Editorial

«No Congresso – e o Congresso é o Partido - o colectivo é quem mais ordena»

TAREFAS DOS COMUNISTAS

As comemorações do 87º aniversário do PCP, que têm vindo a realizar-se por todo o País e nas emigrações com a participação de muitos milhares de camaradas e amigos, confirmam inequivocamente as enormes potencialidades de reforço do Partido existentes.
Em centenas de iniciativas do mais diverso tipo, os militantes comunistas festejam mais um ano de vida e de luta do seu Partido, olhando para o passado com legítimo orgulho, mas com a consciência do papel que lhes cabe, no presente e no futuro, enquanto continuadores da gesta heróica de sucessivas gerações de comunistas ao longo de quase nove décadas.
Se a Marcha - Liberdade e Democracia constituiu – e, sem dúvida, que sim - uma inequívoca demonstração da força, da firmeza e da disponibilidade para a luta de dezenas de milhares de militantes comunistas, estas comemorações abrem novos caminhos para o avanço do Partido, para a intensificação da acção dos comunistas nas múltiplas e complexas tarefas impostas pela situação actual, desde as que dizem respeito ao necessário reforço do Partido, até às que se prendem com a luta, cada vez mais necessária e premente, contra a política de direita - que urge travar, derrotar e substituir antes que as suas consequências se traduzam numa tragédia nacional.

A situação em que vivem, hoje, os trabalhadores, os reformados, os jovens, os micro, pequenos e médios empresários - enfim, a imensa maioria dos portugueses – e o agravamento que essa situação sofrerá se o Governo lograr levar por diante as medidas que tem vindo a anunciar, mostram a urgência de pôr termo a esta política anti-social e de provocar uma ruptura de esquerda que devolva aos trabalhadores e ao povo português a dignidade, o respeito e os direitos que este Governo lhes vem roubando.
Mais do que preocupantes, são, igualmente, os traços de autoritarismo repressivo que emergem todos os dias das práticas concretas e das intenções anunciadas pelo Governo Sócrates/PS. O pendor prepotente e castrador das liberdades de que o actual Executivo todos os dias dá mostras, assume, por vezes, expressões que se aproximam das fronteiras últimas da democracia e configuram sinistros modelos de sociedade.
As recentes declarações do ministro da Administração Interna, Rui Pereira – anunciando o «novo crime da apologia do terrorismo», na base de um conceito de terrorismo elaborado pelo maior centro terrorista do mundo - são altamente preocupantes: pelo que confirmam em matéria de subserviência rastejante deste Governo aos ditames do imperialismo internacional, e pelo que indiciam no que respeita à predisposição do Governo PS/Sócrates de prosseguir e acentuar os atentados à democracia, à liberdade, à Constituição da República Portuguesa.
Engana-se o primeiro-ministro e secretário-geral do PS se pensa que consegue tapar o sol com uma peneira, ocultar a realidade que é a sua política anti-social, anti-democrática e anti-patriótica, com manifestações de desagravo do género daquela representação de sábado passado – que, sublinhe-se, nada ficou a dever em ridículo e grotesco aos desagravos congéneres realizados no antigamente.

Entre as muitas outras tarefas dos comunistas, duas há que exigem o devido realce.
A primeira, apesar de ainda a algum tempo de distância, não pode deixar de ser nossa preocupação desde já: no final deste ano, nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e no próximo ano, em todo o País, teremos que dar resposta a uma série de sucessivos actos eleitorais que, naturalmente, nos colocam enormes exigências de militância – militância à nossa maneira comunista: de entrega total à participação nessas batalhas eleitorais, procurando superar com o esforço e a dedicação os muitos obstáculos com que inevitavelmente iremos deparar, atraindo à participação o maior número de amigos e simpatizantes, cuja presença nas batalhas eleitorais e nas listas da CDU é de importância crucial para alcançarmos os objectivos pretendidos.
Estas são batalhas para travar com confiança e convicção, com a determinação de quem sabe o que quer e jamais vira a cara à luta, por mais difícil e complexa que ela seja. Batalhas para travar com os nossos amigos e aliados – membros do PEV, da ID, e muitos e muitos independentes que, com os comunistas, fazem da CDU um espaço singular de unidade, amplo, aberto, plural, democrático, nascido dos ideais de Abril.

A outra grande tarefa – que é, afinal, a grande tarefa do colectivo partidário neste ano de 2008 – é a construção do nosso XVIII Congresso.
Os congressos do PCP revestem-se de características muito específicas que decorrem do carácter decisivo da participação militante, fonte de força essencial do funcionamento democrático do Partido.
Sempre assim foi ao longo da história dos dezassete congressos já realizados e assim será neste de que estamos, agora, a dar os primeiros passos.
No Congresso, como na actividade diária do Partido, os militantes são decisivos: não apenas nas votações e no debate que ocorrerá durante os três dias do Congresso, mas logo desde o início – isto é, desde já - na participação no debate preparatório, que é o que, de facto, constrói a opinião colectiva que há-de sair do Congresso.
Porque, neste debate, o contributo de cada militante é a semente geradora de conclusões e orientações tanto mais correctas, rigorosas e ajustadas à realidade, quanto maior for o número de militantes a participar.
Porque, no Congresso – e o Congresso é o Partido - o colectivo partidário é quem mais ordena.


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