de metralhadora.

Correa e Chavez indignados

Reagindo aos acontecimentos do fim-de-semana, os presidentes do Equador e da Venezuela (países de charneira no projecto integracionista ALBA que afronta os interesses neoliberais na América Latina) mostraram-se indignados e afirmaram que não vão tolerar novas investidas criminosas.
Em declaração oficial transmitida pelos principais meios de comunicação, Rafael Correa anunciou a expulsão do embaixador colombiano em Quito, Carlos Holguín, e o imediato regresso do diplomata equatoriano acreditado na Colômbia, Francisco Suéscum, exigindo, ainda, um pedido de desculpas formal por parte do homólogos de Bogotá.
Correa justificou as medidas pela agressão ao seu país «por parte de um governo estrangeiro», situação que classificou de «extremamente grave e intolerável» e absolutamente despropositada face à situação no terreno.
Citado pela Prensa Latina, o chefe de Estado revelou na sua comunicação ao país que as investigações do exército equatoriano demonstram «um planificado ataque aéreo e uma posterior incursão de tropas colombianas», as quais, acrescentou, consumaram um massacre contra guerrilheiros das FARC encontrados «em roupas de dormir» e «baleados pelas costas».
Alertando que o seu governo não vai pactuar com a impunidade ou a deturpação, Correa sublinhou que quer o presidente, quer o ministro da Defesa da Colômbia, mentem descaradamente sobre o ataque e exortou os países da América do Sul a manifestarem repúdio pelo sucedido.
Ao lado de Correa na defesa da verdade e da soberania dos povo do Equador, Hugo Chavez acusou Álvaro Uribe de converter o país em «Israel da América Latina», e de ser «um lacaio do império, um mentiroso, um criminoso e um mafioso» que dirige um «narcogoverno, um governo paramilitar».
Apelando também à solidariedade dos países e povos do cone Sul do continente Americano – que hoje se devem manifestar na Colômbia e em várias cidades do subcontinente pela paz e contra o paramilitarismo -, Chávez deixou claro que o Equador pode contar «com a Venezuela para o que seja, em qualquer circunstância».
Em face da escalada de violência na região limítrofe com a Colômbia, o presidente venezuelano ordenou também a tomada de medidas de defesa do território.


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