Editorial

«O envolvimento do colectivo partidário é indispensável para o êxito do Congresso»

UMA CERTA MANEIRA DE LUTAR

Ao anúncio da realização do XVIII Congresso do PCP, sucedeu-se, de imediato, o habitual desencadear da ofensiva anti-comunista visando o Partido como ele é e tentando transformá-lo naquilo que todos os seus inimigos querem que ele seja.
Trata-se, portanto, dos primeiros passos – na versão actual – de uma ofensiva recorrente na qual, como se sabe, a desvergonha é o mote e o vale-tudo é a regra – uma ofensiva que, nos tempos que aí vêm, até Novembro, tenderá a acentuar-se e a assumir as suas características típicas.
Não surpreende que assim seja. Bem pelo contrário: surpresa seria que assim não fosse - sempre, e mais ainda numa altura em que cresce a valorização do papel determinante desempenhado pelo PCP na luta contra a antidemocrática política de direita do Governo PS/Sócrates e por uma política democrática e de esquerda ao serviço dos interesses da imensa maioria dos portugueses; sempre, e mais ainda numa altura em que são igualmente visíveis os avanços do Partido, o seu reforço orgânico e interventivo e a sua crescente influência na sociedade portuguesa, fruto do reconhecimento da justeza da sua postura, da sua coerência, da sua permanente disponibilidade para a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País; sempre, e mais ainda numa altura em que o colectivo partidário acaba de expressar inequivocamente – num conjunto de acções de que a Marcha-Liberdade e Democracia foi expoente máximo - a sua força, a sua determinação, a sua unidade e coesão em torno do Partido que quer: que é este que tem, construído por gerações e gerações de comunistas ao longo de décadas, sempre aperfeiçoado por efeito de um constante espírito crítico e auto-crítico, sempre mantendo as suas características específicas, sempre com a sua identidade claramente definida e assumida.

Assim, a melhor e mais eficaz resposta a essa tradicional ofensiva de tempo de congressos é, justamente, o envolvimento do colectivo partidário, desde já, em todo o processo preparatório, no debate que iremos iniciar, que será decisivo – e que é insubstituível - para o enriquecimento do debate e das conclusões do Congresso.
Com efeito, nesse envolvimento está a raiz essencial do êxito do XVIII Congresso, porque é nessa participação militante conscientemente assumida – e concretizada no ambiente de camaradagem, de lealdade, de solidariedade, de fraternidade que é património precioso dos comunistas portugueses - que se situa a fonte de força essencial do Partido em todos os momentos e ocasiões.
E é igualmente essa militância comunista – capaz de intervir decisivamente na luta; capaz de vir para a rua quando a situação o exige; capaz de construir essa impressionante expressão de trabalho colectivo que é a Festa do Avante!; capaz de tornar possível o impossível - que faz do PCP um partido singular num quadro partidário nacional caracterizado precisamente pela ausência de intervenção militante.
Como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa por ocasião da comemoração do 87º aniversário do Partido na Região Autónoma da Madeira, o Congresso do PCP é «um processo e não apenas um acontecimento reduzido ao momento da sua realização (…) todo o nosso colectivo é chamado à análise, ao debate e a tomar decisões da mais alta importância para a vida do nosso Partido e em todos os domínios da sua intervenção (…) - o que pressupõe, acentuou, «todo um percurso democrático de discussão e elaboração colectiva de orientações no seio desse espaço de convívio fraterno que é o nosso Partido Comunista Português».

E porque, como é hábito dizermos – e bem - o Partido não encerra para Congresso, a intervenção do colectivo partidário nestes oito meses que distam da reunião do órgão supremo do Partido, terá que ser complementada por outras linhas de acção, designadamente duas: o contributo para a continuação e a intensificação da luta de massas, e o prosseguimento da aplicação das medidas e orientações, traçadas colectivamente, visando o reforço do Partido.
No primeiro caso, trata-se de dar a continuidade indispensável ao poderoso movimento que, envolvendo as massas trabalhadoras e as populações, tem vindo a fazer frente, de forma determinada, à política de classe deste Governo ao serviço exclusivo dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.
No segundo caso, trata-se de dar continuidade ao esforço que o colectivo partidário tem vindo a desenvolver desde o XVII Congresso e que se traduziu em significativos avanços, designadamente, como também sublinhou o secretário-geral do Partido, «na responsabilização de quadros, boa parte deles jovens, na formação política e ideológica, na realização de assembleias das organizações, na organização a partir das empresas e locais de trabalho e nas organizações de base em geral».
Confirmando, desde então, e concluindo, para o futuro, que «sim, é possível, um PCP mais forte».

Tudo isto – luta de massas e reforço do Partido – feito com a plena consciência da relação dialéctica existente entre estas duas linhas de acção: o Partido cresce e reforça-se com o desenvolvimento da luta de massas; e a luta de massas será tanto mais ampla e mais forte quanto maior for o crescimento e o reforço do Partido.
Tudo isto feito de acordo com uma muito específica e concreta maneira de lutar: que vê a luta de todos os dias, nas suas múltiplas e diversificadas vertentes, como passos indispensáveis no caminho da construção da sociedade socialista e comunista que constitui o seu objectivo supremo.


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